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CBAT ignora critérios próprios em convocação para Mundial e revolta atletas

Reprodução/Facebook
Alexander Russo (esqueda) foi convocado para o Mundial de atletismo a despeito de não ter obtido índice Imagem: Reprodução/Facebook

Guilherme Costa

Do UOL, em São Paulo

26/07/2017 20h06

A CBAT (Confederação Brasileira de Atletismo) deflagrou uma crise na modalidade na noite da última terça-feira (25), quando anunciou os convocados ao Mundial que acontecerá em Londres (Inglaterra) entre 4 e 13 de agosto deste ano. Contrariando critérios que havia apresentado, a entidade incluiu na delegação o revezamento 4x400m masculino, finalista do Mundial de Revezamentos realizado em abril. Com isso, abriu espaço no time para atletas que não obtiveram índice e preteriu outros que alcançaram as marcas mínimas.

A decisão gerou revolta entre atletas e treinadores, e essa insatisfação virou assunto na CBAT. A despeito de a lista de inscritos ter sido enviada na terça-feira à Iaaf (sigla que designa a federação internacional de atletismo), pelo menos dois profissionais que trabalham no estafe de nomes preteridos já receberam sinalizações de que é possível haver revisões.

“Se você perguntar agora, eles vão dizer que estão estudando o que adotar. Já perceberam que fizeram coisa errada, mas acharam que todo mundo ia ficar quieto”, disse Adalberto Almeida, representante da corredora Geisa Coutinho. “Eles devem mudar. Se vai levar todo mundo ou se vão usar o critério, é com eles. O correto é que usem o critério e não levem ninguém que esteja fora. Que se cumpra o regulamento”, completou.

A Iaaf estabelece um limite de três atletas de cada nacionalidade em provas individuais do Mundial – desde que eles atinjam índice de participação, é claro. Para isso, contabiliza marcas aferidas até 23 de julho na maioria das provas – as exceções são maratona e marcha atlética de 50km.

A CBAT, contudo, estabeleceu critérios complementares. Decidiu usar como base o ranking brasileiro, resultante de provas disputadas entre 1º de janeiro e 23 de julho. Além disso, assegurou vaga para campeões sul-americanos que estivessem entre os 40 primeiros do ranking olímpico e condicionou a formação de revezamentos à existência de pelo menos dois atletas com índice individual nas provas.

No 4x100m feminino, por exemplo, Rosângela Santos e Vitória Rosa obtiveram índice e justificaram a convocação da equipe. No 4x400m masculino, entretanto, apenas Lucas Carvalho chegou à marca mínima. Aldemir Gomes, que também costuma correr a distância, foi considerado pela CBAT o segundo classificado – ele obteve classificação individual, mas para os 200m rasos.

Portanto, a CBAT convocou para o Mundial Alexander Russo, Anderson Henriques e Hugo Balduíno, componentes do Mundial de Revezamentos, que não correram os 400m abaixo da marca necessária para o evento em Londres.

Outros dois atletas, Eliane Martins (salto em distância) e Allan Wolski (lançamento de martelo) foram incluídos no time mesmo sem terem feito índice de participação no Mundial. A justificativa é que houve convites da Iaaf em virtude de um baixo número de inscritos nessas provas.

“É sempre um jeitinho que o atletismo brasileiro tem para favorecer um ou outro. Tem de favorecer todo mundo, e não um grupo. O correto é não levar ninguém fora dos critérios. No ano passado havia opções no regulamento. Neste ano é curto e grosso: o revezamento 4x400m será convocado se no mínimo dois atletas tiverem índice individual nos 400m rasos. Se tem um e em outra prova, não vale”, ponderou Almeida.

O caso de Geisa Coutinho é emblemático: como a atleta havia obtido índice para participação nos 400m rasos, viajou em junho para a Europa e tem passagem de volta marcada para 14 de agosto – todos os classificados viajaram com custos pagos por CBAT e COB (Comitê Olímpico do Brasil) para fazer um camping. No entanto, ela acabou preterida na delegação final.

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