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A Grandeza do Santos anima e desafia Sampaoli

Jorge Sampaoli durante partida entre Santos e River Plate-URU - Amanda Perobelli/Reuters
Jorge Sampaoli durante partida entre Santos e River Plate-URU Imagem: Amanda Perobelli/Reuters
Claudio Zaidan

Claudio Zaidan é radialista há 44 anos. Em São Paulo, trabalhou nas rádios Jovem Pan e Trianon. Entrou na Rádio Bandeirantes em 1994, onde ficou por cinco anos. Voltou para Bandeirantes em 2001, onde atualmente é comentarista.

27/02/2019 04h00

Perdi a conta das vezes que, nas semanas recentes, escutei e li o aviso solene: "Não há garantia alguma de que o Santos conquistará título neste ano". É notável que algumas platitudes sejam ditas com ênfase capaz de ruborizar o Conselheiro Acácio. Sim, não há certeza de que o Santos, sob o comando de Sampaoli, será campeão.

Ainda que Guardiola fosse o treinador, não haveria certeza de título. Futebol não é xadrez, em que o movimento das peças é a realização exata do que foi idealizado.

De resto, nestes tempos, talvez só o torcedor do PSG considere, desde antes da temporada, que seu time certamente ganhará pelo menos um troféu. Vez ou outra, a seleção permitida pelo dinheiro que jorra do Catar fica pelo caminho na Copa da Liga Francesa ou na Copa da França. Mas no Campeonato Francês, disputado no sistema de pontos corridos e em dois turnos, não há, hoje, concorrentes para o Paris - ainda mais depois que o dono do Monaco reduziu drasticamente o investimento.

Mesmo o torcedor da Juventus fica de olho, nas primeiras rodadas, no que podem fazer Napoli e Inter; e o pessoal da Bavária tem sempre alguma preocupação com o que pode vir de Dortmund. Tudo isso é óbvio; tudo isso é tão antigo quanto o futebol.

Não importa. As obviedades e a história não constrangerão os que se preparam para escrever em camisetas, ou em telas, ou em cartolinas: Não há garantia alguma de que o Santos conquistará título neste ano! Talvez alguns repitam o alerta por um bom motivo, ou seja, é como se dissessem: "Não ser campeão em nada diminuirá a importância do trabalho de Sampaoli". Outros, porém, talvez gostem da sentença como forma de dizer que, sem título, as boas ideias nada resolvem.

O reducionismo não exige muito de seus portadores, o que explica sua proliferação. Sampaoli é bom treinador. Seu trabalho no futebol chileno foi muito bom, o que inclui ter seguido o caminho aberto por Bielsa na seleção.

Mas o objetivo primordial de Sampaoli era comandar a Argentina em um Mundial. E ele conseguiu antes do que esperava; provavelmente antes de estar preparado para a tarefa. Na Copa disputada na Rússia, Sampaoli errou além do razoável e em todas as direções, isto é, na convocação, nas escalações e nas substituições.

O Santos é para Sampaoli um recomeço que o anima e o desafia. A eliminação na Sul-Americana desgasta, além de expor a necessidade de contratar pelo menos dois jogadores de bom nível, preferencialmente um lateral para a esquerda e um atacante. Contudo, dadas as circunstâncias, é um bom início de trabalho, em que erros e limitações têm sido compensados com boas ideias, embora estas, às vezes, como no segundo jogo contra o River uruguaio, sejam superadas pelos equívocos.

Sim, Sampaoli é bom treinador. Ao fim, porém, será com ele, e com todos os outros técnicos, o que Otto Glória ensinou: "Treinador, quando ganha, é bestial; quando perde, é uma besta".

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