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AP//Mary Altaffer

Anderson Varejão tenta enterrada em jogo-exibição em parque em Nova York

13/08/2010 - 16h40

Brasil e Porto Rico fazem "jogo-marmelada" na "Meca do basquete de rua" e são vaiados

Murilo Garavello
Em Nova York *

“Cadê a defesa?”, berra um narrador. “Joguem duro”, implora o outro. “Vocês estão no Harlem. As pessoas conhecem basquete”. “Booooo”... Brasil e Porto Rico combinaram apenas uma exibição, não um amistoso sério, nesta sexta-feira. Não se sabia o tamanho da dose: dez jogadores arrastando-se em quadra, sorrindo um para o outro, com máxima displicência.

MAGNANO CORTA HÁTILA E DEFINE GRUPO

  • Divulgação

    A CBB informou nesta sexta-feira, via Twitter, que o pivô Hátila Passos foi cortado do grupo do Brasil que vai para o Mundial da Turquia, no fim do mês. Ele nem mesmo viaja para a Europa com o time, que tem pela frente torneios amistosos na Espanha e na França. Com isso, o armador Raulzinho, de 17 anos, vai ao seu primeiro Mundial.

  • A seleção embarca para a Espanha ainda nesta sexta, às 23h10 de Brasília (22h10 horário local). O grupo chega a Madri no sábado, de onde viaja para a cidade de Longroño para disputar o Torneio Internacional contra Argentina e Espanha.

  • Na França, a partir do dia 22, os rivais serão França, Austrália e Ilhas Virgens. O Mundial da Turquia começa no dia 28.

Na terça-feira, o técnico da seleção, Rubén Magnano havia adiantado que a partida não teria utilidade prática. “É um ato para o patrocinador”, disse. E foi. A marca de artigos esportivos que patrocina as duas seleções montou uma quadra a céu aberto com piso de madeira no Rucker Park, tradicional epicentro da cultura do basquete de rua do Harlem.

O horário marcado para o jogo, 14h de verão norte-americano, e o sol que surgiu nesta sexta-feira não incentivavam ninguém a se esforçar - assim como o temor de uma contusão a duas semanas do início do Mundial da Turquia. Até mesmo o tempo de jogo sofreu alteração: os 4 quartos de 10 minutos cada foram reduzidos para dois períodos de 15. Que transcorreram sem nenhuma interrupção. Sem faltas ou lances livres. Sem paradas para tempo técnico.

Acontece que havia público. E dois narradores irreverentes, chamados para “botar fogo” na plateia. A cada sinal de displicência e desinteresse, lá vinham expressões como: “se vocês são os melhores, precisam mostrar porque”; “Leandro, você joga na NBA, mostre-me alguma coisa”; “Varejão, quero uma enterrada”; “me deem um uniforme, até eu jogo melhor do que isso”. A cada bandeja errada, vaias.

Os dois primeiros lances deram uma ideia clara do que seria a partida. No ataque brasileiro, Varejão recebeu a bola no garrafão e fez uma bandeja sob olhares impassivos dos porto-riquenhos. Em seguida, Carlos Arroyo, armador do Miami Heat, tentou um passe por trás das costas que passou longe do pivô a que se destinava.

“Estava muito calor. O Rubén pediu pra gente não se machucar”, confirmou Leandrinho. “Logo nos primeiros lances, os jogadores de Porto Rico falaram: ‘easy, easy’”.

A maior atração do jogo acabou sendo, mesmo, os narradores. Um deles soltou, após uma bandeja errada por falta de empenho, um “pior, pior”. Após uma bela jogada de Huertas, ouviu-se: “é isso o que o público veio ver, vocês conseguem”.

Atendendo aos apelos, no segundo tempo Porto Rico jogou com mais vontade. Arroyo animou o público com belas pontes aéreas para os pivôs. O Brasil, impassível, continuou passeando em quadra. Ah, faltou o que menos importava, o placar final: 77 a 55 para Porto Rico.

*O jornalista Murilo Garavello viajou a convite da Nike

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