Esporte

Bolt perde ouro olímpico por doping de colega e Brasil pode herdar bronze

 Shaun Botterill/Getty Images
Nesta Carter é o segundo da esquerda para a direita na foto, abraçado com Bolt Imagem: Shaun Botterill/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

31/05/2018 15h21

O legado olímpico de Usain Bolt ficou um pouco menos reluzente, graças a uma decisão anunciada pela Corte Arbitral do Esporte (CAS) nesta quinta-feira. O órgão rejeitou a apelação de Nesta Carter em julgamento sobre doping e retirou da equipe da Jamaica a vitória no revezamento 4x100 metros nos Jogos de Pequim, em 2008.

Desta forma, o currículo de Bolt agora apresenta oito ouros olímpicos, com a perda da vitória na China há dez anos. Por sua vez, a decisão pode honrar o desempenho do time brasileiro, que terminou a prova de 2008 em quarto lugar e agora pode herdar o bronze.

Com a anulação da corrida jamaicana, o ouro do revezamento em Pequim fica com a equipe masculina de Trinidad e Tobago. Por sua vez, o Comitê Olímpico Internacional (COI) deve confirmar que o Japão herda a prata e o time do Brasil fica com o bronze. Na oportunidade, o quarteto brasileiro era formado por Vicente Lenílson, Sandro Viana, Bruno Lins e José Carlos Moreira. 

Para a realocação das medalhas acontecer, no entanto, os comitês olímpicos de cada país envolvido precisam cumprir um trâmite legal, recorrendo junto ao COI.

"A realocação das medalhas não é automática e é feito caso a caso. Como regra geral, entretanto, ela é feita quando os atletas ou equipes sancionadas têm esgotados todos os meios de apelação e os procedimentos são fechados. O COI segue a situação com os Comitês Olímpicos Nacionais, que então notificam os atletas para os quais as medalhas serão realocadas", informou o COI após consulta feita pelo UOL em janeiro de 2017.

Carter foi pego num exame antidoping, com a revelação de uso de um estimulante proibido pelas agências reguladoras. A metilhexanamina foi identificada na reanálise das amostras de urina coletadas em Pequim, o que causou a desclassificação tardia dos jamaicanos, que haviam registrado o tempo de 37s10, recorde mundial.

Anteriormente, o COI retirou a medalha do velocista e de toda a equipe que disputou a prova, mas, em fevereiro de 2017, Carter decidiu apresentar um recurso à Corte Arbitral, que agora foi negado.

A nota emitida pela CAS nesta quinta-feira diz que o órgão "não pode aceitar nenhum dos argumentos levantados por Nesta Carter de que os resultados do exame deviam ser ignorados pelo Comitê Olímpico Internacional em sua decisão disciplinar".

Em 2008, Carter foi o primeiro jamaicano a correr na final dos 4x100 metros, quando Bolt ganhou a primeira de suas nove medalhas de ouro (que agora viram oito). Em Pequim, o astro também venceu nos 100 m e 200 m – repetindo a trinca vitoriosa nos Jogos de 2012 em Londres e nos Jogos do Rio em 2016.  

Revolta de Vicente Lenílson

Em 2017, o UOL ouviu Vicente Lenílson sobre a possibilidade de herdar o bronze olímpico de Pequim, em caso da confirmação da pena ao time jamaicano. Na oportunidade, o atleta brasileiro manifestou que a justiça estava chegando tarde.

"Eu era atleta da Rede Atletismo naquela época e se o doping tivesse ocorrido dentro da competição (só foi comprovado após reanálise da urina de Carter), teria ganho a medalha lá em Pequim mesmo. E o meu clube dava R$ 1 milhão para cada atleta independentemente da cor da medalha. A sensação é de alegria, mas também de frustração, né? Eu perdi R$ 1 milhão. E agora, como fica?", disse Lenílson.

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