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Divulgação/LNB

Baby viveu uma temporada conturbada no Paulistano e pode voltar para a Europa

28/05/2010 - 07h02

Fora da seleção, Baby critica Paulistano e busca 'paz de espírito' após ano ruim

Daniel Neves
Em São Paulo

BABY: CARREIRA DE ALTOS E BAIXOS

  • BYU

    Baby teve uma trajetória vitoriosa no universitário

  • Reuters

    8ª escolha do draft, brasileiro não se firmou na NBA

  • Divulgação/Local

    Pivô voltou ao Brasil em 2008 e foi campeão no Fla

O pivô Rafael ‘Baby’ Araújo foi uma das principais ausências da primeira convocação de Ruben Magnano como técnico da seleção brasileira. Fora da equipe nacional e sem clube, o jogador quer esquecer a turbulenta campanha que viveu pelo Paulistano e buscar ‘paz de espírito’ na próxima temporada.

Baby viveu um ano complicado pelo Paulistano. Vice-campeão paulista, sofreu com lesões e ficou de fora dos playoffs do Novo Basquete Brasil (NBB) após contrair dengue. O pivô ainda foi afastado por indisciplina por beber cerveja no ônibus da equipe, ao lado de André Bambu, após a vitória contra o Assis.

“Me ofereceram uma latinha e eu aceitei, qual o problema? Sou responsável e sei o que posso ou não fazer. Quem conhece o Baby sabe que sempre ralei, que sou o primeiro a chegar. Faltou me respeitar, saber o que eu já fiz, o que conquistei”, disse o pivô.

A polêmica não é a primeira vivida pelo pivô em uma carreira repleta de altos e baixos. Com apenas 22 anos, foi pego por uso de esteróides em exame antidoping no Mundial de 2002 e ficou dois anos afastado de competições internacionais. Fora da seleção, construiu uma trajetória vitoriosa nos torneios universitários dos Estados Unidos, onde foi eleito o melhor jogador da Conferência Mountain West e membro do segundo time ideal da NCAA em 2003.

O bom desempenho fez com que Baby fosse a oitava escolha do draft de 2004 da NBA. Jogadores importantes da liga norte-americana, como Jameer Nelson, Andre Iguodala e JR Smith, além de Anderson Varejão, ficaram atrás do pivô naquele ano.

O sucesso do universitário, porém, não se repetiu na liga profissional. Com pouco tempo de quadra, Baby não se firmou nos Raptors e acabou trocado com o Utah Jazz em 2006. O contrato do pivô se encerrou ao final daquela temporada e o vínculo não foi renovado.

Após passagem pelo basquete russo, Baby retornou para o Brasil e voltou a viver um bom momento na carreira pelo Flamengo em 2008, onde foi campeão do NBB e da Liga Sul-Americana. No ano seguinte, se transferiu para o Paulistano e não repetiu o mesmo sucesso do clube carioca.

Baby conversou com UOL Esporte e contou sobre seus planos para a próxima temporada. O pivô não descartou voltar a atuar no basquete europeu, mas afirmou que jogar no Brasil lhe trouxe novamente a ‘alegria de jogar’.

UOL Esporte: Você ficou de fora da primeira convocação de Ruben Magnano para a seleção brasileira. Esperava ser chamado pelo menos para o Sul-Americano?
Baby: Desde o começo sabia que não seria chamado. Mas isso foi até bom para mim no momento, pois é difícil um jogador ter férias e estou podendo passar mais tempo com minha filha. A seleção está com um projeto a longo prazo e na minha posição tem muitos jogadores em alto nível.

Não ficou decepcionado por ficar fora da lista, ainda mais por ser um dos poucos que aceitou a convocação para o Pré-Olímpico Mundial em 2008?
Meu reconhecimento é maior no exterior do que aqui. Quem esteve lá [no Pré-Olímpico] viu que foi muito complicado e que dei a cara a tapa. Mas não vou julgar técnico ou diretor. Estou de coração aberto se a seleção precisar de mim e torço por todo mundo que estiver lá.

No ano passado você foi eleito o melhor pivô do NBB. Já neste ano teve uma queda de rendimento. O que aconteceu?
Tive pequenas lesões nesse meio de temporada e ainda peguei dengue na hora dos playoffs. Fui ao médico e descobri que era a segunda vez que estava com a doença. Fiquei debilitado e acabei fora dos jogos decisivos. Minha ausência deu uma quebrada no esquema do João Marcelo [Leite, técnico do Paulistano] e o time acabou eliminado.

Durante a temporada, você acabou afastado pela comissão técnica do Paulistano após beber cerveja no ônibus da equipe. O que ocorreu naquele episódio?
Teríamos folga no dia seguinte e não fui nem eu quem comprou a cerveja. Me ofereceram uma latinha e eu aceitei, qual o problema? Sou responsável e sei o que posso ou não fazer. Quem conhece o Baby sabe que sempre ralei, que sou o primeiro a chegar. Faltou me respeitar, saber o que eu já fiz, o que conquistei.

Você se sentiu desrespeitado pelo Paulistano?
A filosofia do clube é muito boa para categorias de base, mas não sabem tratar com profissionais. Faltou saber lidar com o grupo, conversar com jogadores experientes. Eles [diretoria e comissão técnica] nos tratavam como juvenis. Quiseram me mandar embora, renegociar o meu contrato em dois dias. Falaram um monte de coisas na imprensa.

Depois de uma temporada vitoriosa com o Flamengo, você viveu um ano complicado no Paulistano. Você se arrepende de ter trocado de clube?
No Flamengo eu vivi um reconhecimento fantástico. Foi uma experiência que vou guardar para sempre com carinho. No Paulistano faltou um pouco de adaptação. Saí de um time experiente e cheguei para jogar com uma equipe formada por garotos.

Você pretende continuar no basquete brasileiro na próxima temporada?
Vou esperar acabar o NBB para ver o que vai acontecer. Recebi propostas da Europa, mas quero avaliar bem. Minha volta ao Brasil foi muito boa, pois me trouxe novamente a alegria de jogar basquete. Estava com saudade de morar aqui no país e pude passar mais tempo com minha família. Chega um momento na carreira que o que a gente quer é ser feliz e ter paz de espírito.

Depois de uma passagem vitoriosa no universitário, você acabou não se firmando na NBA. Ainda pensa em tentar a sorte novamente por lá?
Fiz a minha parte quando joguei na NBA, mas não tive muita oportunidade. O basquete lá é um negócio. Chega uma hora que a gente acaba cansando. No momento, não penso em voltar para lá. Quero ficar por aqui ou ir para a Europa.

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