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José Cruz: "Velha política" continua trocando votos por cargos no esporte

04.dez.2018 - O ministro da Cidadania, Osmar Terra - Pedro Ladeira/Folhapress
04.dez.2018 - O ministro da Cidadania, Osmar Terra Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
José Cruz

José Cruz

José Cruz, jornalista, trabalha no gabinete do senador Romário

31/05/2019 12h26

Já escrevi neste espaço sobre "exóticos" personagens que foram ministros do Esporte: médico, cafeicultor, evangélico especialista em transporte de valores, agropecuarista, esperto em contas públicas e por aí vai. Todos eram "profundos conhecedores do setor". E a cada mudança, mudavam os assessores, diretores, "aspones", etc... Em 2003, o ministério foi entregue ao PCdoB. Mais tarde, ao então PMDB. Estamos colhendo agora o triste resultado do desempenho desastroso dessa gente.

Com o novo governo vieram promessas de acabar com o "toma-lá-dá-cá", a partir da implantação da "nova política", ideia do capitão-presidente. Porém, no ministério da Cidadania do ex-deputado Osmar Terra, mantêm-se a tradição de ignorar especialistas em assuntos técnicos para entregar a analfabetos do esporte o futuro desse segmento. Osmar Terra é do MDB.

Repetindo práticas passadas de abrigar amigos e desempregados no Ministério do Esporte e outras pastas, Osmar Terra acabou de nomear o conterrâneo Clair Tomé Kuhn para dirigir o Departamento de Gestão de Programas Esportivos da Secretaria de Esporte. Quem revelou essa história foi o companheiro Demétrio Vecchioli, em seu blog, Olhar Olímpico, no UOL Esporte.

Agricultor e ex-presidente da Emater, estatal gaúcha ligada às atividades de campo ao longo da vida, Kuhn é mais um diretor extremamente despreparado para o cargo, apesar de sua página no Facebook registrar que ele é formado em educação física. Mas o que isso significa no atual contexto de extrema gravidade do setor, a um ano dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio?

E por que um agricultor vai cuidar de programas esportivos? Porque Kuhn é do MDB, mesmo partido do ministro Osmar Terra. E, aos poucos, desenvolve-se o princípio de São Francisco, "é dando que se recebe". E o MDB, "expert", mantém na era militar-democrática o fisiologismo de sempre, driblando o capitão-presidente que iria revolucionar (ops!) o país com a "nova política". Em resumo, o MDB, com 87 deputados federais e 13 senadores, continua trocando cargos por votos.

Não é uma beleza?

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