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Quem é o 'baixinho' que brilha no NBB e encantou o técnico da seleção

Divulgação/LNB
Yago, armador do Paulistano, é um dos destaques do NBB Imagem: Divulgação/LNB

José Edgar de Matos

Do UOL, em São Paulo (SP)

17/03/2018 04h00

O velho clichê diz que basquete e vôlei são modalidades para "grandões". Quem acompanha o mínimo, no entanto, sabe que há "baixinhos" que conseguem superar a diferença na altura para se destacarem. Se na NBA, Isaiah Thomas é o principal exemplo atual, outro atleta no alto dos seus 1,75m brilha, mas nas quadras tupiniquins. Aos 19 anos, Yago, de 1,76m, surge como um dos pilares do Paulistano, líder do NBB (Novo Basquete Brasil).

A campanha do clube da capital paulista impressiona. São 21 vitórias seguidas e a liderança em uma competição contra equipes com investimentos maiores, como o Flamengo de Anderson Varejão e o Franca de Leandrinho, dois campeões nos Estados Unidos. Com uma formação jovem e talentosa, o Paulistano surpreende com números dignos de recordista e tem no “baixinho” Yago um dos principais fatores para o sucesso.

"Yago é um cara muito talentoso. Lembro de vê-lo pela primeira vez no sub-12, e era um absurdo. Mesmo com o tamanho que tinha, ele sobrava, como vemos hoje. Tem muita habilidade com a bola e consegue criar boas jogadas para ele mesmo e também para o time, fora que tem um arremesso muito bom e tecnicamente também é diferenciado", elogiou o técnico de Yago, Gustavo de Conti, em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

"São duas coisas, porém, que o diferenciam ainda mais dos outros: a velocidade e a personalidade. Ele tem o mesmo arranque de quando o Leandrinho jogava no Bauru, impressiona. Sobre a personalidade, ele não liga onde está jogando e contra quem. Nos momentos difíceis, cresce. Ofensivamente, nunca sente o jogo; ele chuta da mesma forma, não importa o placar ou o adversário. A confiança dele é enorme", acrescentou Gustavinho.

O bom momento do jovem de 19 anos também é aproveitado pela seleção brasileira. Yago já trabalhou com a equipe comandada por Aleksandar Petrovic. O croata se rendeu ao garoto logo nas primeiras atividades, ocorridas no fim do ano passado, no Chile.

"É um menino de apenas de 18 anos e que me surpreendeu muito nesses dois dias pela maneira com que treinou ao lado de alguns companheiros quase 20 anos mais velhos", disse, na época, o comandante da seleção brasileira.

Quem conviveu no passado, em que o físico no basquete muitas vezes ficava em um segundo plano, se impressiona com o garoto do Paulistano. Bicampeão mundial e um dos grandes da história da modalidade no país, Wlamir Marques ressalta a representatividade do armador de apenas 1,76m.

“O tamanho pouco importa. Ele é muito inteligente jogando e mostra que não tem problema ser 'baixinho'. Quem não for o maior, tem que ser o melhor, e ele tem recursos. Quando é pressionado, sabe sair das situações. Tem espaço para ele sim”, destacou Wlamir, que, contudo, faz ponderações em relação à participação de Yago na seleção.

“Estou falando de NBB. Seleção brasileira é outra coisa, outra competição; é um nível internacional que ele ainda não foi testado. Jogar contra Chile e Colômbia nas eliminatórias não representa nada. Ele sempre vai ser destaque no NBB, jogadores baixos estão se destacando cada vez mais. Agora precisa sempre evoluir”, comentou o ex-jogador.

“Ele tem que ‘abrir as costas’”

Divulgação/Paulistano
Técnico Gustavo de Conti contou sobre o trabalho feito com Yago Imagem: Divulgação/Paulistano

Nesta questão de evolução de Yago, o lado físico é dito como o mais importante, pelo menos na avaliação de Gustavinho. O trabalho de academia recebe atenção especial no dia a dia do Paulistano, como relatou o treinador.

“Uma coisa que precisa melhorar é a questão física, de força. Precisa ser um jogador maior, “abrir as costas” e pegar ombro, perna. Hoje em dia, os adversários atacam-no muito nesta questão, sabem que é uma deficiência”, analisou o treinador que convive diariamente com o armador.

Yago passa por uma preparação diferenciada para alcançar o nível físico esperado pela comissão técnica do Paulistano. O armador tem um preparador físico separado e trabalha na academia fora dos horários de treinos. Esta dedicação é cobrada diariamente por Gustavo de Conti.

“Ele precisa sempre treinar e saber que o talento não vai superar o treino. O esporte tem muito disso. Yago precisa treinar fora do horário e estar bem preparado. Os adversários não sabiam muito bem quem ele era, mas cada vez o conhecem mais e vão atacar as suas deficiências. É sempre apresentar coisas novas, porque as dificuldades aumentarão”, avisa.

Cria do Palmeiras

Fabio Menotti/Ag. Palmeiras/Divulgação
Yago (centro) nos tempos de Palmeiras; armador somou títulos com a camisa alviverde Imagem: Fabio Menotti/Ag. Palmeiras/Divulgação

As lembranças de Gustavinho sobre Yago no sub-12 também estão vivas com Willians Manzini. Atual treinador do sub-14 e sub-15 do Palmeiras, ele foi o responsável por guiar os primeiros passos do armador no clube alviverde. O técnico viu o então pré-adolescente por um vídeo, entrou em contato e fez questão de buscá-lo na rodoviária para dar os primeiros passos no ginásio que era localizado na Academia de Futebol.

“Imediatamente vi que era um menino diferente. Ele tinha apenas 12 anos. Desde o momento no qual ele pegou na bola pela primeira vez, deu para notar o quanto era diferenciado. Não tinha com a gente perder este menino, era um diamante”, elogiou.

Natural de Tupã, Yago precisou morar na casa de um companheiro de equipe para conseguir iniciar a carreira no Palmeiras. Willians Manzini relembra que costurou com o pai de um atleta para receber o hoje armador do Paulistano, que já surgia como um dos atletas mais talentosos de sua idade em São Paulo. Com a camisa alviverde, em 2014, foram mais de 50 vitórias consecutivas na categoria sub-15.

“Ele tinha a mesma intensidade de jogo que tem hoje, já tinha naquele tamanho a percepção de quando infiltrar. O tamanho nunca influenciou em nada. Ele só deslanchou e se consagrou em muitos campeonatos. Foram três anos dele comigo, mas infelizmente não deu para segura-lo. Ele tinha que ter voos mais altos. Demos estrutura inicial e estamos superfelizes. Espero que vá mais longe ainda”, encerrou.

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