UOL Esporte Ciclismo
 
01/03/2010 - 07h00

Pagliarini volta ao Brasil com status de estrela e em equipe que chega à elite

Maurício Dehò
Em São Paulo
  • Lcuano Pagliarini veio ao Brasil e agora compete na Scott/Marcondes César, de São José dos Campos

    Lcuano Pagliarini veio ao Brasil e agora compete na Scott/Marcondes César, de São José dos Campos

O ciclista brasileiro Luciano Pagliarini foi um dos responsáveis por tentar erguer a bandeira brasileira no ciclismo europeu, o mais forte do mundo. Depois de 11 anos no Velho Continente, onde correu em equipes de primeira linha, o paranaense retornou ao Brasil com status de estrela e é alvo até de tietagem quando vai para as competições.

“As pessoas tem curiosidade, rola até uma tietagem dos ciclistas mais novos, um respeito grande”, conta o atleta da equipe Scott/Marcondes César, de São José dos Campos, a maior do cenário brasileiro atual.

A decisão de Pagliarini aconteceu após um ano conturbado em 2009, quando deixou de correr na grande Sauniere Duval e também não conseguiu fechar negociação com uma equipe novata, que não saiu do papel. Assim, acabou pensando não só no retorno ao país, em um grande projeto, mas também em combinar seu calendário para competir também no ciclismo de pista.

“Tenho uma filhinha de dois anos e meio e queria que ela começasse a estudar aqui, para ficar perto da família. E, por outro lado, teve a parte do ciclismo. Com o fim da Saunier, tive uma desilusão que se somou a outros fatores para que eu viesse para o Brasil”, disse ele.

CICLISTA DIVIDE O TEMPO: PISTA E ESTRADA

  • Pagliarini manterá o objetivo de dividir seu tempo entre o ciclismo de estrada, sua especialidade, e o de pista. Na chegada ao Brasil, ele conquistou três ouros no Campeonato Brasileiro. "Foi uma grande conquista, mas a pista no Brasil ainda é meio parada. Então, quero compartilhar meu tempo", explicou. Os treinos para as provas mais longas de pista e os para estrada são parecidos, o que ajuda na preparação.

    Aos 31 anos, Pagliarini está longe de pensar em parar. Além de querer ajudar o projeto "mundial" da Scott, tem como objetivo vestir as cores do Brasil em sua terceira Olimpíada, que espera estar presente em Londres-2012.

A sorte de Pagliarini foi na combinação de sua volta e a ascensão da equipe Scott, que conseguiu um “passe” valioso. O time foi escolhido neste início de ano para fazer parte da categoria Profissional Continental da União Ciclística Internacional. Pela primeira vez, o Brasil tem um time na categoria que dá convites para provas como a Volta da França e só fica abaixo das equipes do ProTour.

Isso dá acesso a provas estrangeiras, como a Volta da Turquia, que terá a presença de Pagliarini e seus companheiros, no mês de abril. As provas da UCI contam com os times do ProTour, mas também obrigatorimente com convidados do Profissional Continental.

Os desafios começaram com competições na América do Sul neste ano. Em fevereiro, o paranaense mostrou estar em boas condições ao vencer três etapas da Ruta de Americas, disputada no Uruguai. Todos os triunfos foram no sprint final e de forma muito disputada. A Scott foi a segunda colocada na competição, com Magno Nazaret sendo vice-campeão no individual geral.

“Estou com uma ótima equipe, com a única estrutura profissional da América do Sul. Ganhei três etapas no sprint final, que é minha especialidade, então não poderia ser melhor. Mostrei que estou em grande nível batendo os melhores da América”, analisou ele. “Este projeto é um grande passo. Agora o mundo inteiro poderá ver a equipe e falar no Brasil. Não ajuda só a Scott, mas o ciclismo brasileiro”

Apesar disso, Pagliarini admite que as condições são diferentes da que vivia, inclusive quanto aos ganhos financeiros. “Aqui é a realidade do Brasil, mas temos a estrutura que precisamos. Eu passei 11 anos na Europa em que pude fazer meu pé de meia e valeu a pena. Hoje estou numa equipe que proporciona um nível que, por ser no Brasil, considero que está muito bom”, completou.

Enquanto Pagliarini se mudou para o Brasil, o outro grande nome do Brasil na Europa, Murilo Fischer, transferiu-se de equipe mas segue na Europa. Ele deixou a Liquigas, com que disputou a Volta da França e foi para a Garmin-Transmitions.

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