Basquete

Corrida estranha e perguntas esquisitas: o que pode levar um atleta à NBA

Rick Scuteri/AP
Markelle Fultz, da Universidade de Washington, é candidato à primeira escolha Imagem: Rick Scuteri/AP

Do UOL, em São Paulo

21/06/2017 04h00

Nesta quinta-feira (22), 60 jogadores serão escolhidos na edição de 2017 do anual draft da NBA. Para chegarem lá, os candidatos passam por avaliações que envolvem entrevistas inusitadas, testes físicos exigentes, evento polêmico e elaborados modelos estatísticos.

Cada jogador pode se inscrever no draft uma vez na vida. Para isso, precisa obedecer a algumas regras. Se for nascido nos Estados Unidos, o atleta precisa ter jogado ao menos um ano em uma liga universitária local ou em uma liga profissional fora do país. Se for estrangeiro, o atleta precisa ter no máximo 22 anos.

São inscritos automaticamente no draft os americanos que se formaram em universidades praticando a modalidade e os estrangeiros que completam 22 anos de idade naquele ano. Caso não seja escolhido no ano em que participa do recrutamento de calouros, o jogador passa a ser considerado agente livre na NBA e pode negociar livremente com qualquer franquia.

Já que a cada temporada são centenas de inscritos, os times utilizam diferentes critérios de seleção em um ritual que começa semanas antes do draft. Veja, a seguir, o que um jogador tem de fazer para conseguir chegar à NBA.

Escolha do agente

Stacy Revere/Getty Images/AFP
Rob Pelinka (à direita), gerente-geral do Los Angeles Lakers, era agente Imagem: Stacy Revere/Getty Images/AFP

O primeiro passo para chamar atenção das franquias é contratar um empresário. Quando mais influente for seu agente, mais chances o jogador tem de ser convidado para eventos importantes pré-draft e de conseguir trabalhos privados com as comissões técnicas. Quanto mais exposto, mais chance um jogador tem de agradar.

Obviamente, nomes mais badalados são cortejados por mais agentes. Em entrevista ao site americano "HoopsHype", jogadores não identificados da NBA citaram o sucesso recente em drafts e o relacionamento com a família como principais qualidades dos empresários que contrataram.

Haja fôlego!

Christian Petersen/Getty Images
Dragan Bender foi selecionado no Draft de 2016 pelo Phoenix Suns Imagem: Christian Petersen/Getty Images

Com o agente escolhido, os jogadores começam a negociar treinos privados com as franquias. Nestas atividades, são submetidos a testes técnicos e físicos enquanto são observados pelas comissões técnicas dos times. Um dos mais inusitados é realizado pelo Phoenix Suns e chamado de "corrida de três minutos".

O teste é iniciativa de Ryan McDonough, contratado em 2013 para ser gerente-geral da franquia. Nele, candidatos têm de correr o mais rápido possível de um lado para o outro da quadra, tocando a linha de fundo e contando em voz alta quantas vezes o fez. O recorde nestes quatro anos da atividade é 28, o que corresponde a pouco mais de 800 metros (a franquia não revela o nome do recordista).

Responda, por favor

Christian Petersen/Getty Images
Frank Mason III teve de responder como queria morrer Imagem: Christian Petersen/Getty Images

Além de testes físicos e técnicos, os candidatos também são submetidos a entrevistas. Surpreendentemente, muitas vezes as questões feitas pelas franquias fogem muito do basquete. Uma reportagem feita pelo site americano "HoopsHype" ouviu jogadores da NBA sobre as perguntas mais inusitadas que ouviram durante o processo pré-draft.

"Como você gostaria de morrer?", "quantas bolas de basquete cabem nessa sala?", "o que você faria se estivesse em um trem e o motorista morresse" e "se você fosse do tamanho de um lápis e estivesse preso em um liquidificador, como sairia" estão entre as perguntas ouvidas por candidatos antes do draft.

Evento polêmico

Reprodução/Twitter
Comparação entre dados dos prospectos do NBA Draft Combine de 2017 Imagem: Reprodução/Twitter

Todo ano, os jovens mais badalados são convidados para o NBA Draft Combine, evento em que seus atributos físicos são medidos e suas capacidades técnicas avaliadas. Neste ano, no entanto, a tradicional reunião pré-draft causou polêmica após declarações de Kevin Durant, astro do Golden State Warriors, e John Calipari, um dos mais respeitados técnicos do basquete universitário americano.

"Se você é uma escolha top 10, uma escolha de primeira rodada ou algo do tipo e sabe que está garantido, fique em casa, treine e aproveite seu tempo melhor", disparou Durant, em entrevista à "ESPN".

"Se você acha que existe alguma coisa aqui que pode te prejudicar, não venha. Se tem alguma coisa que possa te ajudar, venha. Se você precisa jogar para se ajudar, venha", aconselhou Calipari, segundo reportagem do jornal americano "USA Today".

Apesar de Durant e Calipari acreditarem que candidatos badalados podem perder espaço com o Combine, o contrário também pode acontecer. Como os contratos para novatos na NBA são tabelados, perder ou ganhar posições no draft pode significar uma diferença de milhões de dólares.

Chance para os preteridos

Soobum Im/USA TODAY Sports
Jonathon Simmons, do San Antonio Spurs, foi um "achado" da franquia texana Imagem: Soobum Im/USA TODAY Sports

Se o NBA Draft Combine pode oferecer a chance de promessas badaladas decepcionarem as comissões técnicas das franquias, um evento semelhante traz oportunidade para jogadores menos concorridos se destacarem. Neste ano, foi fundado o Professional Basketball Combine, que tem como inspiração Jonathon Simmons, ala-armador do San Antonio Spurs.

Depois de passar boa parte de sua carreira despercebido, Simmons chegou à NBA em uma peneira paga para o Austin Spurs, franquia da G-League, liga menor dos Estados Unidos, filiada à de San Antonio. Nos playoffs, o jogador apresentou médias de 10,5 pontos, 1,9 assistências e 1,9 rebotes em 20,4 minutos por jogo e foi o melhor deste tipo. Para evitar que casos como esse se repitam, 16 das 30 franquias da NBA compareceram ao Professional Basketball Combine.

Importância dos números

Jonathan Daniel/Getty Images
Denzel Valentine foi selecionado pelo Chicago Bulls no Draft de 2016 Imagem: Jonathan Daniel/Getty Images

Além de serem submetidos a testes e entrevistas, jogadores também têm suas estatísticas analisadas em complexos modelos criados pelas franquias. Em entrevista ao site americano "The Athletic", Andrew Johnson, especialista na análise de números, explicou como a matemática é utilizada na hora de se encontrar novos atletas.

Extrapolando coisas óbvias, como pontos, rebotes e assistências, o aproveitamento de adversários quando o jovem atleta está defendendo, sua velocidade, o número de toques na bola e a distância percorrida em quadra são analisados. Para o draft deste ano, Johnson apontou os pivôs T.J. Leaf, Zach Collins e Thomas Bryant como exemplos de jogadores aprovados para o Chicago Bulls em seu modelo estatístico.

Sorria, você está sendo observado

Andrew Kelly/Reuters
Barclays Center, ginásio do Brooklyn Nets, vai receber o Draft de 2017 Imagem: Andrew Kelly/Reuters

Além de protagonizar todo o ritual pré-Draft, um jogador pode estar sendo observado por uma franquia sem nem saber. De acordo com reportagem do site americano "HoopsHype", uma dirigente admitiu que já mandou um investigador privado observar um atleta em sua universidade.

Nesta quinta-feira (22), a partir das 20h (de Brasília), a edição de 2017 do Draft será realizada no Braclays Center, em Nova York. Será quando saberemos quem passou no exigente crivo neste ano. 

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