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AFP PHOTO / Rafa Rivas

Armadores, Huertas e Prigioni aprimoraram pick and roll no basquete espanhol

06/09/2010 - 15h00

Melhor jogada de Brasil e Argentina foi lapidada em time espanhol

Murilo Garavello
Em Istambul (Turquia)

O Caja Laboral, atual campeão espanhol, está mais relacionado ao duelo entre Brasil e Argentina do que aparenta o fato de ter Marcelinho Huertas sob contrato. No Caja Laboral, que costumava chamar-se Tau Ceramica, a jogada ofensiva mais usada pelas duas equipes, o pick and roll, tornou-se familiar aos principais armadores e pivôs dos rivais que se enfrentam nesta terça-feira, a partir da 15h.

AS OPÇÕES DO PICK AND ROLL DO BRASIL

  • Opção 1: Bandeja do armador
    Marcelinho Huertas recebe o corta-luz de Tiago Splitter na cabeça do garrafão e se livra de seu marcador, Derrick Rose. Lamar Odom opta por marcar o passe para o pivô brasileiro e abre espaço para a bandeja do armador.

  • Opção 2: Pivô recebe no garrafão
    A jogada se repete. Marcelinho Huertas recebe o corta-luz de Tiago Splitter e se desmarca de Chauncey Billups. Dessa vez, o pivô adversário, Lamar Odom, opta por bloquear a passagem do armador brasileiro. Splitter aproveita o vacilo da defesa norte-americana e se desloca para próximo da cesta e recebe o passe de Huertas pelo alto.

  • Opção 3: Ala como opção do perímetro
    A jogada começa exatamente igual com o corta-luz na cabeça do garrafão. Marcelinho se desmarca de Eric Gordon, mas interrompe a progressão diante da marcação do pivô Kevin Love. A defesa nos EUA congestiona o garrafão com Rudy Gay para marcar Tiago Splitter. O deslocamento do ala norte-americano deixa Alex Garcia livre da linha de três pontos.

O pivô argentino Luis Scola atuou na equipe entre 2000 e 2007. Pablo Prigioni, entre 2003 e 2009. Nos quatro anos em que estiveram juntos, adquiriram um entrosamento excelente na execução da jogada. “Há anos eles rompem defesas juntos”, diz o técnico argentino que dirige o Brasil, Rubén Magnano. “Vamos tentar atrapalhar essa sociedade, fazer com que ela não seja tão importante. Não é uma tarefa simples”.

O curioso é que o pivô brasileiro Tiago Splitter, que reforça o San Antonio Spurs na próxima temporada, foi contratado pelo hoje Caja Laboral também em 2003. Junto com Prigioni. E, principalmente após a saída de Scola, virou a principal opção de pick and roll do armador argentino. “O Tiago é bastante amigo do Prigioni. Já teve ocasiões de jantarmos juntos”, conta Huertas.

Em 2009, Prigioni foi contratado pelo Real Madrid. E, a pedido do técnico Dusko Ivanovic, o Caja “convocou” Huertas, que estava no Bologna italiano, para substitui-lo. De acordo com o brasileiro, Ivanovic gosta de dirigir à beira da quadra cada ataque e pede que o pick and roll inicie “80% das jogadas do time”. Ou seja, Huertas e Splitter treinam e executam o movimento e suas variações durante toda a temporada. Daí o entrosamento dele com Splitter ter florescido a ponto de Magnano tornar o pick and roll feito pelos dois o ponto focal do ataque brasileiro.

“É uma bola que traz vantagem. Você tem a opção da bola no pivô, tem a bola aberta, para o chute de três. A gente vem usando bastante, mas não estamos inventando nada, isso já existe há muito tempo no basquete”, diz Splitter.

Como enfrentar rivais tão conhecidos? “O Prigioni sabe dirigir o time. Vou tentar não deixar espaço para ele armar as jogadas. Vou tentar deixá-lo de costas para a cesta, não deixá-lo enxergar a quadra toda. Tentar evitar que ele receba a bola”, afirmou Huertas.

Splitter, que foi companheiro de Scola por quatro anos, também conhece de perto o hoje rival. “Ele tem muitos recursos, é um jogador bastante completo. Tem arremesso, tem corte, tem gancho. Sabe os macetes, empurra daqui e dali. É complicado”.

Do lado argentino, há também conhecimento mútuo e respeito. “É difícil para os dois lados porque nos conhecemos muito”, resume Prigioni. “Joguei sempre com Huertas. É um grande jogador. E ele evoluiu muito, vai ser um desafio para mim enfrentá-lo”, diz o argentino.

Scola também tem palavras elegantes para dizer sobre Tiago e sobre a dupla. “Espero que não esteja muito inspirado, porque é um grande jogador. Entende-se especialmente bem com Marcelinho Huertas e a conexão deles seguramente nos criará muitos problemas”, disse o cestinha do Mundial, com 29 pontos em média por partida.

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