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Zaidan: Lições do Porto e de Praga para a seleção

JOE KLAMAR / AFP
Firmino cumprimenta Richarlison após marcar pela seleção brasileira sobre a República Tcheca Imagem: JOE KLAMAR / AFP
Claudio Zaidan

Claudio Zaidan é radialista há 44 anos. Em São Paulo, trabalhou nas rádios Jovem Pan e Trianon. Entrou na Rádio Bandeirantes em 1994, onde ficou por cinco anos. Voltou para Bandeirantes em 2001, onde atualmente é comentarista.

2019-03-27T09:56:02

27/03/2019 09h56

No Porto e em Praga, não foi grande coisa o futebol da seleção brasileira. Bons momentos só aconteceram mesmo no segundo tempo do jogo contra os tchecos. O empate por 1 a 1 com o Panamá, para além da saudação ao insólito, mostrou um time enclausurado em uma ideia, como se os jogadores não pudessem escapar do esquema.

O Panamá fez o que tinha de fazer: se fechou em disciplinada retranca e, quando tomou o gol, ousou atacar o oponente repleto de títulos e de fama. A resistência panamenha exigia do Brasil mais do que tocar bem a bola e mais do que mobilidade de seus atacantes; exigia dribles e chutes de fora da área, além de mudanças em sua ideia de jogo. A resposta brasileira foi insuficiente.

Tite, no segundo tempo, tentou resolver parte do problema, escalando Everton - que deveria ter substituído Coutinho, em vez de Paquetá. Quase nada funcionou. E o Panamá, merecidamente, comemorou seu feito histórico.

As coisas no Porto foram ruins para a seleção brasileira. Eis, pois, que a primeira parte do jogo contra a República Tcheca dava sinais de elas seriam ainda piores em Praga. Convenhamos: aquele primeiro tempo foi um dos piores momentos da extraordinária história da seleção. Finalizações poucas e ruins, parco brilho técnico e um festival de passes errados: foi o que se viu do Brasil nos 45 minutos que terminaram com os tchecos ganhando por 1 a 0.

Este time da República Tcheca não é nem sequer sombra da equipe que, há 15 anos, foi a mais brilhante da Euro disputada em Portugal; e está ainda mais distante do time da Tchecoslováquia que foi derrotado pelo Brasil na final da Copa de 62. Nem o Masopust da seleção atual tem parentesco com Josef Masopust, o mais importante jogador da história do futebol da Tchecoslováquia.

De todo modo, as fragilidades técnicas que tanto limitam a equipe tcheca destes dias foram, no primeiro tempo, compensadas amplamente pelos erros do Brasil. Mas os 50 minutos pós-intervalo foram diferentes. Everton, outra vez no lugar de Paquetá, reintroduziu na seleção brasileira o drible e o cruzamento desde a linha de fundo.

A República Tcheca, também por causa de contusões, trocou meio time, perdeu capacidade de atacar e tentou se retrancar. Mas o Brasil melhorou mesmo quando Tite armou seu ataque com David Neres, Gabriel Jesus e Everton; Firmino, então, recuou um pouco e passou, enfim, a jogar bem.

Em vez de tocar e cruzar, o Brasil atacava com a mistura de drible e velocidade. Os tchecos já não puderam resistir. A vitória brasileira por 3 a 1 devolveu a Tite alguma tranquilidade e lhe deu a esperança de que Everton e Neres podem ser alternativas ótimas para as eliminatórias.

E o Vinícius Junior? Convocado, ele se contundiu, perdeu sua primeira chance e foi avisado por Tite que, para disputar a Copa América, terá de continuar jogando bem no Real Madrid. Parece uma platitude, mas é o modo de o treinador esclarecer que Vinícius ainda não tem lugar garantido.

Precavido, Tite fez alerta semelhante sobre David Neres. Mas não é todo dia que um jogador, em sua primeira partida na seleção brasileira, entra com tanta convicção de que pode decidir o jogo. Pois Neres entrou e participou diretamente dos dois gols de Gabriel Jesus. Everton, por sua vez, aproveitou bem os dois amistosos e se aproximou de seu objetivo imediato: ser a primeira opção quando Neymar estiver fora de combate.

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