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Corinthians volta à elite e carrega história com Oscar e vitória sobre Real

Divulgação/LNB
Corinthians conquistou o direito de disputar o NBB após vencer a Liga Ouro em 2017 Imagem: Divulgação/LNB

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

16/10/2018 04h00

O Flamengo ganhou uma concorrência pesada no cenário do basquete nacional. Agora, a equipe divide a atenção com o Corinthians como os times que carregam milhões de fãs do futebol para a quadra. O clube do Parque São Jorge, respaldado ao carregar em sua história nomes como Oscar Schmidt e Wlamir Marques, reestreia na elite brasileira nesta terça-feira (16), a partir das 20h (de Brasília), contra o Sesi Franca, em casa.

A presença do Corinthians no esporte da bola laranja, contudo, não é novidade. Como citado anteriormente, o clube contou com dois dos melhores jogadores do país em todos os tempos. Se Oscar Schmidt venceu o Campeonato Brasileiro de 1996 com a camisa alvinegra e viveu dois anos marcantes, Wlamir Marques participou de uma geração marcada por bater um Real Madrid histórico - a equipe espanhola ainda hoje é uma das mais tradicionais na Europa.

Wlamir, aliás, vê aquela vitória por 118 a 109 em jogo disputado em 5 de julho de 1965 como fundamental para, nesta terça-feira, comentar o jogo pela ESPN Brasil em um ginásio rebatizado com o seu nome. A expectativa pelo retorno do Corinthians é alta, mas acompanhada de prudência pelo investimento ainda tímido na comparação com grandes elencos, como o Flamengo, dono de cinco títulos do NBB.

Juca Varella/Folhapress
Ginásio Wlamir Marques vai receber os jogos como mandante do Corinthians no NBB Imagem: Juca Varella/Folhapress

“Flamengo e Corinthians têm basquete desde a década de 1930, 1940, quando nem se existia campeonato profissional. Flamengo nunca parou, o Corinthians sempre dependeu de uma diretoria que gostava mais. O corintiano gosta e tem muita história no basquete. O povo que vai ver os jogos, como vimos na Liga Ouro, lotaria qualquer outro ginásio de São Paulo. Há uma expectativa ver o Corinthians bem, que dispute de igual para igual para satisfazer o torcedor”, disse, em entrevista ao UOL Esporte.

Ver o Corinthians de novo na elite não agrada somente a quem fez história pelo clube. A própria Liga Nacional de Basquete enxerga a entrada do clube de Parque São Jorge com o potencial de popularizar ainda mais a liga. O sucesso do Flamengo serve como exemplo para longo prazo, ainda mais pelo envolvimento dos torcedores nos jogos disputados pelo rubro-negro nos últimos anos.

Toni Pires/Folha Imagem
Oscar foi campeão brasileiro em 1996 pelo Corinthians Imagem: Toni Pires/Folha Imagem

“Além da tradição, o Corinthians traz também o ativo importante que é a torcida, seguindo uma tendência mundial dos grandes clubes de futebol que têm o basquete como o segundo esporte. Esperamos que os 30 milhões de corintianos possam de fato se apaixonar pelo basquete e se divirtam”, afirmou à reportagem João Fernando Rossi, 51 anos, presidente do NBB.

A Liga traçou um plano para se popularizar entre os corintianos. Assim como o Flamengo hoje é uma referência de basquete no país e abusa das redes sociais para valorizar o seu time, o NBB conta com essa parceria com o Corinthians para fortalecer a marca alvinegra neste primeiro ano de participação.

“O Corinthians e a Liga são fortes nas redes sociais, então temos que nos concentrar principalmente neste setor. A tecnologia nos permite estar conectados e engajados com os fãs. Nosso departamento de comunicação vem trabalhando junto com o de todos os clubes; será assim com o Corinthians”, acrescentou Rossi.

História de tradição

A força corintiana no basquete citada pelo presidente do NBB vem desde a década de 1960. Wlamir, que hoje batiza o ginásio que receberá o duelo contra Franca, tem o jogo contra o Real Madrid como uma das lembranças mais importantes da vitoriosa carreira de bicampeão mundial pela seleção (1959 e 1963).

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Wlamir Marques em ação na histórica partida contra o Real Madrid Imagem: Folhapress

“Sempre digo que o fato de terem dado meu nome ao ginásio tem muito a ver sobre a repercussão da vitória sobre o Real Madrid, que era bicampeão europeu e veio para a América do Sul como prêmio. Foi inigualável aquele jogo, um placar incomum para aquela época. Era um time poderoso, com dois norte-americanos; enquanto nós tínhamos a base da seleção”, relembra.

Wlamir Marques, segundo a própria memória, diz ter feito 51 pontos na vitória por 118 a 109. Esta lembrança sobre a vitória histórica sobre os espanhóis se reaviva a cada visita ao clube social corintiano, algo rotineiro para o ex-jogador de basquete.

Entretanto, nesta terça, a emoção será diferente segundo “seu Wlamir”, que também conquistou o campeonato brasileiro pelo Corinthians nos anos de 1965, 1966, 1969 – somente Oscar, em 1996, voltou ao topo com a camisa alvinegra.

“Vou como comentarista, mas a emoção é sempre grande. Sempre tiram foto comigo, pedem autógrafo, desde gente que leva filho, até crianças, vovós e vovôs. É muito legal que as pessoas mostram interesse pelo basquete do clube. Isso é muito importante para, quem sabe, o Corinthians seguir assim por muitos anos”, comentou Wlamir.

“O Corinthians sempre foi voltado para o futebol. O basquete ter conquistado o direito de batizar o ginásio, com o meu nome, é uma conquista muito grande. Isso faz eu me emocionar muito a cada vez que entro ali. É uma emoção que sempre se renova, é gostoso”, encerrou.

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