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Excluídos da seleção, técnicos brasileiros usam NBB para provar capacidade

Tico Utiyama/Divulgação
Técnicos brasileiros perderam espaço na seleção para treinadores estrangeiros Imagem: Tico Utiyama/Divulgação

Daniel Neves

Em São Paulo

28/10/2010 07h02

O Novo Basquete Brasil (NBB) começa nesta sexta-feira com os técnicos do país em um momento de baixa. Com estrangeiros no comando da seleção masculina desde 2008, os treinadores brasileiros têm no campeonato nacional a oportunidade de provar seu valor após serem considerados de defasados para dirigir o time nacional.

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    Hélio Rubens e Lula Ferreira foram os últimos técnicos brasileiros a comandar a seleção nacional

  • Divulgação

    Demétrius estreia como treinador em um nacional com o sonho de comandar a seleção no futuro

A seleção brasileira masculina é comandada por técnicos estrangeiros desde 2008. Após campanha desastrosa no Pré-Olímpico das Américas, em 2007, a CBB contratou o espanhol Moncho Monsalve, que dirigiu o time até 2009. No início deste ano, o argentino Rubén Magnano, campeão olímpico por seu país em 2004, assumiu o posto.

O NBB contará com alguns dos treinadores mais importantes do basquete brasileiro nas últimas décadas. Os técnicos admitem que a competição nacional, cada vez mais equilibrada, serve como vitrine de seu trabalho. Porém, evitam admitir que a categoria ande desprestigiada.

“Quando a gente trabalha com empenho, com convicção, trabalha para provar a si mesmo, e não para os outros”, disse o técnico do Joinville, Alberto Bial. “A questão do técnico estrangeiro é transitória. Temos que estar resignados e apoiar quem está comandando os caminhos do basquete brasileiro. O Brasil resolveu trazer estrangeiros porque se viu sem capacidade para gerir suas equipes. Não sou contra isso, mas não será para sempre”.

O último técnico do país a comandar a seleção foi Lula Ferreira, que dirigiu o Brasil no Pré-Olímpico das Américas em 2007. Campeão do NBB com o Brasília no ano passado, o treinador se aposentou recentemente da função para assumir o cargo de gerente da Liga Nacional de Basquete.

O antecessor de Lula na seleção, porém, ainda está na ativa. Técnico do Franca, Hélio Rubens Garcia chega para o NBB com a experiência de quem já conquistou por nove vezes o título nacional. Aos 70 anos, ele rebate as críticas feitas aos treinadores do país e lembra a participação destes profissionais na formação dos atletas que hoje compõem o time verde-amarelo.

“Estes jogadores que hoje defendem a seleção e jogam no exterior foram formados por técnicos brasileiros. Há muita qualidade entre os treinadores do país. Nada é por acaso, tudo depende do trabalho. O que falta é mais intercâmbio, clínicas”, opinou Hélio Rubens, que mais uma vez comandará Franca.

A terceira edição do NBB trará algumas caras novas nos bancos de reservas. Os ex-jogadores Demétrius e Ratto, respectivamente por Limeira e Uberlândia, farão suas estreias como treinadores em uma competição nacional. Outra novidade é o técnico Gustavo de Conti, que deixou seu trabalho com as categorias de base para dirigir o time principal do Paulistano.

A nova geração de treinadores inicia sua trajetória nacional com uma meta ousada. Interessados em adquirir o máximo de conhecimento possível, os jovens técnicos se preparam para assumir o comando da seleção brasileira após a passagem dos estrangeiros.

“Iniciei minha carreira de técnico com o mesmo pensamento de quando era jogador. Vou brigar para ser o melhor e chegar à seleção brasileira”, disse Demétrius. “Os técnicos brasileiros que estão no NBB tem capacidade para um dia dirigir a seleção. Todos precisam manter uma postura de estudar, de conhecimento. Isso faz parte do crescimento do técnico. O NBB pode sim ser um canal para mostrar seu trabalho e seu potencial para a seleção”.