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Gustavo Fogaça: O céu e o inferno com o "resultadismo" na seleção

Daniel Alves comemora o gol anotado contra o Peru pela Copa América - Thiago Calil/Agif
Daniel Alves comemora o gol anotado contra o Peru pela Copa América Imagem: Thiago Calil/Agif
Gustavo Fogaça

Gustavo Fogaça

Conhecido como Guffo, é comentarista da DAZN Brasil, analista de desempenho e cineasta

27/06/2019 04h00

Finalizada a primeira fase da Copa América, há uma certa unanimidade entre torcedores e a imprensa especializada de que a seleção brasileira não joga mais aquele futebol brasileiro de drible, vitória pessoal e malandragem. Chegaram até a cunhar o slogan de que o time sofria de "contaminação tática".

Mas será que é assim mesmo? Será que essa seleção está matando o futebol pentacampeão que brilhou com Pelé, Garrincha, Romário e Ronaldinho? Ou será que isso não é apenas uma insatisfação relacionada à nossa cultura de "resultadismo"? Vamos analisar e comparar fundamentos da seleção nos jogos pré-Copa, durante a Copa e nos jogos pós-Copa. O que os números nos revelam?

Melhores chances e mais gols

Da estreia de Tite contra o Equador em 2016 até o amistoso contra a Áustria antes da Copa da Rússia, foram 21 jogos. Brasil marcou 47 gols, com média de 2.2 por jogo. Valor esperado de gol total de 42 xG, média de 2 xG por partida. Ou seja, Brasil marcou MAIS do que se esperava por jogo.

Durante a Copa, aumentou o nível de competitividade. Brasil marcou 8 gols em 5 jogos (média de 1.6). Valor esperado de 4 xG, média de 0.8 xG por jogo. A seleção marcou O DOBRO do que se esperava por partida. Mesmo assim, caiu contra a Bélgica. Nome disso? Futebol.

Depois do Mundial até a goleada contra o Peru na Copa América, foram 13 partidas com 33 gols marcados. Média de 2.5 gols por jogo. Valor esperado total de 32 xG, média de 2.4 xG. Caramba, AUMENTOU a média de gols marcados e a qualidade das chances por jogo!

Por último, a média de chances criadas por partida não mudou muito. Pré-Copa, eram 8 chances por partida com 32% de conversão em gols. Na Copa, aumentou para 11 chances, mas caiu para 15% a taxa de conversão. Atualmente, a média é de 9 chances por jogo com 29% de conversão em gols.

Estamos driblando menos?

A resposta é: não. Na média, o Brasil executa a mesma quantidade de dribles agora que nos jogos do período pré-Copa do Mundo. Durante o Mundial da Rússia, a seleção aumentou a quantidade de média de dribles de 40 para 54 por jogo. Ou seja, quem acha que o Brasil driblou pouco na Copa está profundamente enganado.

Além disso, a seleção subiu seu grau de ofensividade durante a Copa e manteve o nível. Antes da Rússia, a média era de 35 entradas no último terço e 10 na área adversária. No Mundial, subiu para 51 entradas na parte final e 23 na área. Esses valores se mantiveram nos 13 jogos pós-Copa!

A seleção está dando mais passes para dentro da área neste período do que nos jogos das Eliminatórias, quando o Brasil vivia uma lua-de-mel com Tite e o elenco. Por que antes era o paraíso e agora, que está sendo MAIS OFENSIVA e contundente, é o inferno?

Então, antes de sair dizendo que a seleção não está sendo tão ofensiva quanto antes, pense que talvez isso seja apenas uma impressão originada pela cultura do "resultadismo" que tanto é incentivada em nosso futebol. E essa impressão não reflete a realidade do time de Tite.

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