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Ele foi sem-teto na adolescência. Hoje, se destaca em time da NBA

Kevin C. Cox/Getty Images
Taurean Prince posa para foto na apresentação do Atlanta Hawks para a temporada 2017/2018 Imagem: Kevin C. Cox/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

30/11/2017 04h00

Destaque do Atlanta Hawks na temporada 2017/2018 da NBA, Taurean Prince teve de superar mais do que os astros da liga profissional americana de basquete para brilhar. Hoje aos 23 anos de idade, o ala sofreu com problemas financeiros do seu pai durante a adolescência e chegou a ser sem-teto antes de começar sua carreira na modalidade.

Normalmente, Prince não gosta de falar sobre o tema. Mas o jogador, nascido em San Antonio, no Texas, tirou lições do episódio. A primeira delas foi a lealdade, já que ele poderia ter deixado o pai em situação difícil na adolescência para ir morar com a mãe.

"Por alguns anos, eu nem sequer contei para minha mãe. Poderia apenas ter contado facilmente para ela e então correr para a casa dela, mas ao mesmo tempo eu queria mostrar lealdade para o meu pai", disse Prince, em entrevista à revista americana "Slam".

Além disso, o ala acredita que a maneira com que lidou com as noites difíceis em abrigos para sem-teto desenvolveu um nível de equilíbrio que o ajuda dentro das quadras.

"Eu acho que isso vem do equilíbrio que eu tive quando era jovem, aprendendo a superar as coisas com as pessoas que estão perto de mim e a não depender de roubar ou fazer coisas loucas para me consolar. Lidei com isso da maneira correta, e isso transformou tudo que era negativo em coisas positivas", declarou.

Mesmo na época em que estava lidando com o problema, Prince não gostava de falar sobre o tema. O esportista revela que tentava manter-se na linha para que as pessoas não percebessem que ele vivia em abrigos.

"Mantendo a mentalidade correta, ainda indo para a escola no dia seguinte, sendo respeitoso com meus professores, ainda indo jogar todos os esportes que eu adorava jogar e tratando meus amigos direito, ninguém nunca saberia", afirmou.

Para Prince, o equilíbrio emocional adquirido durante o problema ajuda a se manter confortável em situações que muitos podem considerar adversos dentro de quadra.

"Acho que isso foi porque continuei equilibrado e me mantive confortável em situações desconfortáveis. Acho que isso combina com minha carreira no basquete e como eu sigo em frente diariamente, não importa quem eu tenha de marcar. Não importa se um cara pontua contra mim ou não. Basta ficar preparado, ir em frente e se preocupar com o que você pode controlar", ensina.

Hoje titular dos Hawks, Prince evita se deslumbrar com a NBA assim como não se desesperou com a situação adversa que enfrentou na adolescência. O jogador tenta aproveitar o tempo livre com sua família e nem sequer assiste aos jogos de outros times na liga profissional americana de basquete.

"Passo grande parte do meu tempo livre apenas relaxando com a minha família. Eu realmente sinto que você se desvia um pouco se sair muito. Tento passar o maior tempo possível com eles. Para ser sincero, eu não assisto TV. Não assisti um jogo da NBA neste ano. Eu apenas faço a minha parte, assisto ao filme sobre quem vou marcar ou sobre o time que vamos enfrentar", contou.

Trajetória no basquete

Kevin C. Cox/Getty Images/AFP
Taurean Prince em ação pelo Atlanta Hawks durante jogo contra o Dallas Mavericks Imagem: Kevin C. Cox/Getty Images/AFP

Prince começou a entrar no radar de franquias da NBA após se destacar jogando pela universidade de Baylor. Na temporada 2015/2016, sua quarta e última na NCAA, o ala apresentou médias de 15,9 pontos e 6,1 rebotes em 30,6 minutos por exibição, chegando bem cotado ao Draft.

Antes disso, o jogador havia disputado os Jogos Pan-Americanos de 2015 pela seleção americana, obtendo, em média, 10,8 pontos e 4,4 rebotes por partida em sua primeira experiência como profissional.

As boas atuações fizeram os Hawks apostarem alto em Prince. A franquia de Atlanta se envolveu em troca com mais duas franquias na noite do Draft e enviou Jeff Teague para o Indiana Pacers, que por sua vez mandou George Hill para o Utah Jazz.

Por fim, a franquia de Salt Lake City mandou a 12ª escolha do recrutamento de calouros para os Hawks, que a utilizou para escolher Prince. Em outras palavras, a equipe de Atlanta abriu mão de um armador que havia sido All-Star em 2015 para poder garantir o ala.

Em sua temporada de estreia, Prince ainda dividiu os vestiários com jogadores mais experientes, como Kyle Korver, Mike Dunleavy, Paul Millsap e Dwight Howard. Por isso, saiu do banco de reservas na maioria das partidas, e obteve médias de 5,4 pontos e 2,7 rebotes em 16,1 minutos por exibição.

Nesta temporada, sua segunda na NBA, Prince aproveitou a reconstrução dos Hawks para ver sua importância aumentar consideravelmente na rotação do time. O ala se tornou um dos líderes da equipe, com médias de 12,6 pontos e 5,1 rebotes em 31 minutos por partida.

"Somos competitivos, isso vem antes de tudo. Nós vamos dar nosso máximo a cada noite e nós vamos procurar a vitória toda noite, não importa com quem estamos jogando", declarou Prince.

Por enquanto, o início de reconstrução tem atrapalhado os planos do ala, já que a equipe venceu apenas quatro de seus vinte primeiros jogos.

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