UOL Esporte Atletismo
 
01/01/2009 - 15h35

Na São Silvestre, filhos levam pais e são superados na pista

Fernando Narazaki e Rafael Krieger
Em São Paulo
A 84ª edição da São Silvestre levou 20 mil pessoas às ruas de São Paulo nessa quarta-feira e marcou também a estreia de muitos participantes na prova. Anônimos, eles correm para manter a forma física e realizarem uma atividade esportiva. Para eles, completar o evento é uma realização e a subida da Brigadeiro Luís Antônio, um "fantasma" comum antes da prova.

CORRIDA PELA SAÚDE
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Jackson (à esq.) levou o tio Yoshimiti para a pista, e acabou superado pelo familiar
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Júlio Cordeiro (à dir.) iniciou no atletismo após ter problema cardíaco em 2006
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A volta da largada simultânea dos pelotões masculino e feminino (apenas a elite feminina inicia minutos antes) também ajudou que muitas famílias passassem a correr juntas e viabilizar assim uma pequena "disputa" interna. São pais incentivados por filhos, ou maridos que levam suas esposas para a pista e fazem da São Silvestre uma extensão da festividade de 31 de dezembro.

E a idade está longe de ser um diferencial para os mais jovens. Foi o caso, por exemplo, do engenheiro Yoshimiti Matsusaki. Antes da prova, ele brincava ao lado do sobrinho Jackson Koiti Minami, de 24 anos, 20 anos mais novo que o tio, e dizia que estava apenas para brincar. "Eu não tenho qualquer condição", dizia.

Mas na pista o resultado foi bem diferente. Yoshimiti completou os 15 quilômetros em 1h04min31, na 1059ª colocação, bem a frente de Jackson, que registrou 1h36min34. Mas o estudante estava longe de reclamar. "O importante é completar a prova", explicou Jackson, que fez sua estreia na São Silvestre.

Outro calouro que deixou parentes mais jovens para trás foi Mohamad Abdul Rahim Nessaif. Incentivado pelas filhas, ele resolveu disputar pela primeira prova a tradicional prova e não fez feio, completando o evento em 1h46min52. "Ele estava supercontente e chegou bem tranquilo no final", destacou a filha Sandra, de 31 anos, que chegou seis minutos antes do pai. Mohamad, entretanto, superou com folga a outra filha, Suzan, de 34 anos, que terminou em 2h09min33.

"Fiquei esperando todos no final, e depois voltamos para celebrar. Foi muito legal", afirmou Sandra, que espera repetir a experiência em 2009. Para o pernambucano Júlio Cordeiro, a corrida foi tripla nessa quarta-feira. Além de percorrer os 15 quilômetros em 1h09min02, ele ainda teve de sair rapidamente para o Aeroporto de Cumbica para chegar em Recife antes da virada do ano. "Cheguei 15 minutos antes do Réveillon e pude passar em casa, mas não faço mais isso. Foi uma correria danada", explicou.

Com os familiares, ele pôde celebrar a sua primeira participação na São Silvestre, dois anos após tomar um susto com o coração e resolver iniciar a prática esportiva. "Tive um problema cardíaco e fazer um cateterismo em 2006. Depois disso, vi que tinha de praticar algum esporte, pois tinha uma vida sedentária. Agora, estou viciado. Participei até da Maratona de Atenas em 2008, mas a São Silvestre foi bem mais especial. É uma experiência incrível", analisou.

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Zaguinha fez embaixadinhas e levou figura de Nossa Senhora da Aparecida na prova
CONHEÇA OS DEZ PRIMEIROS
Se os calouros comemoravam terminar a prova, outros veteranos de São Silvestre cumpriam a tradição. "Tem duas coisas que preciso fazer todo o ano: o Carnaval e a São Silvestre. Pude participar mais uma vez e estou muito feliz", disse Manoel da Silva, o Zaguinha, personagem conhecido da prova por realizar embaixadinhas durante o percurso. "O pessoal sempre pede e a gente para para atender todos", afirmou.

Já o aposentado Shusiro Uehara, de 70 anos, completou a sua 20ª São Silvestre com o tempo de 2h20min41. "Sempre gostei de corrida e para mim isso é uma grande festa. Enquanto tiver saúde, quero continuar correndo", destacou. No final do ano, todos estes participantes ganharão o reforço de mais um "amador": Vanderlei Cordeiro de Lima, que encerrou sua carreira profissional nessa quarta-feira.

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