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Marc Lecureuil/Getty Images for Nike/AFP

Mike Krzyzewski, o "coach K", técnico da seleção dos EUA

12/08/2010 - 14h24

Inexperiência torna EUA uma incógnita, dizem técnico e cartola do time

Murilo Garavello
Em Nova York *

O técnico dos EUA, Mike Krzyzewski mencionou três vezes em cerca de 15 minutos de duas entrevistas diferentes que contará com cinco jogadores de 21 anos no Mundial e outros 2 de 22. O discurso dele estava afinado ao de Jerry Colangelo, coordenador responsável pela formação da equipe: não é possível tecer previsões sobre o desempenho do time no Mundial.

BARBOSA VAI? NENÊ E VAREJÃO TAMBÉM?

  • Marc Lecureuil/Getty Images for Nike/AFP

    “Barbosa vai?”, pergunta aos jornalistas brasileiros um sonolento Kevin Durant, cestinha da última temporada da NBA e principal estrela do jovem time americano que vai ao Mundial. Ao ouvir que, sim, Leandrinho estará na Turquia, além de Nenê e Varejão, brevemente o desinteresse é substituído em seu semblante por alguma surpresa. “Varejão e Nenê também? Vai ser difícil vencê-los”.

    Menos de meia hora depois, o armador Rajon Rondo, destaque do vice-campeão Boston Celtics diz saber que Varejão estará na competição. “Barbosa também? Ele joga na minha posição, vou marcá-lo”, diz, sem saber que, na seleção brasileira, Leandrinho atua na posição 2, chamada de ala-armador ou, na NBA, de “shooting guard”. Rondo é  nº 1, armador ou, em inglês, “point guard”.

“Não dá para saber como nossos jogadores vão reagir”, diz Colangelo. “Vamos mostrar videotapes a eles dos jogos, vamos orientá-los, mas não dá para antecipar como será. Eles terão de jogar, enfrentar as dificuldades, vivenciar os desafios. Não sabemos qual o nosso nível. Vai ser muito interessante descobrir isso”.

Como a inexperiência internacional pode afetar o desempenho do time? Krzyzewski, também conhecido como “coach K”, apela a uma comparação exagerada para se fazer entender. “Você escreve com a mão direita, certo? É a mesma coisa que eu pedir para você escrever com a esquerda por um tempo”. Para ele, o tempo de jogo reduzido em cada quarto de 12 (NBA) para 10 minutos (Fiba) altera totalmente os parâmetros da partida. “O jeito que o jogo flui é diferente. Você tira dois minutos de jogo, inevitavelmente muda a dinâmica. É instintivo para os outros jogadores, para os nossos não”, afirma.

Para dois dos principais jogadores do time, porém, a inexperiência não será um grande problema. “Não estamos preocupados com experiência. Basta jogarmos duro”, diz Rajon Rondo. Já Kevin Durant vai além: “para mim, dá-se mais ênfase à experiência do que se deveria. Vamos jogar nosso jogo, colocar bastante energia e ver o que acontece”.

O time americano ainda não disputou nenhum amistoso – estão programados jogos antes do início do Mundial, contra França, Lituânia, Espanha e Grécia. “Essas partidas vão ser muito importantes para nossos jogadores. Vão servir de experiência e, também, de termômetro para sabermos onde estamos”.

*O jornalista Murilo Garavello viajou a convite da Nike

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