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Favoritos ao título, Warriors já selecionaram mulher em um draft da NBA

Do UOL, em São Paulo

09/05/2018 04h00

Em 1969, o Milwaukee Bucks escolheu Kareem Abdul-Jabbar, pivô que até hoje é o maior cestinha da história da NBA. Mas no dia seguinte, a franquia que estampou os jornais chamou atenção por uma escolha feita apenas na 14ª rodada. Tratava-se do Golden State Warriors, favorito para conquistar em 2018 seu terceiro título em três anos. Há 49 anos, a equipe californiana recrutava Denise Long, estrela do basquete feminino da universidade de Iowa.

Long vinha de uma temporada em que havia apresentado médias de 70 pontos por jogo, incluindo uma partida em que havia anotado 111. Mesmo assim, de acordo com reportagem do jornal americano "San Francisco Chronicle", ela nem sequer estava ciente da possibilidade de ser selecionada no draft da NBA.

Na ocasião, Long foi informada por um colega de faculdade que havia sido selecionada no draft. "Do Exército?", perguntou, sem ter ideia de que se tratava da NBA. "Isso significa que eu tenho que ir?", questionou, mostrando, a princípio, insegurança.

A possibilidade, na verdade, nunca foi real, já que James Walter Kennedy, então comissário da NBA, não permitiu que Long se juntasse ao time, que na época ainda se chamava San Francisco Warriors. No entanto, a ideia que antes a assustava se tornou real quando ela decidiu trabalhar para a franquia mesmo assim.

Long passou a jogar amistosos que serviam como preliminar para os jogos dos Warriors. Por isso, é considerada pioneira no basquete feminino dos Estados Unidos e considerada o início da trajetória das mulheres na modalidade.

Para se ter uma ideia da relevância da parceria entre Long e os Warriors, as mulheres só começaram a jogar basquete na Olimpíada em Montreal-1976. Selecioná-la foi ideia de Franklin Miuli, então dono da franquia, que planejava justamente criar e promover uma liga de basquete feminino.

Apesar de ter sido criticada na época por, segundo opositores, se tratar de uma ação puramente publicitária, o fato ganhou proporção nacional rapidamente, com Long se tornando conhecida ao redor dos Estados Unidos.

“Eu tinha que criar interesse no basquete feminino. Acho que o que eu fiz foi muito válido. Eu não sabia se mulheres podiam jogar esse jogo, mas se alguém podia, era Denise. Ela era uma menina muito doce, inocente e amável”, disse Miuli, anos após o draft de 1969.

O sucesso de Long fez com que o então dirigente iniciasse uma liga de basquete feminino com quatro franquias, com jogadoras recrutadas ao redor do país. Eram as partidas deste campeonato que serviam como preliminares para os Warriors.

Na ocasião, Long e as demais atletas não recebiam para jogar. Os Warriors apenas cobriam os gastos das jogadoras. A liga durou apenas um ano. Depois, ela ainda participou de um tour de jogadoras americanas para a Ásia em 1971 antes de abandonar a modalidade.

Em março, os Warriors honraram Long em cerimônia no aniversário do draft de 1969. Hoje, ela mora com seu marido em Iowa, onde brilhou no basquete universitário.

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