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AFP PHOTO / Aris Messinis

Sofoklis Schortsanitis, o "Baby Shaq", foi a força grega no garrafão com seus 156 quilos

06/09/2010 - 07h00

Argentino Román González puxa fila dos "barrigudos" do Mundial

Murilo Garavello
Em Istambul (Turquia)

No futebol, jogadores com sobrepeso em geral têm dificuldade para atuar. No basquete, modalidade que produz alguns dos maiores atletas da humanidade, há lugar para barrigas protuberantes. É o que indica o Mundial masculino, que reúne parte da elite do esporte na Turquia.

A LISTA DE "GORDINHOS" NA TURQUIA

  • 2010. REUTERS/Ivan Milutinovic

    Pivô Román González, de 2,08m e 125 quilos, ganhou o apelido de "El Gordo" pelos colegas.

  • EFE/Luis Tejido.

    Boris Diaw atuou bem na França, mas foi intimado pelo seu técnico da NBA a perder alguns quilinhos.

  • EFE/Luis Tejido

    O veterano Pero Cameron já foi até chamado de saco de batatas pelo diretor de sua ex-equipe.

Nesta terça-feira, estará em quadra para enfrentar o Brasil um pivô que passou boa parte de sua carreira acima do peso. Na ficha de Román González, 32, constam 125 kg distribuídos ao longo de 2,08 m de altura. Visualmente, em quadra, aparenta mais –isto quando não usa, por baixo do uniforme, uma camisa de lycra, de mangas compridas, para esconder o corpanzil, como na foto oficial do campeonato.

“El Gordo”, apelido recebido na Argentina, foi titular nos últimos três jogos do time em substituição a Fabrício Oberto, que perdeu quatro quilos com uma infecção intestinal –ele deve enfrentar o Brasil. González não tem ido bem, registrando em média 3 pontos e 4,2 rebotes. No último jogo argentino, contra a Sérvia, ele atrapalhou-se e errou três cestas fáceis. Terminou com nenhum ponto marcado em 23 minutos.

O argentino usa o corpo para afastar os rivais e apanhar rebotes. Mesma tática do grego Sofoklis Schortsanitis, o “Baby Shaq”, uma alusão a Shaquille O’Neal. Schortsanitis é uma montanha de músculos de 25 anos e 2,06 m, mas em seus declarados 156 quilos há espaço para uma barriga que não é composta apenas por massa muscular.

Schortsanitis usa toda sua força –e, diga-se, também as nádegas, proporcionais ao resto do corpo- para afastar os adversários. E tem alguma velocidade, apesar de seu tamanho, para fazer giros. Um dos pivôs mais temidos da Europa, o “Baby Shaq” deixou o Mundial no sábado, após a derrota da Grécia para a Espanha, com médias de 11,7 pontos e 5 rebotes por jogo.

Outros representantes do time do sobrepeso do Mundial não são pivôs. E têm habilidade. Um deles é o veterano Pero Cameron, da Nova Zelândia. Já antes da partida, no tradicional “haka”, ele balança seus 130 quilos distribuídos desigualmente pelos 198 centímetros de seu corpo.

Quando começa o jogo, Cameron mostra finèsse e visão de jogo. Antigamente o maior pontuador do time, agora o ala deixa o banco de reservas e ajuda o time a criar jogadas. Em 16,2 minutos em quadra, contribui com 3,8 pontos e 3,8 assistências –o melhor índice “por 40 minutos” do Mundial, superior ao de todos os armadores da competição. Em outras palavras, com 40 minutos para todos os jogadores e mantidas as performances, ninguém daria mais assistências do que o neozelandês.

É claro, entretanto, que o sobrepeso pode motivar preconceito. Em 2005, Cameron deixou o NZ Breakers, da Nova Zelândia, para atuar na Turquia. Peter Chapman, diretor do time, disse à imprensa que Cameron era um “um grande, gordo e preguiçoso saco de batatas” e, por isso, não faria falta.

O quarto jogador com visual mais roliço do Mundial vem da França. E é um craque, que atua na NBA e tem capacidade para atuar em praticamente todas as posições. Boris Diaw, que em tese tem 107 quilos e 2,03 m de altura, pontua (8,5 em média no Mundial), pega rebotes 5,7), dá assistências (3,7) e liderou a já eliminada França no Mundial.

A indisfarçável barriga, entretanto, já se sobrepôs à sua visão de jogo, sua habilidade para passar e antever jogadas. No início da última temporada da NBA, recebeu um pito público do técnico Larry Brown: “Obviamente ele está fora de forma. Só consegue correr de uma linha do lance livre à outra. Chega atrasado nos lances”.

Diaw cumprirá em 2010-2011 a última temporada de um contrato de cinco anos e US$ 45 milhões. Em busca de mostrar que merece um novo acordo tão bom quanto este, não será difícil vê-lo começar a temporada da NBA, no final de outubro, um pouco mais em forma do que esteve na Turquia

 

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