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Como Vingadores e Thanos explicam duelo Houston x Golden State na NBA

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Thanos, vilão do universo Marvel, lembra Golden State Warriors na semifinal da conferência Oeste Imagem: Divulgação

Thiago Ney

Colaboração para o UOL

2019-05-11T15:50:40

11/05/2019 15h50

Imagine que você seja um dos Vingadores. Qualquer um, pode ser o Homem de Ferro, o Capitão América, a Viúva Negra (qualquer um, você decide). Desde, digamos, 2015, você e seus parceiros Vingadores estão lutando contra um vilão super poderoso chamado Thanos. E desde 2015 vocês lutam contra o Thanos e perdem. Sempre. Mas neste ano, 2019, vocês decidiram que seria diferente. Vocês estudaram os pontos fortes, os pontos fracos, os movimentos, as reações psicológicas do Thanos. Vocês sabem que podem vencer todos os outros vilões comuns, então montaram uma estratégia especial para, quando a hora chegasse, derrotar o Thanos. E então a hora chega. E, veja só, parece que agora a coisa vai ser diferente. Porque 1) vocês estão todos saudáveis (nenhum Vingador está machucado); 2) vocês escolheram o local da luta (um lugar enorme que seria tomado apenas por torcedores gritando Vingadores! Vingadores! Vingadores!); 3) na hora marcada, o Thanos aparece com uma perna fraturada e cambaleando por causa de uma ressaca violenta. É hoje que a história muda.

Só que não.

A ressaca desaparece no meio da luta e, mesmo distante de estar 100% fisicamente, o Thanos derruba vocês, um por um. E, mais uma vez, ele conquista o mundo.

Essa imagem não sai da minha cabeça desde a madrugada deste sábado, quando o Houston Rockets perdeu para o Golden State Warriors (por 118 a 113) no sexto jogo da série e foi eliminado da luta pelo título da NBA. Como no ano passado. Como em 2016 e em 2015. (Você deve ter notado que, na minha cabeça, o Houston são os Vingadores, e o Golden State é o Thanos.)

Troy Taormina/USA Today Sports
Imagem: Troy Taormina/USA Today Sports

Em 2018, a derrota do Houston para o Golden State doeu demais. O time texano terminou a temporada regular com a melhor campanha de sua história (65 vitórias, 17 derrotas) e o primeiro lugar na conferência oeste (o Golden State ficou em segundo). Na série que definiria quem iria para a final da NBA, contra, claro, Golden State, o Houston tinha a vantagem de jogar em casa quatro dos sete jogos. Mas, na sétima e definitiva partida, o Houston não pode contar com Chris Paul (machucado) e Golden State levou.

Parece que o técnico Mike D'Antoni passou as férias estudando o Golden State e montando a tática para derrotar o time de Kevin Durant, Stephen Curry, Klay Thompson, Draymond Green e DeMarcus Cousins (além de Andre Iguodala). D'Antoni preparou seu time para derrotar o Golden State justamente com as mesmas armas do adversário: aposta nas bolas de três pontos e em um jogo dinâmico, veloz, com transição defesa-ataque quase instantânea.

E a estratégia estava dando certo. Nesta temporada 2018-2019, o barbudo James Harden foi o jogador com mais cestas de três convertidas (378), o que mais acertou lances livres (754), o que teve a melhor média de pontos por jogo (36,1) e o que mais pontos fez no total (2.818). Basicamente, James Harden é uma máquina de fazer cesta.

O problema para Harden e Houston (e para todos o restante da NBA), é que o Golden State Warriors é, senão o melhor, um dos melhores times da história da liga norte-americana. De 2015 para cá, ganharam três dos quatro títulos disputados (perderam em 2016 para um Cleveland Cavaliers carregado por LeBron James). E naquele 2016, Golden State fez a melhor campanha da história da NBA na temporada regular: 73 vitórias e apenas nove derrotas.

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Imagem: Divulgação

Treinado por Steve Kerr, Golden State mudou a maneira de jogar basquete nos EUA: as bolas de três pontos viraram prioridade, os contra-ataques ficaram cada vez mais rápidos e os jogadores se tornaram cada vez mais versáteis.

Na série encerrada na madrugada deste sábado, parecia que Houston teria uma chance real. Porque Golden State estava sem DeMarcus Cousins (pivô que está entre os mais dominantes da liga) e, no quinto jogo, Kevin Durant sofreu contusão na panturrilha (se tiver sorte, poderá voltar em algum momento da série final da conferência oeste; o time pegará o vencedor de Denver Nuggets e Portland Trail Blazers).

Então Houston enfrentou um Golden State que estava desfalcado de dois de seus melhores jogadores e, ainda, Stephen Curry terminou o primeiro tempo zerado.

Mas a história, mais uma vez, se repetiu. Curry resolveu jogar no segundo tempo e fez 33 pontos nos 24 minutos derradeiros (23 deles no quarto período). Faltando mais ou menos 1,30min para o final da partida, o jogo estava 104 a 102 para Golden State. A torcida gritava e motivava o Houston. Então Curry pegou a bola, foi para o lado direito da quadra, passou a bola por trás do corpo, entre as pernas e, mesmo pressionado pelo marcador, arremessou antes da linha dos três pontos. A bola entrou. Foi o tipo de lance em que a impressão que temos é a de que a entidade Vida aparece e afirma, para D'Antoni e seus comandados, sem misericórdia: "Vocês lutaram, fizeram uma boa marcação, seu melhor jogador foi o cestinha do jogo com 35 pontos, mas desistam. Vocês nunca vão ganhar desses caras".