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25/03/2010 - 07h14

Leandrinho admite falta de ritmo e diz que só estará bem nos playoffs

Bruno Doro
Em São Paulo

Há uma semana, Leandrinho voltava às quadras após a operação no punho direito. Na vitória do Phoenix Suns sobre o Minnessota Timberwolves, jogou por 15 minutos e marcou 7 pontos. Nada de excepcional para o brasileiro. Mas foi o máximo que os Suns estão dispostos a arriscar até agora.

Um dos melhores reservas da NBA e destaque do time até a última temporada, o ala-armador brasileiro está visivelmente fora de ritmo. Jogou quatro vezes até agora. Foram poucos minutos em quadra – a reestréia marcou sua maior participação. Arremessou pouco, uma, duas vezes por jogo.

“Acho que as coisas vão continuar assim até ser definida a nossa posição para os playoffs. Estou sendo poupado mesmo. Mas quando a temporada estiver terminando, aí, sim, devo jogar mais. Para voltar ao ritmo de jogo. O objetivos são os playoffs, de qualquer maneira. E quando chegar lá, playoff é outra coisa”, avisa o brasileiro.

Esse retorno, porém, não deve ser dos mais fáceis. A lesão de Leandrinho fez com que os outros reservas dos Suns começassem a aparecer. O croata Goran Dragic, por exemplo, contratado para ser o reserva de Steve Nash, finalmente ganhou confiança e está jogando bem. O mesmo acontece com o ala Jared Dudley.

Para o Brasil, porém, a lesão deve ser benéfica: Leandrinho deve chegar descansado, e com fome de bola, para o Mundial da Turquia, em agosto. A competição será a primeira do argentino Rubén Magnano, campeão olímpico com os hermanos, à frente da seleção verde-amarela.

Confira o que Leandrinho disse em entrevista para a imprensa brasileira, por telefone, na quarta-feira:

Volta da lesão

Estou jogando poucos minutos, estou sendo poupado mesmo. Eu entendo isso. O time está jogando bem. É normal que quem está voltando de lesão não tenha tanto tempo de quadra. Mas isso deve mudar um pouco perto dos playoffs. Quando nossa posição nos playoffs estiver mais definida, devem aumentar meu tempo de quadra, para melhorar a forma física. Preciso chegar bem aos playoffs.

2010: CALENDÁRIO CHEIO

  • AFP

    Leandrinho ao lado do companheiro de seleção brasileira Anderson Varejão; 2010 tem Mundial

  • Após operar, Leandrinho volta aos poucos às suas atuações habituais, pensando nos playoffs da NBA

Sobre o pulso

Na parte física, acho que estou bem agora. É lógico que preciso pegar condicionamento de jogo. Quando você fica machucado, continua correndo e acha que está legal, mas não é assim. No cinco contra cinco é diferente. E é nisso que preciso melhorar. O braço já está 100%, mas estou fazendo fisioterapia e poupando. O local (da cirurgia) ainda está inchado, mas isso é normal. Eu \voltei antes do que era previsto. E vou ter de continuar fazendo fisioterapia por um bom tempo. Não é porque já está bom que eu posso parar de tratar.

A relação com Nash

O grupo do Phoenix é muito unido. Ninguém é melhor do que ninguém, todo mundo gosta de todo mundo. Todos aceitam brincadeiras, gozações, e isso é bem importante. O Nash está sempre fazendo aquelas filmagens. Ele gosta bastante de editar imagens, está sempre fazendo isso. O primo dele é diretor de filmes, já está entrando em Hollywood. Acho que ele está entrando nesse meio também, e está gostando. É o jeito dele de se distrair e fazer brincadeiras. E ainda tem o lance do Twitter. O Nash faz o vídeo e avisa no twitter e o vídeo fica famoso. A gente se diverte. É uma coisa natural, em que todo mundo tenta dar uma idéia.

A chegada de Magnano

A impressão que tive (de Magnano) foi boa, mas o melhor de tudo foi a iniciativa da CBB de acompanhar o que acontece com os jogadores nos EUA e na Europa. Eles não sabem o que fazemos diariamente e puderam ver como é que as coisas funcionam. E o Magnano é um cara muito experiente. Comandou por muito tempo a seleção da Argentina, sabe do que uma seleção precisa, em um Mundial e em outras competições. Com certeza vai funcionar.

Rivalidade com a Argentina

Se (o técnico) é argentino, espanhol, isso não importa. Ele vai vestir a camisa. Só pode ter algum tipo de dificuldade com a língua, mas acho que não. E o Magnano tem tudo de brasileiro. Soube que ele vai morar no Brasil, para acompanhar os campeonatos nacionais de perto. E quando encontrar com os argentinos, vai querer comer com açúcar e sal. Tenho certeza de que vai funcionar. Os outros jogadores estão respeitando a idéia e o que importa é a experiência que ele traz.

O último Mundial

O que aconteceu no último Mundial (Japão, em 2006) serviu para que a gente aprendesse, pela posição em que terminamos, pelo jeito que a seleção jogou [o time terminou eliminado ainda na primeira fase]. Hoje, muitas coisas mudaram, estamos mais experientes, temos mais jogadores de qualidade. E agora, chegou o Magnano, vamos contar com o Nenê, podemos montar um time forte. Um time que pode ir para as cabeças. Pode acontecer, só depende da gente.

Problemas em 2006

Eu fiquei muito tempo parado [em 2006, entre o fim da temporada da NBA e o Mundial]. Naquele ano, a gente chegou muito longe nos playoffs e eu precisava de descanso. Até porque o descanso faz parte da preparação. Mas eu exagerei e esperei chegar muito perto do mundial (para voltar a se condicionar). Isso acabou prejudicando. Eu mesmo pequei. Tentei recuperar esse tempo, mas era tarde demais. O Mundial é muito forte e, se você não pega firme antes, é difícil correr atrás.

Londrina?

O meu sobrinho está jogando no Londrina. Minha mulher foi assistir a um jogo deles contra o Flamengo e me falou que o time estava muito fraquinho. Aí eu pensei: ‘Pô, porque não podemos reforçar o time e aproveitar para manter a forma?’ Até falei com meu irmão sobre isso. Mas depende da prazos, da temporada, não sei se poderia. Mas, independentemente do que aconteça, eu vou treinar em um time do NBB, para chegar bem preparado para o Mundial.

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