Basquete

Multiatleta, brasileiro brilha pelos Warriors em torneios para cadeirantes

Gabriel Fuhrmann/UOL
Imagem: Gabriel Fuhrmann/UOL

Gabriel Fuhrmann

Colaboração para o UOL, em Oakland (EUA)

07/06/2017 04h00

Um brasileiro guarda uma ligação especial com o Golden State Warriors. E não estamos falando de Leandrinho e Anderson Varejão, que defenderam a equipe de Oakland nas últimas temporadas. Com 18 anos, Daniel Diana é ala-pivô de uma equipe de cadeirantes filiada à franquia da NBA. Campeão nacional, nesta temporada já faturou o título da Conferência Oeste em campeonato da categoria.

"Na minha escola não existe programa de esportes adaptados, então eu jogo apenas dentro do Borp", diz Daniel, citando o programa esportivo voltado para deficientes físicos na Califórnia. As melhores equipes das competições regionais representam o estado em um torneio nacional.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal
Daniel e seus companheiros vestem a camisa do Golden State Warriors em todas as competições. Nascido nos Estados Unidos, o ala-pivô tem cidadania brasileira devido aos pais, que saíram de Fortaleza há 36 anos para morar em outro país. O sonho do jogador é atuar pelo basquete universitário, o que deve obriga-lo a mudar de estado.

"Eu quero fazer faculdade, provavelmente psicologia e não vou parar de jogar, mas para isso tenho que ir para outro estado. Na Califórnia não existe faculdade com esportes adaptados", completou o ala-pivô.

Dificuldade para Daniel e para a mãe, Silvia Monahan: "Eu preferia que ele ficasse perto de casa. Mas nada parou ele até hoje, nem a deficiência física. Não sou eu quem vou parar".

Daniel se diz um fanático torcedor do Golden State. Na casa da família é possível encontrar dezenas de itens do time de Oakland, fotos com os jogadores, bolas e tênis autografados. No último domingo, todos estavam na Oracle Arena para acompanhar a vitória dos Warriors sobre o Cleveland Cavaliers no jogo 2 das finais da NBA.

O ala-pivô consegue movimentar as pernas, mas não o suficiente para se sustentar em pé. O que não atrapalha em nada seu desempenho como atleta. Além de basquete, também veleja, esquia e é arremessador de disco. Ainda joga hóquei adaptado, modalidade na qual também foi campeão nacional em 2017.

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

"Me tornar atleta paraolímpico? Isso seria muito legal, é um objetivo", confessa Daniel. "Gostaria de defender o Brasil, é o país de origem da minha mãe. Não nasci lá, mas tenho a cidadania e jogaria lá se fosse possível”.

A paixão pelos esportes foi herdada da mãe, que também praticou diversos esportes na juventude. “Até por isso sou apaixonada assim pelo Warriors. O Daniel puxou de mim essa paixão. Se você tem essa vontade no sangue, não tem deficiência que possa te parar", disse Silvia.

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