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Franca encerra temporada 'festiva' de 50 anos com jejum de títulos

Daniel Neves

Em São Paulo

18/05/2010 07h01

HELINHO: FUTURO SUCESSOR DO PAI

  • Divulgação/LNB

    Hélio Rubens Garcia completou 24 temporadas à frente do Franca. O treinador comandou o time paulista ininterruptamente entre 1981 e 2000. De volta desde 2005, o técnico que completará 70 anos em setembro ainda se vê longe da aposentadoria, mas prepara um sucessor: o filho Helinho.

    “Quando era jogador e capitão do Franca e da seleção, um técnico amigo meu me falou ‘Hélio, você tem liderança e espírito de equipe. Tem que começar a observar o jogo com um olhar de treinador. E o Helinho tem esse perfil”, disse o treinador. “Ele é um líder, tem um ótimo relacionamento com os companheiros e uma ótima leitura de jogo. Futuramente deverá ser o meu sucessor”.

    Apesar de pensar em preparar um sucessor para o comando do Franca, Hélio Rubens afirma que pretende continuar à beira da quadra durante muitos anos. “Me sinto no melhor da minha condição física e psíquica, no auge de minha condição de trabalho. Sinto como se tivesse uns 50 anos”.

‘Capital nacional do basquete’, a cidade de Franca comemorou nesta temporada 50 anos de profissionalismo na modalidade – contados à partir da inscrição na Federação Paulista. As comemorações, porém, ficaram incompletas sem a participação da equipe local nas finais das competições estadual e nacional, ampliando o ‘jejum’ de títulos para dois anos.

O último título conquistado pelo Franca foi o Campeonato Paulista de 2008, quando superou o São Bernardo na decisão. No ano seguinte, porém, perdeu na final para o Limeira e amargou a eliminação nas quartas de final do Novo Basquete Brasil (NBB). Na atual temporada, caiu nas semifinais do Estadual para o Paulistano e perdeu na mesma fase para o Flamengo na competição nacional.

“O Franca sempre entra nas competições com o objetivo de conquistar o título. Claro que ficamos um pouco frustrados por ficarmos fora das finais, mas o mais importante é manter a competitividade”, disse o técnico Hélio Rubens Garcia. “Ganhamos o direito de representar o Brasil nas competições internacionais com metade do orçamento de quatro ou cinco equipes, o que me deixa muito orgulhoso”.

Considerado uma das principais armas do Franca na disputa dos jogos decisivos, o ginásio Pedro Murila Fuentes – o Pedrocão – não foi suficiente para fazer a diferença à favor dos donos da casa. As duas eliminações desta temporada ocorreram em derrotas sofridas dentro de casa.

A temporada do Franca foi atrapalhada pelas lesões de alguns jogadores importantes para o técnico Hélio Rubens. A ausência mais sentida foi a do jovem Vítor Benite, de 20 anos, que sofreu uma contusão no joelho esquerdo durante a fase classificatória e desfalcou a equipe na reta final do NBB. O armador terminou o torneio com média de 10,69 pontos por jogo.

“Convivemos com algumas contusões, como a do David e do Vítor Benite, e tivemos que lançar alguns garotos novos. O jogador jovem precisa de mais tempo para se afirmar, mas temos orgulho de manter a tradição francana de revelar talentos”, comentou Hélio Rubens.

50 ANOS DE FRANCA

  • 10

    títulos brasileiros

     

  • 11

    paulistas

     

  • 6

    sul-americanos

     

  • 4

    pan-americanos

     

  • 2

    vices em Mundiais

     

O espaço dado aos jogadores jovens é apontado pelo treinador como uma das grandes realizações da equipe na atual temporada. O Franca foi o participante do NBB com o maior número de atletas juvenis, com quatro jogadores vindos das categorias de base.

“Nenhuma equipe do NBB tem isso. Alguns times optaram por inscrever 10 ou 12 atletas profissionais, com idade mais elevada. Mas aqui damos prioridade para a base. É só ver a quantidade de jogadores e técnicos que disputaram a competição que começaram em Franca”, disse Hélio Rubens.

A presença de atletas mais novos serve de contraponto para alguns veteranos do elenco francano. Apesar da idade elevada, o ala Rogério Klafke, de 39 anos, e o armador Helinho, de 35, são considerados fundamentais dentro do esquema de Hélio Rubens.

“Não levo em consideração essa questão da idade, até porque nosso time possui um dos melhores condicionamentos físicos da liga. A renovação não pode acontecer do mais velho para o mais novo, mas sim do pior para o melhor. O ideal é um jogador experiente com ótima condição física”, disse o treinador.