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Murilo Garavello/UOL Esporte

Magnano conversa com os jogadores em treino em NY: pedido de concentração

11/08/2010 - 14h45

Brasil engole jogo ao ar livre por patrocinador, e amistoso com a China salva viagem

Murilo Garavello
Em Nova York*

De um lado, interesses específicos do patrocinador, que despeja dinheiro e, quando promove um grande evento, quer contar com a presença, ainda que breve, de suas estrelas. De outro, o esforço do técnico argentino Rubén Magnano para manter a concentração dos jogadores voltada à mais importante competição do ano. Em Nova York, primeira etapa internacional da preparação para o Mundial, a seleção brasileira masculina de basquete vem tentando conciliar as duas agendas.

PÍLULAS DE UM EVENTO PARA
AMANTES DO BASQUETE

  • A Nike promove nesta semana, nos EUA, um festival de culto ao basquete. Em exposição no Harlem, bairro nova-iorquino de onde saíram os "Globetrotters", alguns itens interessantes:

  • Murilo Garavello/UOL Esporte

    BOLA DOS ANOS 30 Tinha um cordão de couro amarrando as duas metades da esfera. Claro que a bola tinha quique irregular e, por isso, o modelo foi substituído por volta da metade da década.

  • Murilo Garavello/UOL Esporte

    TÊNIS DE CANO BAIXO DE KOBE No basquete, os tênis tradicionalmente têm cano alto, para diminuir a possibilidade de entorses nos tornozelos. Kobe Bryant, inspirado no futebol, resolveu revolucionar. Comprou briga com a Nike, que temia um processo caso ele se contundisse. Mas impôs sua vontade. E foi campeão da NBA pela quinta vez com esse modelo.

  • Murilo Garavello/UOL Esporte

    BOLA PRA MELHORAR O ARREMESSO As tiras amarelas pintadas servem para que o iniciante aprenda a fazer a bola girar da maneira correta no momento do arremesso. Elas têm de deixar a ponta dos dedos do jogador e partir rumo à cesta girando, com as tiras amarelas em paralelo.

  • O PRIMEIRO NIKE AIR JORDAN O primeiro tênis personalizado para um astro do basquete, em uma relação que mudaria o patamar da empresa americana, e mesmo a maneira de relacionamento entre esportistas de sucesso e marcas esportivas.

  • E uma série de vídeos, com os “signature moves”, ou seja, movimentos, jogadas características de cada jogador. Vale a pena assistir:

A Nike, parceira comercial da seleção desde o início deste ano, está promovendo em Nova York um festival de culto ao basquete e ao movimento cultural em torno dele. A festa, que vai de 12 a 15 de agosto, é composta por uma série de atividades para imprensa e público, inclusive um quadrangular entre as seleções de EUA, China, França e Porto Rico – todas patrocinadas pela empresa.

De acordo com Mário Andrada, diretor da Nike, o evento já estava formatado quando foi firmado o contrato de patrocínio com a Confederação Brasileira de Basquete – que dura até depois das Olimpíadas de 2016. Mesmo assim, o Brasil foi convidado – não houve nenhum tipo de imposição, segundo Andrada – a comparecer, e a participar de uma maneira que não arrancou sorrisos de Rubén Magnano: um jogo de exibição contra Porto Rico a céu aberto, às 13h, no verão nova-iorquino.

Do ponto de vista da empresa, a exibição de duas seleções que vão ao Mundial – Brasil e Porto Rico – no Rucker Park, tradicional ponto do basquete de rua nova-iorquino, é pertinente. Por outro lado, locomover uma seleção recheada de jogadores com contratos milionários (e muito a perder em caso de lesão) para um jogo ao ar livre a 15 dias do início do Mundial “só faz sentido porque teremos o jogo contra a China”, resume o argentino Rubén Magnano, técnico da seleção, referindo-se ao amistoso agendado para quinta-feira na Universidade de Columbia.

O Brasil chegou na terça-feira de manhã aos EUA. À noite, treinou pela primeira vez. Nesta quarta, entra em quadra em dois períodos. Na quinta-feira, há o amistoso contra a China, o único duelo entre duas seleções escaladas para o evento que não faz parte da programação oficial – de acordo com a Nike, a pedido dos técnicos dos dois países. Na sexta, o adversário será Porto Rico, no jogo ao ar livre – “jogo, não, uma exibição, um evento de ‘sponsorización’”, corrige Magnano, misturando inglês e espanhol para definir o ato programado pelo patrocinador.

Vanderlei Mazzuchini, diretor da seleção masculina, não esconde uma ponta de dúvida sobre o evento. “Não sabemos direito como vai ser. Hoje (ontem), por exemplo, estava garoando lá”, disse o ex-jogador, que participou da seleção por oito anos. “Eles já estavam instalando um piso de madeira. Isso é o mínimo. Mas é claro que ninguém vai jogar de verdade ao ar livre a dez dias do Mundial”, resume.

Nem a Nike espera que o jogo seja “para valer”. “São negociações que ocorrem. Os técnicos podem realizar um jogo de menor duração, podem mexer bastante na escalação”, diz Andrada, que ressalta ainda a importância da programação incluir a seleção sub-19. Após o jogo das seleções principais, jovens de Brasil e Porto Rico repetirão o duelo no Rucker Park. “O principal interesse da CBB ao fechar a parceria com a Nike é a inserção que a empresa tem no basquete americano, que pode ser muito interessante para as categorias de base brasileiras”, explica. “Para o time que vai ao Mundial, OK, esse evento, que dura uma hora, não é ideal. Para os meninos da sub-19, será sensacional jogar nesta atmosfera, pegar o clima que a principal vai ter deixado”.

Para Magnano, os treinos no “berço do basquete”, em uma quadra com excelente infra-estrutura, e o amistoso contra a China, seleção que vai ao Mundial, compensam a necessidade de comparecer ao evento. “Temos de cumprir com compromissos. Isso é claro. São assim que as coisas funcionam”, analisa o técnico. “Como há esse jogo com os chineses, que será muito útil para nós, não há problema”.

O argentino, que assumiu a seleção neste ano, busca controlar cada detalhe da preparação brasileira. Por isso, fecha os treinos –considerados mais intensos do que os de seus antecessores– à imprensa. Os jogadores contam que ele enfatiza as minúcias de cada movimentação. Em entrevistas, prega a entrega total à seleção e a importância da concentração. Antes do início do treino de sexta-feira, por exemplo, fez um discurso de três minutos no centro da quadra pedindo foco: “o Mundial está chegando, começamos uma nova etapa, de treinos no exterior, precisamos da atenção máxima de cada um”, disse, de acordo com Vanderlei Mazzuchini.

Neste contexto de busca pela preservação e reclusão do time, parece providencial que os jogadores mantenham-se focados nos treinos e participem apenas de mais um evento oficial. Nesta noite, haverá uma espécie de festa de “boa sorte”, em que simbolicamente o time receberá das mãos de dirigentes da Nike a camisa que utilizarão no Mundial e, depois, assistirão a eventos culturais brasileiros.

Outras seleções convidadas terão agenda mais cheia. A americana, claro, é a mais requisitada, de acordo com a programação oficial. Está prevista para quinta-feira uma interação com a comunidade de duas horas durante a manhã, com a presença do técnico Mike Kryrzewski e dois jogadores, o ala Kevin Durant, cestinha da última temporada da NBA e maior destaque da seleção, e o armador Rajon Rondo, do Boston Celtics.

Na sexta-feira, no fim da tarde, Stephen Curry, do Golden State Warriors, participará da inauguração de uma loja de artigos esportivos na Time Square. Na noite de sexta, seu companheiro de seleção americana Russell Westbrook estará em outra loja, no Harlem.

No sábado, o time faz um jogo-treino com a China. Mais tarde, Andre Iguodala e Kevin Durant farão aparições em eventos marcados para diferentes horas do dia no Rucker Park. Durant ainda está escalado para sorrir e conversar em um encontro no Harlem por volta das 20h (horário de Brasília).

Se os brasileiros Nenê, Varejão, Leandrinho e Tiago Splitter, que atuam na NBA, foram poupados, jogadores da liga americana de outros dois países que estão no evento e irão ao Mundial foram escalados para aparições especiais. Na China, o ala-pivô Yi Jianlian, do New Jersey Nets, também participará de evento com a comunidade, junto com o armador Carlos Arroyo, de Porto Rico. Além desse evento e da exibição contra o Brasil ao ar livre, Arroyo participará também, por duas horas, de uma clínica para jogadores com idade entre 12 e 18 anos no sábado.

* O jornalista Murilo Garavello viajou a convite da Nike.

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