Basquete

Ex-jogador viu mortes e sofrimento e ajudou a resgatar 860 pessoas no mar

Divulgação/Proactiva Open Arms
Villacampa (dir.) ajuda criança em resgate no Mediterrâneo Imagem: Divulgação/Proactiva Open Arms

Do UOL, em São Paulo

10/07/2017 04h00

A imagem do corpo de Aylan Kurdi, menino sírio de 3 anos que morreu afogado na Turquia, chocou o mundo em 2015. E uma das pessoas impactadas pela foto foi Jordi Villacampa, um dos melhores jogadores europeus de basquete nas décadas de 1980 e 90. Esse foi o gatilho para uma transformação que Villacampa viveria meses depois, resgatando mais de 800 refugiados no Mar Mediterrâneo.

Em abril deste ano, depois de 18 anos na presidência do Joventut de Badalona, time que defendeu durante toda sua carreira, Villacampa embarcou junto com a ONG Proactiva Open Arms para ajudar, na prática, refugiados que tentam fugir de guerras e ditaduras e rumam em direção à Europa.

A preparação para tal experiência foi longa. O ex-jogador passou alguns meses colaborando com a ONG e entendendo como ela atuava. Paralelamente a isso, participou de consultas com um psicólogo especialista no assunto. O profissional tinha como missão prepará-lo para situações extremas que ele presenciaria.

“O psicólogo me alertou, por exemplo, para os odores, porque os refugiados ficam dias em barcos de borracha fazendo suas necessidades sem higiene alguma. Também me falou de todos os sons, já que escutaria crianças gritando, e da possibilidade de ver pessoas mortas”, contou Villacampa ao “El Confidencial”.

E tudo isso se materializou na viagem que durou 16 dias pelo Mar Mediterrâneo, ao norte da Líbia. “Resgatamos uma vez 385 pessoas e, na outra, mais 487. Ficamos com eles durante dois dias. Quando eles sobem a bordo ficam muito agradecidos, porque muitos já imaginavam que estavam mortos, pois haviam sido abandonados no mar em botes sem combustível”, descreveu o ex-jogador.

Nesse período, Villacampa colaborou com a logística de diferentes maneiras. Comprou e organizou milhares de garrafas de água, descascou batatas e se alternou em postos de observação em busca de barcos à deriva. E ouviu histórias chocantes dos refugiados.

“Em sua maioria, eram pessoas fugindo da violência e da guerra. Desesperadas, elas caem em mãos de mafiosos porque são capazes de qualquer coisa para escapar. Acho que 90% das mulheres, por exemplo, foram violentadas. E é impossível não se perguntar o que acontecerá com eles quando os entregamos às autoridades”, refletiu.

Villacampa diz que o saldo de sua experiência foi positivo. “Era muito gratificante porque eu me senti útil”. Na volta à Espanha, ele voltou a ter sessões frequentes com o psicólogo que o preparou para a viagem. O espanhol ainda não sabe se voltará a outra viagem de resgate, mas não descarta a possibilidade.

“Essa viagem mudou minha vida. Agora relativizo tudo e minhas prioridades são diferentes. Percebi que há coisas que não merecem nem ser discutidas. Há, sem dúvida, um marco, um antes e um depois dessa experiência”, completou.

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