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Veto de Trump a muçulmanos assusta NBA e ameaça candidatura para Jogos-2024

AP Photo/Kamil Krzaczynski
Luol Deng, ex-Bulls e atual Lakers, nasceu no Sudão, um dos países impactados Imagem: AP Photo/Kamil Krzaczynski

Do UOL, em São Paulo

30/01/2017 04h00

Várias personalidades do esporte americano têm vindo a público condenar o decreto de Donald Trump de restringir a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana nos Estados Unidos. Autoridades olímpicas e do futebol também se mostraram preocupadas com a possibilidade de o decreto prejudicar a candidatura americana às próximas edições dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo.

O objetivo da medida de Trump é diminuir supostas ameaças terroristas ao território americano.

A NBA, principal liga de basquete do mundo, soltou um comunicado se dizendo orgulhosa de seus atletas estrangeiros e querendo saber como a medida afetará o campeonato, que tem dois jogadores de países impactados pelo decreto presidencial.

Luol Deng, dos Lakers, e Thon Maker, do Milwaukee Bucks, nasceram no Sudão (hoje Sudão do Sul), um dos países na lista restritiva de Trump. Deng também é cidadão britânico, enquanto Maker também tem passaporte australiano.

“Entramos em contato com departamento de Estado e estamos buscando informações para entender como esse decreto vai afetar nossos jogadores que são dos países impactados”, disse o porta-voz Mike Bass. “A NBA é uma liga global e nos orgulhamos de atrair os melhores jogadores de todas as partes do mundo.”

A liga tem uma série de jogadores mulçumanos e um deles, Rondae Hollis-Jefferson, do Brooklin Nets, criticou o veto no sábado à noite. “Você não pode julgar um grupo inteiro pela ação de um”, disse ele ao jornal “New York Post”. “Isso não é certo. A maioria dos muçulmanos é pura e acredita em uma forma diferente de vida.”

Seu companheiro de equipe, Jeremy Lin, também se mostrou solidário aos impactados pelo veto de Trump. “Como americano, sinto muito por todos afetados pelo #MuslimBan... Isso está realmente saindo de controle”, escreveu ele no Twitter.

O técnico do Golden State Warriors, Steven Kerr, também condenou o decreto de Trump. “O que está acontecendo agora é de fato assustador e constrangedor.” O ex-jogador Steve Nash, duas vezes eleito o melhor jogador da NBA pelo Phoenix Suns, se mostrou solidário no Twitter: “[Meus] pensamentos estão com todos aqueles diretamente afetados pelo veto a muçulmanos. [Estou] Orgulhoso dos que estão levantando a voz, se preocupando com os inocentes afetados.”

Autoridades temem prejuízo à candidatura a Olimpíada e Copa  

O veto a visitantes de sete países acontece em um momento delicado para a candidatura de Los Angeles como sede da Olimpíada de 2024. A cidade da Califórnia compete com Paris e Budapeste. O resultado da votação será conhecido em setembro.

David Wallechinsky, membro do Comitê Olímpico Internacional, já havia dito que a eleição de Trump em novembro tinha prejudicado a candidatura de Los Angeles porque muitos delegados veem o presidente como “contra muçulmanos, mulheres e latinos.”

“Agora é pior”, disse ele ao jornal “The New York Times” sobre o veto a muçulmanos. “Eu diria que é um golpe contra a candidatura. Não fatal, mas um golpe.”

Os Estados Unidos também esperam ser eleitos para receber a Copa do Mundo de 2026. Em junho, o presidente da federação de futebol local, Sunil Gulati, tinha dito que um futuro governo Trump “complicaria” as chances dos Estados Unidos, principalmente se eles tentassem uma candidatura conjunta com o México, como foi feito em 2002 entre Japão e Coreia do Sul. Trump já avisou que pretende seguir em frente com o plano de construir um muro na fronteira entre os países.

Capitão do futebol retira apoio a Trump

O capitão da seleção americana de futebol, Michael Bradley, que antes da posse de Trump tinha dito que era preciso “dar apoio ao presidente”, agora deu uma entrevista criticando duramente o decreto que restringe a entrada de cidadãos de países muçulmanos.

À revista “Sport Ilustrated” Bradley, o veterano da seleção, se disse “triste” e “constrangido”. “Eu tinha a esperança de que o presidente Trump seria diferente do candidato Trump. Que a xenofobia, a misoginia e a retórica narcisista seriam substituídos por uma abordagem mais humilde e comprometida para liderar nosso país. Estava errado. E o veto aos muçulmanos é apenas o exemplo mais recente de alguém que não poderia estar mais desconectado do nosso país e do jeito certo de avançar.”

A MLS, liga de futebol dos EUA, tem dois jogadores nascidos na América do Norte, mas com família em países afetados. Steve Beitashour, do Toronto, jogou na seleção iraniana, enquanto Justin Meram, do Columbus, jogou pelo Iraque.

No domingo, o tetracampeão olímpico Sir Mo Farah, que tem cidadania britânica e somali, foi ao Facebook postar um longo desabafo contra Trump. Além da Somália, Síria, Iraque, Irã, Sudão, Líbia e Iêmen são os países cujos cidadãos serão impactados.

Depois do anúncio da medida, na sexta-feira, uma onda de protestos tomou conta dos aeroportos dos Estados Unidos. Pelo Twitter, Trump disse que os Estados Unidos precisam de fronteiras mais fortes para evitar "a terrível bagunça" que a questão dos refugiados vem causando à Europa. No domingo, após ser criticado duramente por autoridades internacionais, o governo recuou e disse que estrangeiros com "green card", a permissão para trabalhar e morar legalmente no país, não serão afetados pelo decreto, contrariando a previsão inicial. 

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