UOL Esporte Ciclismo
 
21/08/2009 - 12h00

Em busca de percurso mais técnico e ampliação, Volta de SP dá a largada

Maurício Dehò
Em São Paulo
PAGLIARINI VOLTA A SÃO PAULO
E É COMPARADO A RONALDO
Divulgação
Pagliarini volta ao Brasil e à Volta de São Paulo, que correu na temporada de 2005
Luciano Pagliarini retorna ao Brasil e competirá pela Memorial, de Santos, na Volta de São Paulo. Um dos principais nomes do ciclismo brasileiro, ele está na Europa há mais de uma década. Seu retorno foi até comparado à ida de Ronaldo ao Corinthians. No entanto, em termos de resultado, as pretensões do paranaense são modestas.

Pagliarini está há nove meses afastado das competições de estrada devido a problema no que seria sua nova equipe em 2009. Assim, encara a competição paulista como um treino para voltar a ter ritmo. "Não estou preocupado com resultados. Apesar da experiência, estou sem nível técnico de competição. Para as próximas, dará para pensar, já que estarei no Brasil até o fim do ano", afirmou Pagliarini, que também passou a se dedicar a provas de pista. Ele ainda aproveita para ficar de olho nos garotos do ciclismo brasileiro, para o projeto que tem levado atletas do país para disputarem provas por equipes da Europa.
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A Volta de São Paulo se tornou nos últimos anos a maior competição ciclística do país, pela competitividade, estrutura e segurança mostradas. Neste sábado, será dada a largada para mais uma edição do evento, com nove dias de competições e 1.289 km de pedaladas nas estradas paulistas. Já de olho no futuro, a organização estendeu em um dia o evento, aumentou a heterogeneidade das provas, e está de olho em uma nova ampliação no futuro, para colocar o evento no nível dos europeus.

Neste sábado, o pelotão formado por 20 equipes - 14 nacionais e seis estrangeiras -, disputará uma etapa dentro de São Paulo, um contra-relógio por equipes com 6 km de duração. Depois disso, a maratona começa, com os ciclistas passando por mais de 70 cidades, em nove etapas - a última parte de Jundiaí de volta para a capital paulista.

"As maiores diferenças em relação a 2008 são no percurso. Este ano, a Volta ganhou um dia a mais de competição e uma dinâmica diferente. Agora, além de provas médias e longas, também temos curtas", afirmou Thadeus Kassabian, da organizadora do evento, referindo-se justamente ao contra-relógio paulistano. "Todas as grandes competições mudam a cada ano. Isso aumenta a dificuldade e equilibra o nível para os ciclistas". A ideia é de que a prova passe, num futuro próximo, a ter entre dez e 12 etapas.

A Volta de São Paulo recebe elogios de nomes como Luciano Pagliarini, que veio ao Brasil disputar a competição. "Eu disputei em 2005, foi bacana. Posso dizer que muitas provas do ProTour [circuito profissional da UCI] não tiveram a organização que vi aqui, com hotel, estradas sem buraco, segurança", afirmou o paranaense, há mais de uma década na Europa.

Mauro Ribeiro, técnico da seleção e da equipe Flying Horse/Caloi/Unilance, também destacou estes pontos, mas enxerga que ainda há muito o que melhorar no "Tour" brasileiro. Especialmente na hora de mapear a competição. "O percurso é mediano, devido à sua distribuição regular. Ele pode ser considerado fácil, por não ter dificuldades pontuais, como grandes escaladas", explica ele, o único brasileiro a vencer uma etapa da Volta da França.

Para Mauro Ribeiro, desafios como subir o Pico do Jaraguá poderiam dar um toque especial à Volta de SP. Além disso, o problema é que os ciclistas passam boa parte do tempo em rodovias em perfeitas condições, que exigem pouco do pelotão em termos de posicionamento. O ideal seria trafegar por estradas secundárias, mais sinuosas e estreitas. "Como nível técnico, a competição ainda tem muito a melhorar, apesar de isso fugir um pouco da organização e ter muito relacionado com a política com as cidades", completou o técnico, que ainda estará de olho nos brasileiros que podem integrar a seleção brasileira.

A VOLTA DE SÃO PAULO EM NÚMEROS
Sérgio Shibuya/MBraga Comunicação/Divulgação
Estradas de São Paulo levaram os ciclistas a mais de 70 cidades durante nove etapas
OS NÚMEROS:
160 ciclistas
20 equipes - seis estrangeiras
Total de 1.289,4 km
70 municípios
15 rodovias estaduais
100 mil copos de água
AS 9 ETAPAS
22/08: 7h - São Paulo contra-relógio por equipes - 6 km
23/08: 7h40 - São Paulo/São José dos Campos - 91,1 km
24/08: 7h - S.José dos Campos/Atibaia 113 km
25/08: 7h - Atibaia/São Carlos 247 km
26/08: 7h - São Carlos/Ribeirão Preto 99,5 km
27/08: 7h - Ribeirão Preto/Bauru - 211,6 km
28/08: 7h - Bauru /Sorocaba 181 km
29/08: 7h - Sorocaba/Campinas 169,6 km
30/08: a definir - Jundiaí/São Paulo 51,5 km
Para aumentar a dificuldade, a organização fez alterações no percurso. A abertura é em contra-relógio, com um percurso plano, assim como a segunda etapa, até São José dos Campos. Depois de irem a Atibaia, a quarta etapa será a mais comprida, com 247 km até São Carlos. Após passagem por Ribeirão Preto e outra longa etapa, até Bauru (211,6 km), começa o retorno para São Paulo. Sorocaba, Campinas e Jundiaí completam os últimos trechos, sendo que a chegada terá a Ponte Estaiada, da capital, como fundo.

Disputa acirrada
Os brasileiros lutarão para manter o domínio na maior volta do país, após vitórias nos anos anteriores. Mas, terão de bater ciclistas e equipes estrangeiras se quiserem ficar com o título.

Neste ano serão seis equipes "gringas": a neozelandesa Cicloravena/Instituto P+A, a alemã Demag Racing Team, a portuguesa Barbot/Siper/Azeite Vila Flor, a argentina Acme/Zero Graviti, a chilena Polidesportivo Sketchers/Trek e a Club Copsa, do Uruguai. Algumas vêm com times completos e outras aproveitam para mesclar atletas jovens e experientes para que ganhem rodagem e somem pontos no ranking da UCI - o vencedor leva 40.

Entre os times brasileiros, a Scott/Marcondes César, de São José dos Campos, tenta se manter sozinha como maior vencedora, depois dos títulos de 2005 e 2007. No individual, a Memorial-Santos foi campeã em três oportunidades. Na estreia, em 2004 (com Antonio Nascimento), em 2005 (com o argentino Jorge Gianciti) e em 2007, com Marcos Novello. Em 2008, Gregori Panizo foi o campeão, também pelo Brasil.

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