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Murilo Garavello/UOL Esporte

Rubén Magnano comanda treino da seleção brasileira em Nova York

11/08/2010 - 07h00

Nenê festeja ambiente na seleção e afirma: "é o melhor grupo que eu já vi"

Murilo Garavello
Em Nova York*

Após quase duas horas de treino em Nova York, Nenê Hilário desamarra os tênis enquanto ouve uma pergunta sobre o significado do Mundial para jogadores talentosos que não conseguiram ainda resultados à altura de seu prestígio e da história do basquete brasileiro. A resposta, olhos fixos no entrevistador, é contundente: “não precisa falar nada. Você sente a atmosfera. Está todo mundo querendo muito”, diz Nenê.


Desta vez, está todo mundo aqui, e todo mundo muito bem.Ninguém está querendo fazer mais ponto do que o outro para aparecer. É o melhor grupo que eu já vi em todos esses anos

"Desta vez, está todo mundo aqui, e todo mundo muito bem. Todos têm bons contratos. Ninguém está querendo fazer mais ponto do que o outro para aparecer”, diz o pivô titular do Denver Nuggets. “É o melhor grupo que eu já vi em todos esses anos”.

Desde que Nenê, Leandrinho e Varejão entraram na NBA, nunca a seleção contou com todos eles, ao mesmo tempo, para uma competição importante. Junte aos três Tiago Splitter, que disputará a próxima temporada da NBA pelo San Antonio Spurs após ter sido eleito o melhor jogador do Campeonato Espanhol. Some, também, o armador Marcelo Huertas, companheiro de time e campeão espanhol com Splitter, e o ala Marquinhos, que não vinha jogando pela seleção após abandoná-la em 2007 e agora parece readaptado ao grupo. A declaração de Nenê não parece assim tão exagerada.

O pivô, que se diz recuperado de uma pequena contusão no tendão de Aquiles, diz mais: nunca, como agora, viu os jogadores tão unidos em torno de um esquema tático. “O sistema de jogo também privilegia o coletivo”, diz o pivô. “Está tudo se encaixando. A gente sabe que um jogador pode até fazer 40 pontos em um jogo, mas a bola vai acabar chegando pra gente”.

As declarações remetem a um passado em que o jogador sentia-se subaproveitado na seleção. Em 2003, no Pré-Olímpico de Porto Rico, o pivô, que à época havia encerrado sua primeira temporada na NBA, ficou irritado com a ênfase no jogo de perímetro –leia-se “arremessos de três pontos”.

Em agosto de 2005, quando continuava negando-se a defender a seleção por discordar da “bagunça e falta de profissionalismo” que enxergava no time, seu então agente Joe Santos disse, textualmente: “O Nenê não pode falar, mas eu posso: quantas jogadas fizeram para o Nenê? Quantas bolas chegaram nele? Usaram-no direito? Eu acho que não”.

De 2005 para cá, o Brasil teve em 2006 sua pior participação na história dos Mundiais de basquete, com um 19º lugar, sem Nenê. Em 2007, com ele, não conseguiu vaga nas Olimpíadas no Pré-Olímpico das Américas. Nas duas competições, o técnico era Lula Ferreira. Seu sucessor, Moncho Monsalve, falhou em levar o Brasil à Olimpíada no Pré-Olímpico Mundial, mas conseguiu a vaga no Mundial da Turquia, que começa em 28 de agosto, levando a equipe ao título na Copa América. E, talvez mais importante, implementando uma filosofia de cadenciar o jogo e envolver todos os jogadores no ataque, diminuindo a dependência da efetividade dos arremessadores.

Para Tiago Splitter, presença constante na seleção nos últimos anos, o argentino Rubén Magnano manteve parte das ideias de Moncho. “Os dois técnicos preferem o jogo mais cadenciado. A diferença é que com o Magnano os treinos são mais intensos, mais duros. O estilo de jogo, na defesa, é mais agressivo”.

*O jornalista Murilo Garavello viajou a convite da Nike.

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