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Daniel de Oliveira será Eder Jofre no cinema após 'visão' no chuveiro

Maurício Dehò

Do UOL, em São Paulo

19/09/2015 06h00

O que era um projeto ambicioso, mas sem suporte há dez anos, virou um filme de ponta. A história de Eder Jofre, bicampeão mundial de boxe, foi encostada por um bom tempo, mas está retomada e em ritmo acelerado. Tudo por conta do investimento da Globo e da entrada de um time de peso. Para viver o Galo de Ouro, Daniel de Oliveira, famoso por ter interpretado Cazuza nas telonas, foi escalado, uma surpresa até para o ator, que teve uma “visão” deste papel há alguns anos.

O projeto do filme “10 Segundos” surgiu com Thomas Stavros, então “apenas” um ator e roteirista de teatro. Certa vez, ele sonhou estar lutando boxe e, neste sonho, era chamado de Eder Jofre. No dia seguinte, já com a ideia de fazer um filme sobre o ex-boxeador, saiu à sua caça, fez amizade e ganhou a benção dele.

Enquanto Thomas brigava dia a dia para convencer as pessoas de que seu projeto era viável e merecia espaço no cinema, outra história curiosa ocorria paralelamente, com Daniel de Oliveira.

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O ator relata: “Este convite para o filme apareceu, na verdade bem, depois do desejo de interpretar o Éder Jofre nos cinemas. Há 6 ou 7 anos, eu estava em São Paulo, em um hotel, tomando banho. De repente fechei o punho e soquei a parede... Disse em voz alta que interpretaria o Eder nos cinemas. Não sei de onde tirei esse pensamento. Bem coisa de maluco mesmo (risos) É um mistério sem explicação”.

Daniel diz que não apenas queria ser Eder, como foi atrás. Ligou para o bicampeão, mas ouviu que já havia um filme sobre ele em planos. “Então, deixei de lado, totalmente frustrado”.

Stavros também precisou abrir mão de seu sonho em alguns momentos, para realizar outros trabalhos, mas nunca desistiu. Conseguiu diversas reuniões com a Globo, mas a princípio, só ouviu “nãos”. As negativas também vieram de diversos nomes do cinema. Ouviu que “é muito caro”, que "está maluco”. Mas, com o tempo, fez valer seu ponto.

“Lá pela décima reunião com a Globo e o Rogério, conseguimos nos acertar e o projeto decolou em três meses. Esses meses justificaram os dez anos: a Globo colocou o elenco à disposição, garantiu praticamente 100% do investimento e tiveram um carinho e respeito muito grande com o Eder. É uma grande aposta deles", detalha Stavros

Agora em parceria com a Globo Filmes, Stavros - criador, roteirista e produtor - têm no comando de seu projeto o diretor Rogério Gomes (o Papinha) e os produtores Chico Abréia, Flavio Tambelinni e Breno Silveira. A presença de Rogério facilitou ter Daniel no elenco.

“Os anos se passaram e um belo dia meu professor de krav maga, Antônio Roseira, me mandou um link com uma matéria que dizia que eu estava sendo cotado pra fazer o Eder Jofre. Não acreditei, fiquei sem respirar (risos). Quando vi o nome do diretor então... Conheço demais o Papinha, trabalhamos juntos em ‘Cabocla’. Parceiro. Na mesma noite, fui a uma festa com Sophie (Charlotte, sua mulher) e lá estava o Papinha. Contei minha 'viagem' no chuveiro, e ali já estava certa minha participação no filme”, conta Daniel.

Eder Jofre, ele próprio, já gravou sua participação no filme - ele aparecerá no começo, apenas - e se encontrou com Daniel e o veterano Osmar Prado, que viverá seu pai, Aristides “Kid” Jofre. “Achei legal, até meio parecido comigo mais novo”, comentou contente Eder, que aprovou as escolhas.

A ideia é filmar “10 Segundos” a partir de fevereiro e lançá-lo antes das Olimpíadas do Rio, em agosto de 2016. Depois disso, a Globo já tem planos de “quebrar” a história em capítulos e apresentá-la como uma minissérie, em quatro episódios.

Preparação

Uma curiosidade do filme é que Daniel de Oliveira “roubou” a vaga que Stavros a princípio sonhava ter. O criador pensava viver Eder nas telas, mas, com o desenrolar do projeto, viu que tinha de abrir mão. “Quando o Rogério falou do Daniel, eu abracei na mesma hora. É um tipo de ator que estávamos procurando, de composição, um cara perfeito para fazer o Eder. Ele já está treinando boxe, vai fazer uma imersão e fazer todo um trabalho junto ao Eder e a família Zumbano”, explicou Stavros, que agora se candidata a viver Tonico Zumbano, o Zumbanão - mas ainda terá de passar por testes, como qualquer ator para provar que pode fazer o papel.

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Para Daniel, ainda há um trabalho com a Globo antes de partir para o desafio de viver seu primeiro lutador. O ator já fez cenas de luta, mas envolvendo brigas, e não esporte. Ele já iniciou os treinos, acrescentando três sessões por semana da nobre arte ao que já praticava antes, krav maga e jiu-jítsu.

“Estou encantado com o boxe. Os treinamentos estão cada vez mais intensos e, devagar, devo pegar o espírito do boxe e, como consequência, fazer melhor o Eder Jofre”, diz ele.

Dois fatores fundamentais serão a preparação física e a alimentação. Daniel precisará perder peso e definir músculos para viver a primeira fase da carreira. Depois, engordar um pouco na parada que Eder deu na carreira antes de retomar o boxe e ser campeão dos penas - aí com o ator novamente mais forte e mais pesado do que naquele começo. O mineiro lida bem com as exigências. Mas, educadamente, prefere recusar a ideia de também virar vegetariano, como o Galo de Ouro. “Aí fica difícil para o meu lado! Acho que não teria energia suficiente para os treinamentos”, riu Daniel.

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