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Acabou, neném

Gilvan de Souza/Flamengo
Flamengo cresceu nas rodadas finais, mas não adiantou: título ficou com o Palmeiras Imagem: Gilvan de Souza/Flamengo
Leandro Ramos

Leandro Ramos

Carioca, suburbano e flamenguista, Leandro Ramos é ator, diretor, roteirista e centro-avante de pelada. Dirigiu o Larica Total e o Matador de Passarinho entre outros, e é o Julinho da Van, do Choque de Cultura.

2018-11-27T10:40:58

27/11/2018 10h40

Quando o campeonato parou para a Copa do Mundo, o Flamengo nadava de braçada no Brasileiro, estava com cheirinho, catinga, perfume, tudo junto seguindo o líder. Eu, um flamenguista já mais vivido, não me deixei levar pela empolgação assim de cara, pois fui vacinado na campanha de vacinação promovida pelo América-MEX na Libertadores de 2008.

Mas não acreditar cegamente no título não me impede de torcer, muito pelo contrário. A gente só demora mais para embalar, mas depois que embala a frustração é ainda maior. Nós torcedores que não somos do oba-oba, da festa fácil, que somos mais desconfiados e demoramos a entrar no clima, sofremos muito mais quando torcemos por um título que não vem.

É, Palmeiras campeão brasileiro pela segunda vez em três anos. Essa foi uma das conquistas mais tranquilas da história do clube, graças à campanha exemplar no segundo turno e a um Flamengo cirúrgico, que vacilou com precisão nos momentos mais oportunos do campeonato, dando de bandeja para o Palestra seu décimo título brasileiro.

Aliás, a gente que é rubro-negro sabe que o Mengão dá aula na arte de dar mole. Tudo bem que o próprio Palmeiras nos foi uma mãe em 2009, mas neste 2018 o Flamengo caprichou na arte de partir meu coração e dar pontos para quem mais precisava.

Não vou nem entrar no mérito dos pontos perdidos para times de menor expressão, como o Ceará. Foram os erros capitais do Flamengo na reta final que nos custaram sete pontos em três jogos cruciais: aquele 1x1 com Palmeiras onde perdemos um gol feito no fim, o empate com o São Paulo jogando muito melhor do que o tricolor e a derrota para o Botafogo. Esses sete pontos jogados fora nos colocariam três à frente do Palmeiras a uma rodada do fim. Chega a apertar o coração quando penso nesses jogos.

Não acredito que tenha sido um ano perdido, mas foi um ano melancólico. Vimos a ascensão do Paquetazinho, mas sua venda foi igualmente meteórica: quando vimos, já tinha ido.

Testemunhamos o nascimento de mais um bom zagueiro feito em casa, o Léo Duarte. A afirmação do Cuellar como um dos melhores volantes do país hoje. A aula de profissionalismo do Diego Ribas. E pudemos comemorar a ausência de Márcio Araújo no time por um ano inteirinho, o que é sempre bom também.

Passada minha ressaca pelo título do Palmeiras, e vivi intensamente a comemoração dos rivais porque moro próximo do estádio, só posso esperar pelo ano que vem com votos desconfiados de que façamos uma campanha mais concentrada em todos os jogos e sem crises extracampo.

Porque o Flamengo é assim: deixou chegar, f... Ou vai ser campeão contra todas as probabilidades ou vai perder contrariando todas as expectativas. Não existe meio-termo no mar vermelho e preto. Parabéns, Palestra. Nos vemos de novo em 2019.

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