Atleta perdeu meio fígado, encara 4ª luta com o câncer e segue competindo

Do UOL, em São Paulo

  • Andy Lyons/Getty Images

    Gabriele tem uma cicatriz no abdômen decorrente da retirada parcial de fígado

    Gabriele tem uma cicatriz no abdômen decorrente da retirada parcial de fígado

Aos 31 anos, Gabriele Grunewald já encarou dois ciclos duros. Nas pistas, chegou perto, mas não conseguiu vaga para disputar uma Olimpíada. Fora delas, teve que enfrentar o câncer. Quatro vezes. A atleta venceu as quatro batalhas, mas sabe que essa luta continuará. Correr e competir ajuda, segundo ela, mas Gabriele não romantiza nada isso.

"Sou uma jovem adulta com câncer. Nem sempre gosto de falar sobre isso, porque não é um filme feito para passar na televisão. É algo real. E é assustador", resumiu ela em entrevista ao "The New York Times".

Meio-fundista, Gabriele costuma competir em distâncias entre 1.500m e 5.000m. Em 2012, ela ficou em quarto lugar na seletiva americana dos 1.500m para a Olimpíada de Londres e quase realizou seu sonho. Para a Olimpíada do Rio, em 2016, foi só a 12ª colocada.

A vaga não veio, mas nos dois casos só o fato de estar na pista já chama a atenção. Gabriele foi diagnosticada pela primeira vez com câncer em 2009, quando notou um cisto sob sua orelha esquerda. O médico definiu como um caso raro e perigoso de câncer.

No dia seguinte à notícia, a americana tinha uma competição. Seu treinador sugeriu que ela não disputasse. Gabriele, no entanto, fez questão de correr e bateu seu recorde pessoal na oportunidade, fazendo os 1.500m em 4min22. A cirurgia e a radioterapia na sequência foram inevitáveis.

Três meses depois de encerrado o tratamento, Gabriele estava correndo novamente. E, novamente, estava batendo seu recorde pessoal. Como ela explica tal desempenho? "É como se eu tivesse perdido todas as desculpas para não dar realmente tudo de mim", conta.

Mas a sequência de notícias ruins estava só começando. Em 2011, Gabriele foi diagnosticada com câncer de tireoide. Em 2016, um tumor foi encontrado em seu fígado. No início deste ano, mais dois tumores no mesmo local. A atleta, então, precisou retirar metade do órgão. A grande cicatriz que corta seu abdômen é a marca na pele da luta que ela trava contra o câncer.

A americana diz que o medo é um companheiro comum em sua vida, mas não sucumbe a ele. Em seu site e nas redes sociais, ela incentiva as pessoas a fazerem doações para pesquisas sobre o câncer. E, embora não queira lembrar toda hora da batalha que trava com a doença, sua história atrai atenção e vira inspiração para muita gente.

Gabriele aproveita para tirar forças dessas relações e seguir em frente. "Eu amo quando as pessoas se aproximam de mim, porque isso me ajuda a sair pela porta de casa todo dia", finaliza a atleta.



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