UOL Esporte Basquete
 
12/08/2010 - 21h57

Defesa forte compensa ataque abaixo das "metas solidárias" de Magnano

Murilo Garavello
Em Nova York*

Na véspera do amistoso contra a China, o argentino Rubén Magnano revelou em entrevista ao UOL dois números que considera ideais para o ataque da seleção: cinco jogadores com dois dígitos de pontuação e um total de assistências igual ou superior a 25. Na vitória contra os chineses, em que pesem as importantes ausências de Nenê e Tiago Splitter, o Brasil não atingiu nenhuma das duas metas: somou 19 assistências e viu só três jogadores anotarem dez pontos ou mais: Leandrinho (25), Anderson Varejão (13) e Marcelinho (10).

O número de assistências ficou abaixo talvez pelo número significativo de erros cometidos pela equipe: 13. Para Leandrinho, que não cometeu nenhum, nada anormal. “Estamos aqui nesses amistosos para fazer bastante erro, para acertar tudo antes do Mundial. Precisamos aproveitar esses jogos para chegar afiados lá”, disse o jogador do Toronto Raptors.

Os números mágicos de Magnano são resultado de uma filosofia de ataque: a solidariedade. Um número grande de assistências indica que há boa movimentação de bola, assim como a pontuação distribuída é resultado de uma participação maior dos jogadores. “Não quero jogador meu fazendo 40 pontos. Pode até acontecer. Mas não é esse o tipo de ataque adequado”.

Se o ataque ainda não chegou à produção esperada, a defesa, ponto em que o treinador gasta maior tempo corrigindo posicionamento e pregando a importância da atenção, já mostrou resultados. A forte marcação sufocou o rival em diversos trechos da partida. Os chineses cometeram 16 erros e, no segundo tempo, acertaram só três dos 15 arremessos tentados (aproveitamento baixíssimo de 20%).

“Cometemos hoje muitos erros hoje por tentar roubar a bola de qualquer jeito”, disse Leandrinho. “Quisemos abrir 20 pontos em uma jogada só”. Anderson Varejão concorda. “Hoje fizemos faltas bobas por ansiedade de roubar as bolas”, afirmou o pivô, que enxerga um time em evolução, tanto no ataque como na defesa.

“No ataque, todo mundo já sabe para onde ir, os bloqueios estão começando a entrar no tempo certo. Na defesa, estamos agora ajustando as ajudas e as trocas de marcação. Está melhorando”, analisa.

De acordo com o pivô reserva Murilo, que anotou oito pontos e pegou três rebotes em apenas 14 minutos em quadra, o argentino gostou do desempenho brasileiro no jogo. “Ele elogiou bastante a gente. Disse que todo mundo terminou o jogo com estatística positiva, que demos muitas assistências”, afirmou. “Ele gostou também que todo mundo se empenhou bastante. Falou que estamos no caminho certo”.

*O jornalista Murilo Garavello viajou a convite da Nike

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