Basquete

Calouro engraçado e de pavio curto, Fab Melo teve carreira que não decolou

Do UOL, em São Paulo

12/02/2017 07h00

Mineiro de Juiz de Fora, Fabrício Melo – ou Fab Melo, para quem é do mundo do basquete – foi encontrado morto no próprio quarto, na noite do último sábado (11). Tinha apenas 26 anos: suspeita-se que tenha sido vítima de um infarto fulminante, mas a causa da morte ainda é desconhecida. Restam as lembranças de um garoto extrovertido, querido pelos colegas na NBA, e também indisciplinado. Uma promessa que não decolou nem nos EUA e nem no Brasil, mas que colecionou passagens curiosas na curta carreira.

Fab Melo, pivô de 2,13 metros, deu os primeiros passos no esporte aos 14 anos, em projeto social de sua cidade natal, mas não demorou para desembarcar nos Estados Unidos: aos 17 se mudou de mala e cuia, sem nem falar inglês, a fim de terminar o ensino médio e, por meio do basquete, ingressar no ensino superior. Foi aprovado na Universidade de Syracuse, de Nova York, onde cursou nutrição – a formação acadêmica, no entanto, era só o pano de fundo. Afinal, ele estava na mesma casa que formou a estrela Carmelo Anthony para o basquete.

Em 2012, defendendo o Orange, o time da Syracuse, foi eleito o melhor jogador defensivo da conferência Big East, credencial que lhe deu fôlego para participar do draft da NBA no mesmo ano: o brasileiro foi a 22ª escolha do evento e assinou contrato com o Boston Celtics.

Calouro comédia

Nota-se o jeito extrovertido de Fab Melo em qualquer bate-papo. O brasileiro era, não por menos, “queridinho” de Carmelo Anthony ainda na época da universidade. O astro norte-americano passou pela Syracuse nos anos de 2002 e 2003, mas nunca deixou de visitar as quadras da instituição nova-iorquina. Fabrício conta que Anthony lhe prometeu, certa vez, comprar uma camisa da equipe com o sobrenome Melo às costas, tudo para voltar a ter um uniforme do Orange dedicado a ele – é que Melo, além de sobrenome do brasileiro, é também o apelido do gringo.

Mais tarde, a chegada à NBA não rendeu a Fab Melo apenas um contrato com o Boston Celtics, mas também o título de “calouro mais engraçado da temporada”. A eleição foi feita pelos próprios novatos, e o resultado foi divulgado pela NBA em agosto daquele ano: ele recebeu 22,9% dos votos. De certo o episódio da cadeira teve influência nisso: o grandalhão desaba no chão ao tentar se sentar e reage com sorriso no rosto (veja no vídeo acima).

A carreira que não decolou

Fab Melo demorou a jogar uma partida oficial pelos Celtics. Depois de assinar contrato, foi cedido ao Maine Red Claws, da Liga de Desenvolvimento da NBA. Retornou em 2013 e atuou pela equipe de Boston por seis partidas, com números modestos: com 36 minutos em quadra, marcou sete pontos, pegou três rebotes, roubou duas bolas e deu dois tocos. Em agosto do mesmo ano foi trocado com o Memphis Grizzlies, mas por lá não fez nenhuma partida oficial. Mesma situação ocorreu no Dallas Mavericks, que o contratou e logo rompeu seu vínculo.

O brasileiro insistiu na carreira nos Estados Unidos e retornou à Liga de Desenvolvimento, em 2014, para defender o Texas Legends, o ciclo do jogador no basquete norte-americano se encerrou devido ao seu pavio curto. O pivô, irritado com a falta de espaço no time, bateu boca com o treinador Eduardo Najera nos poucos minutos que teve para mostrar serviço. Errou dois arremessos, foi substituído, deixou a quadra xingando o comandante e foi dispensado da equipe.

De volta ao basquete nacional, e com breve passagem pelo Caciques de Humacao, de Porto Rico, por onde nem sequer jogou por causa de problemas na documentação, Fab Melo tampouco deixou saudade por onde passou. A carreira do pivô não deslanchou. Defendeu o Paulistano, a Liga Sorocabana e, na última temporada, estava no Brasília, clube com o qual rompeu contrato em dezembro do ano passado, na esteira de seguidas lesões.

“Foi minha decisão o afastamento. Estava na quinta contusão este ano, não consegui dar sequência aos jogos da temporada. Preciso me retirar para tratar a lesão, focar minhas energias no tratamento”, explicou o pivô, por meio da assessoria de imprensa.

Ao Globoesporte.com, a mãe de garoto, Regina Célia da Conceição Paulino, de 55 anos, confessou que Fab Melo estava desiludido com o basquete. Pensava em se aposentar precocemente e abrir um comércio em Juiz de Fora, onde morava com a mãe e mais duas irmãs – ele era o caçula da família.

Sua morte foi lamentada nas redes sociais: a conta oficial da NBA o homenageou, bem como Jim Boeheim, seu treinador na Universidade de Syracusa. Paul Pierce e Jamal Crawford, astros dos Los Angeles Clippers, também se manifestaram. Veja abaixo

"RIP (descanse em paz) Fab Melo. Não posso acreditar nisso", disse Paul Pierce. 

"RIP (descanse em paz) Fab Melo. Caramba, tão jovem...", disse Jamal Crawford. 

"Estou muito sentido por ouvir sobre a morte de Fab Melo. Ele era um rapaz genuíno e comprometido a fazer o melhor enquanto esteve em Syracuse", disse Jim Boeheim. 

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