Basquete

Interventor do basquete brasileiro responde por corrupção na Espanha

Divulgação/FEB
Imagem: Divulgação/FEB

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

13/09/2016 14h57

O espanhol José Luis Sáez, interventor nomeado pela Federação Internacional de Basquete (Fiba) como comandante da força-tarefa que visa a reestruturar a Confederação Brasileira da modalidade (CBB), está respondendo na Espanha por práticas de corrupção durante os 12 anos que ocupou o cargo de presidente da Federação Espanhola de Basquete (FEB), entre 2004 e 2016. 

O caso está sendo conduzido pelo Tribunal Administrativo do Esporte da Espanha (TAD, na sigla local) e pode fazer com que Sáez seja inabilitado para ocupar qualquer posição no esporte espanhol por pelo menos um ano. A decisão está prevista para ocorrer até o fim de 2016. Em fevereiro, o órgão já classificou como "falta muito grave" o fato de Sáez ter colocado gastos particulares na conta da Federação Espanhola. O processo poderá ser encaminhado até para o Ministério Fiscal Espanhol. Entre as irregularidades cometidas pelo cartola estão as compras de passagens aéreas, computadores, telefones celulares e pagamento de hospedagem e contas de restaurante para os familiares com o dinheiro da FEB.

Com a nomeação de Sáez como líder da força-tarefa na CBB, o UOL Esporte entrou em contato com o espanhol. O contato foi rápido e o cartola mostrou-se evasivo em diversas perguntas e disse que pouco poderia falar de momento. Também não quis se manifestar sobre a situação enfrentada em seu país.

No pouco que comentou sobre a situação da CBB, Sáez não quis se assumir como um interventor, e sim como um colaborador. O espanhol é membro do Comitê Executivo da Fiba, cargo que ocupa desde 2014. De 2002 até então, foi membro do Conselho Geral do órgão.

"De forma legal, não podemos intervir em uma federação nacional. O que faremos é elaborar projetos conjuntos que possam ser colocados em prática para que o basquete brasileiro volte a estar em um lugar alto, de destaque. Vamos respeitar todas as instituições brasileiras e o governo", afirmou ao UOL Esporte.

Sáez evitou tecer comentários sobre quão grave é a situação econômica da CBB, que tem dívidas estimadas em R$ 17 milhões. Estes problemas financeiros somados às dificuldades para honrar com compromissos assumidos anteriormente com a Fiba - como a realização da etapa do Rio de Janeiro do Circuito Mundial 3x3, por exemplo - fizeram o órgão internacional montar esta força-tarefa.

"Respeito seu trabalho como jornalista, mas eu não posso fazer nenhum tipo de declaração neste momento. Estou me informado de toda a situação e fazendo um planejamento. No próximo mês começaremos o trabalho de fato na confederação. No momento em que se decida algo e haja algo mais concreto poderei falar", disse o cartola.

Sáez já teve de devolver dinheiro para federação

O uso de verba da FEB de maneira indevida e outras denúncias surgidas em 2015 fizeram com que Sáez deixasse o seu posto de presidente da FEB em dezembro, antes do término do mandato, previsto para 2016. Na ocasião, ele alegou problemas de saúde para abrir mão do cargo. Sob seu mandato, a seleção masculina foi campeã mundial, ganhou duas medalhas de prata em Olimpíadas e faturou três títulos europeus.

Em fevereiro concordou em devolver aos cofres da confederação 63 mil euros (R$ 235 mil) usados de maneira irregular para gastos com familiares. Também voltou ao cargo de presidente para convocar nova eleição.

Neste pleito, em julho, o ex-jogador Jorge Garbajosa foi eleito como o novo presidente da Federação Espanhola e com a missão de colocar as contas em ordem.

Em que pesem todos estes problemas, Sáez foi mantido no quadro de oficiais da Fiba.

Por causa deste posto na federação, o cartola esteve no Rio durante os Jogos Olímpicos e foi flagrado por jornais espanhóis ao lado de Garbajosa e de outros membros da FEB durante a final feminina entre Estados Unidos e Espanha. Antes, havia acompanhado diversas partidas da equipe masculina. A Olimpíada marcou a sua primeira aparição pública em meses.

Sáez encontra-se neste momento em Porto Rico, onde está localizada o braço americano da Fiba (Fiba Américas), e viajará ao Brasil em outubro para começar o seu trabalho na CBB.

Procurado pela reportagem, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) informou por meio de sua assessoria de imprensa que não vai se manifestar neste momento sobre a intervenção da Fiba.

A CBB informou por meio de nota que: "agradece à Fiba pela disposição em colaborar diretamente na solução dos problemas do basquetebol brasileiro, aguarda ansiosamente pelo início dos trabalhos, com grande confiança no seu êxito, principalmente pela indicação do Sr. José Luiz Saez Regalado, ex-Presidente da Federação Espanhola e membro da Fiba, para gerenciar o processo".

 

 

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