Esporte

Ciclista que salvou judeus na guerra transportou até pessoas de bicicleta

Reprodução/Twitter
Bartali ganhou três vezes o Giro d'Italia e duas o Tour de France Imagem: Reprodução/Twitter

Do UOL, em São Paulo

23/02/2017 06h00

Neste mês, alguns veículos europeus noticiaram o estado de abandono e o possível fechamento do museu dedicado a Gino Bartali, uma lenda do ciclismo. Mas o alerta não foi dado apenas em nome da memória vitoriosa de um esportista. O italiano foi muito mais que isso: usou sua fama como atleta para salvar judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

A maioria dos relatos detalha como ele fazia para transportar documentos falsos que ajudavam os judeus a fugirem, mas Bartali foi além: ele chegou a levar judeus escondidos em uma estrutura ligada a sua bicicleta.

Como já era um ciclista famoso na Itália, país onde o esporte é tradicional (abriga uma das três competições de estrada mais importantes do mundo), Bartali puxava uma espécie de vagão ligado a sua bicicleta. Aos patrulheiros, dizia que carregava seu equipamento de treino.

Foi assim que Bartali saiu da Itália e pedalou até a Suíça levando alguns judeus escondidos, sendo puxados pela força de suas pernas no pedal. "Um homem faz algumas coisas e é assim que funciona", disse o ex-ciclista, segundo relato de seu filho, Andrea. "Ele falava pouco sobre o que fez durante a guerra", emendou o filho.

Falando pouco ou não, a forma como arriscou sua vida para salvar judeus se tornou conhecida. De acordo com levantamento do jornal Corriere della Sera, Bartali ajudou a salvar cerca de 800 judeus.

Sua estratégia mais comum de contribuição era transportar sob o banco de sua bicicleta documentos que serviam para a falsificação de documentos de judeus. Certa vez, segundo o jornal italiano, Bartali foi advertido por autoridades nazistas de que não deveria frequentar mais alguns lugares.

O italiano, então, escondeu sua família e seguiu com sua missão de "carteiro ilegal". Bartali morreu em 2000, aos 85 anos. Ele ganhou três vezes o Giro d'Italia e duas o Tour de France. 

Uma de suas netas, Lisa, hoje faz um apelo para que o museu dedicado a ele, num pequeno vilarejo da Toscana, receba ajuda para não fechar. Até hoje, segundo ela, inúmeros judeus enviam cartas reconhecendo a importância de Bartali e o definindo como um herói.

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