Esporte

Delator de Lance Armstrong vende cannabis e vai montar time de ciclismo

Teaukura Moetaua/Getty Images
O ex-ciclista norte-americano Floyd Landis Imagem: Teaukura Moetaua/Getty Images

Do UOL, em São Paulo (SP)

11/10/2018 04h00

Delator de um esquema de doping que escandalizou o ciclismo e atualmente empresário do ramo de cannabis nos Estados Unidos, o ex-atleta Floyd Landis vai voltar ao esporte. E quem vai bancar a empreitada, de certa forma, é Lance Armstrong, o alvo principal de suas denúncias por uso de substâncias proibidas. 

No dia 4 de outubro, Landis anunciou a criação da Floyd's of Leadville Pro Cycling Team, equipe com base no Canadá e focada em desenvolver talentos ao ciclismo. O investimento, por volta de US$ 750 mil (R$ 2,8 milhões na cotação atual), saíra da indenização que recebeu como denunciante, conforme determinou a Justiça dos Estados Unidos em abril passado - US$ 1,1 milhão dos cerca de US$ 5 milhões devolvidos por Armstrong, referentes a patrocínios quando ainda competia.

Sete vezes campeão da Volta da França, entre 1999 e 2005, após se recuperar de um câncer nos testículos, Lance Armstrong se transformou em ícone do ciclismo pela carreira vitoriosa e história de superação, mas acabou banido pela Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada, sigla em inglês), em 2012. Segundo a investigação do órgão, ele se utilizou de "um dos mais sofisticados esquemas de doping já criados" com uso de esteroides aliado a transfusões de sangue para não deixar rastros nos exames de controle. Todos os resultados que ele conquistou a partir de 1998 foram anulados.

Apesar das constantes suspeitas, o processo para comprovar as trapaças de Armstrong e de outros ciclistas de elite foi possível graças aos delitos de Landis, flagrado em exame antidoping durante a Volta da França de 2006, ano em que venceu a competição, título que foi cassado posteriormente.

Em 2010, ao confessar o uso de substâncias proibidas, Landis decidiu mostrar que não era o único em situação irregular e enviou um e-mail ao então presidente da Federação de Ciclismo dos Estados Unidos, Steve Johnson, detalhando como ele, Armstrong e outros integrantes da equipe US Postal utilizavam métodos ilegais para ganhar performance e superar a concorrência nas principais competições de ciclismo de estrada. 

Antes da denúncia contra ex-companheiros, o norte-americano havia sido suspenso do esporte por dois anos, ensaiou volta aos pedais em 2009, mas, ao confessar o uso de doping e virar delator, teve de encerrar a carreira, em 2011. Para Landis, investir no desenvolvimento do ciclismo será uma forma de compensar as decisões equivocadas como atleta.

"Eu tenho uma relação conflituosa com o ciclismo, como todos sabem, mas ainda gosto. Ainda me lembro de como era bom ser criança e competir em uma equipe doméstica. Foi um dos melhores anos da minha vida. Estou arrependido do que aconteceu, mas você nunca pode voltar atrás e mudar as decisões que tomou. No mínimo, as pessoas podem ver que estou pronto para seguir em frente. Talvez pareça estranho, mas é meio que um desfecho para mim", afirmou o ex-ciclista ao jornal norte-americano "The Wall Street Journal".

Bryn Lennon/Getty Images
Landis festeja título da Volta da França, em 2006 Imagem: Bryn Lennon/Getty Images

Falência, divórcio e recomeço como vendedor de cannabis

Um ano antes da delação, em 2009, já punido por doping e sem mais o status de campeão da Volta da França, Floyd Landis entrou em colapso pessoal. Viciou-se em álcool e analgésicos, embora insista que enviou o e-mail de denúncia que entregou Armstrong em um dia de sobriedade. Vendeu a casa, decretou falência e perdeu a esposa, Amber, que pediu o divórcio.

"Toda a minha vida estava completamente de cabeça para baixo e eu não estava preparada para nada disso", afirmou ele à revista "The Atlantic", em abril.

Em 2011, Landis cogitou tentar a sorte como piloto da Nascar, mas voltou às manchetes no ano seguinte devido a fraudes fiscais. Em 2016, ele conseguiu incentivos financeiros no estado do Colorado para montar uma empresa que desenvolve produtos terapêuticos à base de cânhamo, planta da família da cannabis, e de canabidiol, um dos princípios ativos da maconha.

O comércio legal de derivados de cannabis nos Estados Unidos, seja para consumo recreativo ou fins medicinais, deverá movimentar US$ 47 bilhões (R$ 176,7 bilhões) até a próxima década, de acordo com a instituição financeira RBC Capital Markets, em relatório divulgado em agosto.

Com 50 funcionários, a empresa se chama Floyd's of Leadville, o mesmo nome da equipe de ciclismo que Landis lançou neste mês. Cerca de 50 lojas revendem seus produtos no território norte-americano onde a venda desse tipo de produto é regulamentada. No Instagram, o ex-atleta já anunciou venda de camisas e luvas com a logomarca do novo time, que ficará sediado no Canadá para evitar conflitos com a federação norte-americana.

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