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Como astro ex-NBA quer promover paz entre EUA e Coreia do Norte

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Kim Jong-un ao lado de Denis Rodman em 2014 na Coreia do Norte Imagem: AFP PHOTO

Do UOL, em São Paulo

14/09/2017 04h00

Pentacampeão da NBA e companheiro de Michael Jordan no histórico Chicago Bulls da década de 1990, Dennis Rodman acredita que pode ajudar a promover a paz entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Nascido em Nova Jérsey, o ex-ala-pivô desenvolveu inusitada amizade com Kim Jong-un e acredita que pode usá-la como trunfo para apaziguar os ânimos.

O relacionamento de Rodman como o líder norte-coreano começou em 2013, quando ele viajou para o país como atração de um tour com astros do basquete pela Ásia. Acredita-se que os membros da delegação foram os primeiros americanos que tiveram contato com Kim Jong-un em sua vida. Rapidamente, os dois começaram a se tratar como amigos.

Na ocasião, Rodman sugeriu que Barack Obama, então presidente dos Estados Unidos, ligasse para o chefe de estado da Coreia do Norte e usasse como tema para "quebrar o gelo" justamente o basquete, esporte que tem os dois líderes como fãs.

Pouco depois de sua visita à Coreia do Norte, Rodman postou um tweet pedindo que Kim Jong-un libertasse Kenneth Bae, nascido na Coreia do Sul e cidadão americano desde os 18 anos de idade, quando se mudou para os Estados Unidos. O prisioneiro foi solto no ano seguinte.

Colecionador de prêmios durante sua carreira na NBA, Rodman brincou ao falar sobre o tema. O ex-ala-pivô afirmou que queria um Nobel da Paz para a sua coleção, que, além dos cinco títulos da NBA, conta com dois troféus de melhor defensor da temporada da liga profissional americana de basquete.

"Minha missão é 'quebrar o gelo' entre dois países hostis. Porque foi deixada comigo, eu não sei. De todas as pessoas, Dennis Rodman. Nos manter seguros não é realmente meu trabalho, é o trabalho do cara negro (Obama). Mas vou te dizer isso: se eu não terminar entre os três primeiros no próximo Prêmio Nobel da Paz, alguma coisa está muito errada", brincou Rodman, em entrevista à revista americana "Sports Illustrated".

Reuters/Vice/Handout
Imagem: Reuters/Vice/Handout

A surpresa pelo cargo de pacificador se dá por conta do perfil de Rodman dentro e fora das quadras. Conhecido por sua ferocidade defensiva, o ala-pivô fez parte do time do Detroit Pistons que tirou Michael Jordan do sério com duras faltas e ficou conhecido como “Bad Boys”. Depois, jogando ao lado do astro pelos Bulls, foi um dos precursores da estratégia de fazer faltas intencionais em Shaquille O’Neal para levá-lo para a linha de lances livres e explorar seu pior fundamento.

Fora das quadras, Rodman ficou conhecido por seus polêmicos relacionamentos com a cantora Madonna e a atriz Carmen Electra. O ex-jogador ainda teve problemas com álcool e, além de ter sido detido por dirigir embriagado, também foi preso por violência doméstica, por violação de códigos em seu restaurante e por exagerar no barulho em mais de 70 festas em sua casa.

Mesmo não parecendo o cara mais indicado para o trabalho, Rodman voltou para o país asiático duas vezes meses após sua primeira visita, em setembro de 2013 e em janeiro de 2014. O ex-jogador ainda revelou a intenção de se tornar técnico da seleção norte-coreana de basquete.

Rodman fez mais uma viagem para a nação em janeiro de 2017, quando discursou para atletas do país. Dessa vez, no entanto, o americano não se encontrou com Kim Jong-un e foi recebido pelo Ministro dos Esportes do governo local.

Enviado de Trump à Coreia do Norte?

A viagem mais recente de Rodman fez com que o jornal americano “Washington Post” sugerisse que o ala-pivô estava tentando negociar a liberação de prisioneiros americanos ou abrir um canal diplomático entre Estados Unidos e Coreia do Norte. Foi a primeira vez que o ex-jogador visitou o país desde que Donald Trump substituiu Obama como chefe de estado.

Além da boa relação com Kim Jong-un, Rodman também é apontado como amigo de longa data de Trump e ajudou na campanha do agora presidente dos Estados Unidos.

No dia da última visita de Rodman à Coreia do Norte, o prisioneiro americano Otto Wambier, que estava em coma, foi libertado e pôde se juntar à sua família americana. Ele morreu pouco depois, mas sua soltura fez com que as suspeitas de que o ex-ala-pivô estava no país a serviço do Trump aumentassem.

"Eu apenas quero endireitar as coisas para que todo mundo se dê bem", disse Rodman, em entrevista recente à emissora britânica "ITV".

Apesar do aparente sucesso de Rodman na libertação de prisioneiros, o relacionamento entre Estados Unidos e Coreia do Norte está cada vez mais instável. O ex-ala-pivô terá de ser tão bom na diplomacia quanto era na defesa se quiser promover a paz entre as duas nações. 

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