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"Não sentia que era errado", afirma Armstrong; ex-ciclista diz que câncer o fez querer ganhar tudo

(AP Photo/Courtesy of Harpo Studios/George Burns
Lance Armstrong assumiu que se dopou nos sete títulos da Volta da França Imagem: (AP Photo/Courtesy of Harpo Studios/George Burns

Do UOL, em São Paulo

18/01/2013 08h15

Ao assumir que se dopou em todos os sete títulos da Volta da França que conquistou, Lance Armstrong também revelou que “não se sentia errado” por tomar essa atitude. “À época, não via isso como trapaça”, afirmou. “Me dopar era parte do trabalho”, completou o americano.

Além disso, assumiu que a “vontade de ganhar tudo” que o motivou a disputar e vencer a Volta da França por sete vezes surgiu após o diagnóstico de câncer no testículo. “Ganhar era importante e eu ainda gosto. Passei a pensar assim após o câncer”, disse Armstrong.

Em entrevista ao programa Oprah’s Next Chapter, exibido nesta quinta-feira pela rede OWN, o ex-ciclista revelou que se beneficiou do uso do hormônio Eritropoietina, conhecido como EPO, de testosterona e de transfusões de sangue para melhorar seu desempenho.

Agora, ele se diz arrependido. “O importante é que eu comecei a entender. Eu vejo a raiva nas pessoas. Eu as traí”, afirmou. “As pessoas que torceram por mim, acreditaram em mim, essas têm o direito de se sentir traídas. Sei que perdi muitas para sempre, mas me esforçarei para recuperar a confiança delas” completou o ex-ciclista.

Armstrong ainda opinou que acha que é muito tarde para assumir seus erros, e que não é porque assumiu que se dopava que o caso será dado como encerrado. “E vejo essa situação como uma grande mentira que eu repeti diversas vezes. Eu sempre soube a verdade e não posso dizer que agora tudo isso é passado”, disse.

Armstrong foi campeão da Volta da França entre 1999 e 2005. Mesmo antes da confissão, o ciclista americano teve seus títulos cassados.

Durante a entrevista para Oprah, Armstrong ainda afirmou que a imagem de herói construída em torno dele fez com que ele relutasse em vir a público para falar a verdade.

"Essa é a melhor pergunta. Não sei se tenho uma resposta. Agora, é tarde demais para mim e para a maioria das pessoas. Eu construí uma grande mentira", disse o ex-ciclista, quando questionado sobre os motivos que o fizeram esconder o doping.

CRONOLOGIA DAS INVESTIGAÇÕES CONTRA ARMSTRONG

  • AFP PHOTO/HARPO STUDIOS/GEORGE BURNS

    2004 - Armstrong é acusado de doping em um livro escrito pelos jornalistas David Walsh e Pierre Ballester.

    2005 - Imprensa francesa acusa Armstrong de usar a substância proibida EPO (Eritropoietina) para vencer o Tour de France. Nada foi comprovado pela ineficácia dos exames.

    2010 - Ex-companheiro de Armstrong, Floyd Landis admite doping e acusa o ex-parceiro de ter feiro o mesmo. Órgão administrativo de Medicamentos e alimentos dos EUA abre processo contra Armstrong.

    2011 - Mais dois ex-companheiros de Lance Armstrong acusam o americano de ter se dopado. Autoridades da Itália, Suíça, França e Espanha apoiam os EUA nas investigações.

    2012 (fevereiro) - Fiscal federal norte-americano encerra investigações sobre o ciclista e a Agência Antidoping dos Estados Unidos (USADA) inicia sua própria inquirição.

    2012 (agosto) - Agência Antidoping dos Estados Unidos (USADA) acusa Armstrong de doping com base em exame de sangue e depoimento de ciclistas

    2012 (outubro) - Informativo da USADA de 202 páginas, com mil testemunhos e estudos do caso, acusa Armstrong de ter criado "o programa de doping mais sofisticado da história do esporte". União Internacional de Ciclismo desconsidera as sete vitórias do americano na Volta da França. Nike põe fim em contrato com o ciclista.

    2013 (janeiro) - Armstrong admite ter de dopado e pede desculpas pessoalmente aos integrantes de sua fundação de luta contra o câncer Livestrong.

    2013 (janeiro) - COI anuncia a retirada da medalha de bronze conquistada por Armstrong na Olimpíada de Sydney-2000.

COMO FUNCIONA A ERITROPOIETINA (EPO)?

A eritropoietina (EPO) é um hormônio proteico natural. É secretado pelos rins durante condições de baixos níveis de oxigênio. A EPO estimula as células tronco da medula óssea a produzir glóbulos vermelhos, que aumentam o transporte de oxigênio para os rins. Os atletas de resistência, como aqueles que competem em maratonas, ciclismo ou esqui em regiões planas e rurais cobertas de neve, podem usar EPO para aumentar o fornecimento de oxigênio, de 7 a 10%. É uma substância difícil de ser detectada em exames.
Saiba mais sobre esta substância e outros tipos de doping

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