UOL Esporte Ciclismo
 
11/08/2010 - 07h00

Em crise financeira, equipe estuda abrir mão da elite e deve enxugar plantel

Maurício Dehò
Em São Paulo

A Scott/Marcondes César, de São José dos Campos, iniciou a temporada com objetivos grandiosos, depois de conseguir  licença inédita para uma equipe de ciclismo nacional. A entrada na elite, no entanto, acabou sendo traumática por conta de uma crise financeira que causou atrasos de salário e conflito entre direção e ciclistas. Agora, o time diz ter resolvido os problemas, mas pode acabar abrindo mão da conquista, que sequer completou uma temporada.

CARLINHOS E PAGLIARINI VIVEM IMPASSE

  • Enquanto Carlinhos, dono da Scott, afirma que está resolvendo os problemas, Luciano Pagliarini está parado. De volta ao Brasil após mais de uma década na Europa, ele apostou na Scott - e sua licença - mas desde o protesto quanto ao atraso salarial, em junho, não corre. O dirigente diz não ter colocado o ciclista na 'geladeira', mas Pagliarini critica.

    “Estou esperando o cara falar comigo, mas já faz quase 50 dias que ele não fala”, diz Pagliarini. “Estou à disposição, desde que se pague os salários dos atletas e se mantenha o que foi assinado em contrato”.

    “Como está na geladeira? Eu não coloco ninguém na equipe por nome, ponho quem está melhor. E mesmo assim ganhamos os Jogos Regionais, a 9 de Julho. Não o descarto de jeito nenhum, mas ele tem de demonstrar que está bem e conquistar seu espaço”, retruca Carlinhos.

Em reportagem publicada na última quinta-feira, o UOL Esporte detalhou os problemas na Scott, que é a maior equipe do Brasil. Os atrasos salariais culminaram com um protesto de seu principal ciclista, Luciano Pagliarini, que chegou a protestar no Campeonato Brasileiro e não participar da prova, em junho.

O dono do time José Carlos Monteiro, o Carlinhos, afirma que na sexta-feira os problemas passaram a ser resolvidos e que mudanças serão feitas, desde o elenco, passando pelos níveis burocráticos da Scott.

“Estamos remanejando nosso projeto, porque houve uma consequência absurda com a saída de dois patrocinadores”, alega Carlinhos, que admite as dívidas. “Somos sérios em falar que temos esses problemas sim. Mas vamos regularizar, é uma questão de tempo para sentarmos com cada um e acertarmos o futuro. Estes dois apoios deixarão nosso uniforme nas próximas semanas.”

Além de Pagliarini, que está afastado das competições desde seu protesto, nomes como Tiego Gasparotto e o argentino Jorge Giacinti sofretam com o atraso. Tiego inclusive trocou o time de São José dos Campos pelo de Pindamonhangaba e levou uma bicicleta de cerca de R$ 14 mil como garantia de que receberá o pagamento no futuro.

LEIA MAIS DO CASO

  • Divulgação

    Pagliarini foi o primeiro a expor publicamente os problemas vistos dentro da Scott/Marcondes César

“Tivemos de dar dois passos para trás, até para salvar a dignidade dos nossos patrocinadores principais”, acrescentou Carlinhos. “Demos um passo muito bom ao conseguir o registro (de equipe profissional continental da UCI). Para provar a esses patrocinadores que o ciclismo é um bom produto leva tempo, mas tivemos quatro meses de sofrimento absurdo.”

“Agora teremos mudanças radicais, mesmo em competições. Tínhamos viagem marcada para os Estados Unidos, mas não vamos para colocar a situação em ordem”, disse ele, enumerando mudanças. “Vamos reestruturar a equipe, diminuir a idade dos atletas para a próxima temporada. Para sobrevivermos teremos de passar por alguns sacrifícios. Além disso, eu só cuidarei da parte técnica. Uma empresa ficará com o financeiro e outra com a parte de logística.”

Passo maior que a perna?

Carlinhos não chega a definir a aposta da Scott como um “passo maior que a perna”, como diz o ditado. Mas já cogita deixar momentaneamente a elite do ciclismo, que foi conquistada quando recebeu a licença profissional continental da UCI, que permite que a equipe seja convidada para as maiores competições do ciclismo.

“O que está em cheque é até que ponto se compensa ter essa licença. Será que temos atletas para isso? É uma coisa a ser pensada se vale a pena pagar fortunas de taxas para correr de cinco a oito provas lá fora. Talvez o Brasil ainda não esteja preparado para ter uma estrutura deste tamanho”

O dono do time afirma que, além de reduzir o plantel da Scott em idade, pode também diminuir o número de atletas. “Contaremos apenas com quem quiser estar no time”, concluiu.

Placar UOL no iPhone

Hospedagem: UOL Host