Basquete

Conheça os novos nomes do basquete nacional que estão na decisão do NBB

Rodrigo Trindade

Do UOL, em São Paulo

01/06/2017 04h00

A decisão do NBB deste ano pode ser significativa para o futuro do basquete nacional. Entre os finalistas Bauru e Paulistano, há cinco jogadores com até 23 anos que têm recebido minutos significativos na etapa decisiva da competição, contribuindo positivamente às suas equipes mesmo com pouca experiência.

Com uma equipe mais rodada, o Bauru tem apenas um representante na lista, o ala Gabriel “Jaú”, de 18 anos e 2,02 m. O Paulistano, por sua vez, é a maior surpresa deste NBB por ter chegado até a final com um elenco jovem, com quatro atletas de pouca idade que têm sido aproveitados nesta fase derradeira da competição.

São eles os armadores George de Paula (21 anos e 1,96 m), Arthur Pecos (23 anos e 1,84 m), Yago (18 anos e 1,75 m) e o ala Lucas Dias (21 anos e 2,07 m). O UOL Esporte falou com técnicos que trabalharam com os atletas e com os próprios jogadores para apresentar ao leitor essas novas figuras do basquete brasileiro - com direito a comparações com estrelas do esporte.

Caio Casagrande/Bauru Basket/Divulgação
Gabriel Jaú, ala do Bauru Imagem: Caio Casagrande/Bauru Basket/Divulgação

Gabriel “Jaú”, ala de 18 anos

Aprovado em um teste para entrar no Sub-15 do Palmeiras, o ala do Bauru impressionava desde quando era adolescente. “Menino fora de série, tinha essa qualidade do arremesso de 3 pontos, trabalhar com as duas mãos, sabia bater bola”, destacou Willians Manzini, técnico de Jaú no começo de sua passagem pelo clube alviverde e atual treinador do Sub-13 do basquete palmeirense.

Felipe Santana, outro treinador que trabalhou com o ala no Palmeiras, destacou que o jogador tem bons fundamentos e sabe usar muito bem o corpo. Para Demétrius Ferracciú, técnico do Bauru, Jaú tem características próprias. “É muito intenso no ataque e na defesa, tem bons rebotes e está ganhando confiança em seu arremesso de fora. Agora é evoluir ainda mais o jogo interior dele", analisou.

A quem Jaú compararia seu jogo? Pela agilidade e versatilidade em posições, além de ter bom arremesso de três pontos, o ala considera suas características semelhantes às de Draymond Green, ala-pivô do Golden State Warriors. O jogador que o brasileiro mais admira, no entanto, é LeBron James. Ainda assim, sua inspiração para jogar independe de astros do esporte nacional ou internacional.

“Minha maior inspiração no basquete é minha vontade de ser um jogador de alto nível para que um dia eu possa disputar de igual para igual com os grandes jogadores do Brasil e do resto do mundo”, afirmou.

Divulgação/LNB
Yago, armador do Paulistano Imagem: Divulgação/LNB

Yago, armador de 18 anos

Uma das sensações dos playoffs do NBB, o baixinho Yago chegou ao Paulistano no meio da temporada e cavou seu espaço. Outro jogador proveniente da base palmeirense, ele não surpreendeu Filé, que o treinava até deixar o clube em dezembro. “Saiu do Palmeiras em um dia, depois de dois, três, já estava jogando. Ficamos muito contentes porque ele não está fazendo nada mais do que a gente já esperava”, elogiou.

Willians Manzini diz que o basquete mostrado pelo armador no Paulistano é exatamente o mesmo da base, apesar dos adversários serem profissionais. Yago atua com a mesma personalidade, não sente pressão. Filé compara o jeito do jogador com o de Neymar, ousado e alegre. “O estilo de brincar, se divertir, de encarar, apanhar, continuar e ir mais para cima. Não tem tempo ruim para ele. Essa descontração, ele puxa toda resenha. Acho que se assemelha ao Neymar”, afirmou.

Características que o próprio atleta admite ter, mas Yago se compara com outra figura: “O jogador que eu me vejo na NBA é o John Wall. Pelo modo dele jogar, sempre alegre, com muita ousadia. Não tem medo de arriscar”.

Jogador de alta velocidade e habilidoso, Yago afirmou que Isaiah Thomas, armador do Boston Celtics que tem os mesmos 1,75 m do brasileiro, influencia sua forma de jogar. Também citou como exemplo o argentino Maxi Stanic, ex-armador da equipe profissional do Palmeiras. “São dois jogadores bem baixos que conseguem fazer coisas dentro de quadra que às vezes as pessoas não acreditam”, declarou.

Paulistano/Divulgação
George de Paula, armador do Paulistano Imagem: Paulistano/Divulgação

George de Paula, armador de 21 anos

Jovem mais falado entre os finalistas e o único dos cinco dessa lista que pode estar na NBA na próxima temporada - está inscrito no Draft deste ano -, George de Paula, o Georginho, tem inspirações de peso dentro do basquete. Por influência do pai, o armador sempre admirou Michael Jordan, mas pouco acompanhou da carreira do ex-jogador do Chicago Bulls por conta da idade. O astro da liga americana que brilhava quando o brasileiro começou a jogar era Allen Iverson.

"Sempre quis driblar e arremessar como Allen Iverson, fazia os mesmos penteados que ele, então ele que influenciou na minha forma de jogar, principalmente quando eu era pequeno", declarou. Alto para a posição com 1,96 m, Georginho acredita que seu jogo se assemelha ao de Deron Williams, atual armador reserva do Cleveland Cavaliers.

"Me comparo com o Deron Willians pela estatura e posição. Acho que eu posso ter um estilo de jogo parecido com ele. Agora ele já está em um momento mais veterano da carreira, mas me comparo a ele", afirmou o armador do Paulistano.

Versátil, Georginho não lidera sua equipe em nenhuma dos três fundamentos básicos do basquete na temporada, mas está entre os quatro primeiros em todas elas. É o segundo em pontos (11 por jogo), o quarto em rebotes (4,2) e o segundo em assistências (4,2). O armador considera a visão de jogo e o controle de bola suas principais qualidade e diz que precisa melhorar a consistência de seu arremesso, além da velocidade: "Essas duas nunca é o suficiente, sempre é bom treinar um pouco mais".

Paulistano/Divulgação
Lucas Dias, ala do Paulistano Imagem: Paulistano/Divulgação

Lucas Dias, ala de 21 anos

Assim como Georginho, Lucas Dias é outra promessa comentada do basquete nacional. Formado no Pinheiros, o ala destacou a importância do ala-armador Shamell, hoje do Mogi, e do ala Marquinhos, do Flamengo e da seleção brasileira, em seu crescimento como jogador. "Foram vários anos de adulto que eu vivi com o Pinheiros que o Shamell estava jogando e ele sempre me dava conselho nesse sentido de melhorar meu jogo, de mudar minha forma de jogar. Eu era um pivô na época e o Pinheiros queria que eu fosse para ala. O Shamell e o Marquinhos me ajudaram um pouco com isso", afirmou.

Com 2,07 m, Lucas Dias leva vantagem sobre a maioria de seus marcadores e tem facilidade para arremessar. Não por acaso, o ala foi o principal pontuador do Paulistano durante toda a competição. A boa estatura também o ajuda na hora de conseguir rebotes - é o terceiro da equipe. Além de ter bom aproveitamento da linha de três pontos (acima de 38% de acerto), Lucas também costuma se dar bem no poste baixo, em especial contra marcadores menores. As facilidades no ataque inspiram comparações com Marquinhos, com as quais Lucas concorda.

"Me compararia com o Marquinhos, que tem a mesma estatura que a minha, joga na mesma posição e eu acho que é um grande jogador, tenho respeito por ele. Tudo que ele conquistou, jogador de NBA, voltou, seleção brasileira", disse Lucas.

Produtivo no ataque, o ala do Paulistano considera necessária uma melhora nos aspectos defensivos do jogo. A troca de clubes da capital paulista antes do início da temporada – ele jogou pelo Pinheiros na anterior – veio com uma meta de melhorar na marcação. “Desde que eu cheguei o Gustavinho (Gustavo de Conti, técnico da equipe) queria que eu melhorasse minha defesa, porque sabia que no ataque eu sabia me virar", concluiu.

Paulistano/Divulgação
Arthur Pecos, armador do Paulistano Imagem: Paulistano/Divulgação

Arthur Pecos, armador de 22 anos

Um dos três candidatos ao prêmio de sexto homem do ano do NBB, Arthur Pecos começou o primeiro jogo das finais contra o Bauru como titular. O armador está em sua quarta temporada com a camisa do Paulistano no NBB, a quinta da carreira, e pela primeira vez passou de 20 minutos de média em quadra. Com o aumento do tempo de jogo, sua produtividade subiu – é o líder do time em assistências (5,1 por jogo) e o terceiro em pontos (9,9).

Vindo de uma família de basqueteiros (pai, mãe, irmã mais velha e tio eram jogadores; irmão joga no Pinheiros e a outra irmã no São Bernardo), Pecos credita “vários professores” na carreira, desde os treinadores que trabalharam com ele no Palmeiras até armadores que foram colegas neste início de carreira, como o americano Kenny Dawkins e Valtinho. Até Marcelinho Huertas, sócio do Paulistano que tem comparecido aos jogos do clube, tem ajudado.

"Tiveram vários jogadores que puderam agregar com essa experiência para que eu pudesse formar meu jogo, mas também por muito trabalho, um jeito meu também", afirmou. Pecos se considera um jogador veloz e explosivo, eficiente ao finalizar no contra-ataque e dono de boa leitura de jogo, além de eficiente na defesa. Por outro lado, acredita que precisa melhorar especialmente seu arremesso de três pontos. O desejo de se tornar um jogador completo é compreensível para um armador que se espelha em Chris Paul, astro do Los Angeles Clippers.

"Por ser uma pessoa que eu me inspiro, que eu gostaria que eu pudesse um dia ser comparado, mas o faria ainda por essa pessoa estar em um nível de NBA, jogar o basquete que joga, mas eu acho (me compararia) que o Chris Paul. Eu procuro fazer um jogo bem parecido com o dele, apesar de hoje já ser um pouco diferente. Lógico, um cara que está na NBA, é um mestre na quadra. Procuro chegar perto do jogo dele. Um cara que comanda o time, dá assistência, pontua e que sabe onde está todo mundo", afirmou.

Quando vê-los em quadra?

Os cinco jogadores entrarão em quadra nesta sexta-feira (2) no Ginásio Panela de Pressão, em Bauru, pelo Jogo 2 das finais do NBB entre Paulistano e Bauru. A partida terá início às 19h30 (de Brasília) e será transmitida pelo SporTV. O Paulistano venceu o primeiro por 82 a 78 no último sábado, em São Paulo. Quem chegar a três vitórias primeiro se sagrará campeão inédito da competição.

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