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Santos ganhou "meio bilhão" com venda de atletas desde 2010 e está largado

Geração de Neymar, Ganso e André rendeu muito dinheiro ao Santos. Onde foi parar? - Robson Ventura/Folhapress
Geração de Neymar, Ganso e André rendeu muito dinheiro ao Santos. Onde foi parar?
Imagem: Robson Ventura/Folhapress
Samir Carvalho

Samir Carvalho

Setorista do Santos do UOL Esporte, o jornalista acompanha o clube alvinegro desde 2005.

31/08/2018 08h29

O UOL Esporte revelou nesta sexta-feira (31) o abandono que o Santos sofre em relação a investimentos no CT Rei Pelé. O curioso é que eu fui procurado por atletas e profissionais do clube que, empolgados com o desabafo de Cuca em relação à falta de profissionalismo, fizeram a denúncia. Eu nem precisei “gastar” o telefone.

Quando eu soube de goteiras na academia, falta de roupas de treino, cones e etc, eu pensei: "pode isso, Arnaldo? O clube que mais vendeu estrelas nos últimos oito anos". Aliás, desde a construção do CT Rei Pelé e os azulejos colocados na fachada da Vila Belmiro na gestão de Marcelo Teixeira, não se investiu mais no patrimônio do clube.

Por conta disso, eu, o único repórter barrado na reunião do Conselho Deliberativo por maioria de votos na história do Santos (na gestão Odílio Rodrigues) e criticado por muitos torcedores, fiz o trabalho que os conselheiros, o Conselho Fiscal e a Comissão de Inquérito e Sindicância deveriam ter feito: levantar os valores que o clube ganhou com venda de atletas desde 2010. 

O clube movimentou com vendas de jogadores neste período aproximadamente R$ 640,4 milhões. Deste valor, pelo menos R$ 458,3 milhões chegaram aos cofres do Santos (veja no final a lista completa).

Vale ressaltar que nem contabilizei a boa grana que o Santos ganhou com o mecanismo de solidariedade da Fifa por ser clube formador. O clube colocou em seus cofres R$ 34 milhões somente com a transferência de Neymar do Barcelona ao Paris Saint-Germain, em 2017. E assim ganhou com Felipe Anderson, Danilo e outros que brilham na Europa, enquanto o clube tem a luz cortada por falta de pagamento (isso ocorreu em 2015, é verdade). Somando toda essa grana, dá mais de “meio bilhão”.

É muita grana e, por isso, eu pergunto: “Onde está o dinheiro de Neymar, Ganso, Rodrygo, Gabigol, Danilo, Alex Sandro, Wesley, André, Jonathan, Zé Eduardo (até com o Zé Love ganhou dinheiro), Alan Patrick, Felipe Anderson, Rafael Cabral, Geuvânio, Emerson Palmieri, Thiago Maia e Serginho?”.

Não estou acusando ninguém de roubo, longe disso. Mas cadê o investimento? Não se vê. Pelo contrário. Em toda troca de gestão escrevo matérias que causam chacota dos torcedores rivais: Santos deve para floricultura e CT que revelou Neymar tem galinheiro construído, entre outros.

E a culpa é minha? Para os fanáticos sim, mas para os sensatos, inteligentes, a culpa é de quem não pagou a conta, a culpa é de quem construiu um galinheiro e criou galos em volta do vestiário dos jogadores.

Aliás, me lembro de antecipar em matérias que Neymar estava vendido para o Barcelona e fui acusado por anos de escrever mentiras só para tumultuar o ambiente em vésperas de jogos importantes. Aliás, quem começou com essa lenda foi um ex-presidente em uma entrevista, o mesmo que assinou a carta que permitiu a venda de Neymar ao Barça antes duelo entre as duas equipes no Mundial de clubes.

Por fim, esse desabafo foi "incentivado" por Cuca. Motivados pelas críticas do treinador, primeiro vieram os atletas e profissionais, que reclamaram da falta de estrutura no CT Rei Pelé. E agora eu.

Aliás, falando em falta de estrutura, fui à coletiva do diretor executivo Ricardo Gomes na última quarta-feira, no CT Rei Pelé, e sentei na primeira fileira. E um companheiro de imprensa, da Santos TV, pediu para que eu ficasse de cabeça baixa, pois eu estava atrapalhando a visão. Entrevistei o dirigente encurvado e me perguntei: “quem projetou essa sala?”.

Veja a lista completa de atletas vendidos:

André (Dinamo de Kiev-UCR, em 2010): 8 milhões de euros (R$ 18 milhões à época). O clube ficou com 4 milhões de euros (R$ 9 milhões).

Danilo (Porto-POR, em 2011): 13 milhões de euros (R$ 29 milhões à época). O clube ficou com 9,7 milhões de euros (R$ 21,7 milhões).

Alex Sandro (Porto-POR, em 2011): 9,5 milhões de euros (R$ 21 milhões à época). O clube ficou com 1,1 milhão de euros (R$ 2,4 milhões) .

Jonathan (Inter de Milão-ITA, em 2011): 5 milhões de euros (R$ 11 milhões à época). O clube ficou com 3 milhões de euros (R$ 6,5 milhões).

Zé Eduardo (Genoa-ITA, em 2011): 5 milhões de euros (R$ 11 milhões à época). O clube ficou com 2,7 milhões de euros (R$ 6,1 milhões)

Alan Patrick (Shakhtar Donetsk-UCR, em 2011): 6 milhões de euros (R$ 14 milhões à época). O clube ficou com 3 milhões de euros (R$ 7 milhões).

Paulo Henrique Ganso (São Paulo, em 2012): R$ 23,9 milhões.

Neymar (Barcelona-ESP, em 2013): 17,1 milhões de euros (R$ 49,8 milhões à época). O clube ficou com 9 milhões de euros (R$ 26 milhões).

Felipe Anderson (Lazio-ITA, em 2013): 7,8 milhões de euros (R$ 23 milhões à época). O clube ficou com 3,9 milhões de euros (R$ 11,5 milhões).

Rafael Cabral (Napoli-ITA, em 2013): 5 milhões de euros (R$ 16 milhões à época). O clube ficou com 3,5 milhões de euros (R$ 11 milhões)

Geuvânio (Tianjin Quanjian-CHN, em 2016): 11 milhões de euros (R$ 48 milhões à época). O clube ficou com 3,8 milhões de euros (R$ 17,1 milhões).

Gabriel Barbosa (Inter de Milão-ITA, em 2016): 28 milhões de euros (R$ 101 milhões à época). O clube ficou com 18 milhões de euros (R$ 64 milhões).

Emerson Palmieri (Roma-ITA, em 2016): 2 milhões de euros (R$ 7,4 milhões à época).

Thiago Maia (Lille-FRA, em 2017): 14 milhões de euros (R$ 53 milhões à época). O clube ficou com 8,4 milhões de euros (R$ 32 milhões).

Rodrygo (Real Madrid-ESP, em 2018): 43 milhões de euros (R$ 207,4 milhões).

Serginho (Kashima Antlers-JAP, em 2018): 1,8 milhão de dólares (R$ 6,9 milhões). O clube ficou com R$ 5,3 milhões.

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