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Crise na arbitragem da NBA chega ao auge com alfinetadas públicas

Jonathan Daniel/Getty Images
Tom Thibodeau, técnico do Minnesota Timberwolves, reclama de marcação do árbitro Derek Richardson Imagem: Jonathan Daniel/Getty Images

Do UOL, em São Paulo

22/03/2018 11h00

Na semana passada, troca pública de farpas entre a NBA e a associação de árbitros da liga profissional americana de basquete se tornou o mais forte indicativo da crise de relacionamento protagonizada por profissionais que apitam as partidas do campeonato. Desde o início da temporada 2017/2018, jogadores têm reclamado muito em polêmica que deveria ter sido solucionada na pausa para o All-Star Weekend, mas que agora também atinge técnicos e dirigentes.

Uma das bandeiras da associação de árbitros profissionais tem sido o fim do relatório de dois minutos finais emitida pela NBA. Nele, a liga torna pública sua avaliação sobre acertos e erros dos profissionais na reta final de absolutamente todos os jogos.

O tema veio à tona novamente depois que Ira Winderman, repórter que cobre a NBA para o jornal americano "South Florida Sun Sentinel", se manifestar em sua conta pessoal no Twitter para acusar árbitros de errarem contra o Miami Heat, time da mesma região do periódico, usando como fonte o relatório dos dois últimos minutos da NBA.

Os erros teriam acontecido no controle de tempo dos árbitros: um erro nos cinco segundos que um time tem para repor a bola em jogo, e outro nos 24 segundos de posse ofensiva que uma equipe tem antes de converter uma cesta ou acertar o aro com um arremesso.

A conta oficial da associação de árbitros resolveu responder e culpar o relatório pela exposição do árbitro. Segundo a entidade, é impossível cobrar do profissional a mesma exatidão encontrada em cronômetros eletrônicos.

Windermann resolveu prolongar a discussão perguntando se não era melhor digitalizar a contagem assim como a feita em outras marcações na NBA. A conta da associação de árbitros respondeu voltando a dizer que o problema é o relatório, e não a reação da imprensa especializada.

Ao defender sua tese, a associação de árbitros disse que o relatório é feito por gente sem experiência em arbitragem que usam protocolos diferentes dos utilizados pelos profissionais que trabalham em jogos oficiais da NBA. Foi aí que a liga entrou em cena.

A conta oficial do departamento da NBA que cuida dos árbitros respondeu a postagem da associação dizendo que o relatório é feito por profissionais treinados e que é aprovado por gente com anos de experiência na liga.

O relacionamento entre a associação e a NBA sempre foi importante para controlar jogadores e árbitros, sempre punidos em casos de manifestação pública contra profissionais que apitam suas partidas. Tanto que Mark Cuban, dono do Dallas Mavericks, usou sua conta no Twitter para interferir na discussão com alfinetada bem humorada, pedindo para a liga multar a entidade.

Enquanto a relação entre NBA e árbitros parece se deteriorar, a associação de jogadores parece unir cada vez mais a classe. Desde que Chris Paul, astro do Houston Rockets, foi eleito para presidir a entidade em 2013, prêmios anunais individuais passaram a ser distribuídos pelos próprios atletas, muitas vezes descontentes com as escolhas da liga e da mídia especializada.

O perigoso cenário fez com que jogadores e árbitros se reunissem durante a pausa para o All-Star Weekend. A ideia era aparar arestas e melhorar o relacionamento entre as partes, contornando o crescente clima de tensão.

No entanto, as farpas públicas fizessem com que técnicos insatisfeitos explodissem. Recentemente, Alvin Gentry, treinador do New Orleans Pelicans, e Stan Van Gundy, comandante do Detroit Pistons, usaram palavras ofensivas quando questionados sobre a arbitragem de partidas de seus times.

O cenário de tensão tende a crescer com times brigando pelas últimas vagas para os playoffs. A fase mata-mata, que começa dia 14 de abril, será o teste definitivo para a força da arbitragem da NBA.

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