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AFP/M. Ozer

Alex marca Iguodala: Brasil teve chance de vitória no último arremesso

30/08/2010 - 17h23

Brasil para ataque norte-americano, endurece jogo, mas perde no fim

Murilo Garavello
Em Istambul (Turquia)

Três bolas que pipocaram no aro e caprichosamente não entraram nos últimos três segundos do jogo impediram o Brasil de vencer um time americano com os profissionais da NBA pela primeira vez. Após sua melhor atuação no Mundial da Turquia, os brasileiros perderam dos EUA por dois pontos, 70 a 68.

O JOGO EM NÚMEROS

  • AP
  • 8

    lances livres

    fez o Brasil no jogo. Os EUA arremessaram 23

  • 22

    erros

    Cometeram os EUA. Prova da boa defesa do time de Magnano

  • 17

    pontos

    Fez Marquinhos. Ele foi a surpresa de Magnano. Aposta funcionou.

  • 10

    rebotes

    Pegou Splitter, que ainda marcou 13 pontos. Duplo-duplo do Brasil.

"Parecia um jogo sete de playoff de NBA", definiu o norte-americano Kevin Durant. As cerca de 10 mil pessoas que estavam no ginásio Abdi Ipekçi, a maior parte delas torcendo para o Brasil, estavam de pé. A seleção perdia por dois pontos e tinha a posse de bola. A 3 segundos do fim do jogo, Marcelinho Huertas arremessou e sofreu falta. A bola pipocou no aro e, caprichosamente, não entrou. Ouviu-se um enorme “uuuuh”. Mas Huertas ainda tinha dois lances livres para empatar o jogo. No primeiro, novamente, quiques da bola no aro, erro. “Eu ainda estava pensando na bola que não entrou”, diria o brasileiro. O segundo, ele errou de propósito. Pegou o rebote e tocou para Leandrinho, que tentou uma bandeja mágica, de costas. “Achei que a bola tava dentro. Mandei certinho, com rotação legal”, diria o armador. “Eu pensei: ô-ou, vai cair”, confessou o armador americano Derrick Rose. Não caiu, e o Brasil perdeu.

Uma derrota “agridoce”, como diria Marcelinho Huertas. “Serviu para mostrar que podemos com qualquer time. Mas dá raiva porque perdemos a chance de conseguir a tão sonhada primeira colocação do grupo”.

Atacando com consciência, principalmente no primeiro tempo, quando acabou em vantagem de três pontos, o Brasil reduziu a velocidade norte-americana. Como consequência, os EUA tiveram seu pior aproveitamento de arremessos (42%) e cometeram 22 erros. Após passear contra Croácia (106 a 78) e Eslovênia (99 a 77), os EUA só fizeram 70 pontos. O ataque brasileiro deu 15 assistências –nove delas no excelente primeiro quarto, vencido por 28 a 22.

Com o resultado, os brasileiros vão definir a posição em que sairão do Grupo B nas duas últimas rodadas. Hoje, a Eslovênia venceu a Croácia e saiu à frente no “mini-torneio” que as duas seleções europeias travam com o Brasil pelas posições 2, 3 e 4 do grupo –quatro times classificam-se às oitavas-de-final. Nesta terça, não haverá jogos. Na quarta, o Brasil pega eslovenos, e na quinta, croatas.

Ainda sem Anderson Varejão, que se recupera de uma torção no tornozelo direito, Magnano entrou em quadra com Marquinhos no lugar de Guilherme Giovannoni como ala-pivô. A troca deu certo. Marquinhos foi o cestinha da equipe (17 pontos) e os brasileiros mostraram uma postura defensiva muito mais forte do que contra Irã e Tunísia. E conseguiram incomodar, e muito, o time de jogadores da NBA.

Uma amostra do quanto os EUA tiveram problemas fica por conta do aproveitamento de arremessos dos dois primeiros quartos: com 47%, foi o pior índice norte-americano do torneio. Enquanto isso, o Brasil aproveitava. O time de Magnano foi ao vestiário com 58% de aproveitamento dos chutes, após acertar 7 dos 11 tiros de 3 pontos tentados.

Após o intervalo, no entanto, o time de Mike Krzyzewski se estabilizou. A defesa verde-amarela seguiu funcionando, mas os arremessos pararam de cair. Com um aproveitamento “normal” dos rivais, os EUA aproveitaram um volume um pouco maior de jogo para, pela primeira vez na partida, abrir no placar, chegando a seis pontos de vantagem. A chave do jogo no 3º período foram as faltas. Marcelinho Huertas e Tiago Splitter acabaram pendurados, com 4 cada, e sem a dupla, os brasileiros tiveram dificuldade para pontuar.

No último quarto, as duas equipes erraram muito e o quarto terminou apenas em 9 a 9. Conquistando o público turco, o Brasil teve apoio no fim, mas não conseguiu vencer. “Houve ansiedade nossa. A gente queria abrir quatro pontos em vez de dois de cada vez. Errei alguns arremessos de um pé que são minha marca registrada, mas acontece. Vou lutar para melhorar nos próximos jogos”, disse Marcelinho Huertas.

FICHA DO JOGO

Reuters
Splitter bate bola marcado por Odom Mais fotos
BRASIL 68
Alex (5), Marcelinho Huertas (8), Leandrinho (14), Marquinhos (16) e Splitter (13). Depois: Marcelinho (7), Murilo (0), JP Batista (0), Giovannoni (5).

EUA 70
Rose (11), Billups (15), Durant (27), Iguodala (3) e Odom (8). Entraram Gay (1), Love (3), Chandler (0), Gordon (0), Westbrook (2).

DIRETO DO GINÁSIO

PÚBLICO, FINALMENTE
Cerca de 10 mil pessoas foram ao ginásio para ver Brasil x EUA. Nos outros dias, ginásio vazio.
ASSIM NÃO, JUIZ
Decisões da arbitragem irritaram Magnano no 3º quarto. Principalmente faltas marcadas contra os brasileiros.
CAMBISTAS AGEM
Com todos os ingressos vendidos, cambistas tiveram trabalho nesta terça-feira.
RIVAIS
Elano e Alex assistiram ao jogo separados. Os dois defendem clubes rivais: Galatasaray e Fenerbahce.

MELHORES E PIORES DO JOGO

SPLITTER
Dominou o garrafão contra os pivôs dos EUA e ainda terminou com um duplo-duplo
RESERVAS DOS EUA
Só acertaram um arremesso de quadra no jogo, com Kevin Love. Foram 7 tentativas
DURANT
Foi o cestinha do jogo, com 27 pontos, e a vávula de escape contra a defesa rival
JP BATISTA
Nos 5min que esteve em quadra, deixou a bola escapar 2 vezes. Ainda errou um arremesso e cometeu um erro

 

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