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Gustavo Fogaça: Luan, de falso 9, não depende só dele para dar certo

Luan comemora gol do Grêmio contra o Avenida - LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
Luan comemora gol do Grêmio contra o Avenida Imagem: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA
Gustavo Fogaça

Gustavo Fogaça

Conhecido como Guffo, é comentarista da DAZN Brasil, analista de desempenho e cineasta

04/07/2019 12h00

Para retomar as boas atuações, Renato Gaúcho está aproveitando a pausa da Copa América para treinar o Grêmio com Luan de centroavante. A ideia não é nova: foi em uma derrota para o Flamengo no Brasileirão de 2015 que Roger Machado, então treinador, colocou Luan como último homem do time.

Até aquele momento, Pedro Rocha vinha fazendo a função de falso 9, sem muito sucesso. A mobilidade natural de Luan fez com que o próprio Pedro Rocha tivesse mais espaço para atacar. E caras como Giuliano, Maicon e Douglas começaram a aparecer dentro da área do adversário e marcar gols.

No quinto jogo como falso 9, Luan foi o maestro da histórica goleada por 5x0 no GreNal 407. No jogo seguinte, deu cátedra no Mineirão em uma belíssima vitória por 2x0 contra o Atlético-MG. Pronto, havia nascido o Grêmio que todos diziam jogar o melhor futebol do Brasil, um time com muita mobilidade, verticalidade e eficiência.

E tudo graças às características de Luan, quem realizava a função de último homem ao sair bastante da área, carregando consigo defensores, desarrumando linhas e abrindo espaços para os companheiros ficarem na frente do gol adversário. Luan parecia ter nascido para a função de falso 9.

Sob comando de Roger Machado, Luan jogou 82 partidas (em diversas posições e funções), e teve a média de 0.3 gol marcado e de 4 finalizações (aproveitamento de 51% dentro da área) por partida. Criou 0.5 chance de gol e teve 83% de acerto nos passes. Todas médias a cada 90 minutos jogados.

É bom lembrar que aliada a essa qualidade de Luan na movimentação, havia jogadores que sabiam aproveitar os espaços que ele criava. Principalmente quem jogava como meia centralizado na linha de 3: Douglas e Bolaños. Além deles, Giuliano, Pedro Rocha e Éverton também cresceram muito com o trabalho de Luan sem a bola.

A partir de setembro de 2016, Renato assumiu o Tricolor e optou por apostar em Henrique Almeida como centroavante de referência e deslocou Luan para jogar pelo lado direito. Depois de cinco partidas e nenhum gol marcado - além de um desgaste com a torcida - Henrique Almeida virou banco e Luan voltou para o comando do ataque.

Mesmo tendo sido campeão da Copa do Brasil com Luan de falso 9 (o gol do título na Arena é um bom exemplo do funcionamento de Luan na época), Renato insistiu na contratação de um camisa nove mais fixo e Lucas Barrios, Jael, André e Felipe Vizeu vieram e todos tiveram seus altos e baixos ao longo das temporadas.

Com Portaluppi, Luan fez 122 partidas e as médias (por 90min) não mudaram significativamente. Mesmos 0.3 gol marcados, 84% de acerto nos passes e 2.7 finalizações (com 55% de aproveitamento dentro da área). O que, sim, melhorou foi a criação de chances por partida, que pulou de 0.5 para 1. Dobrou a produção.

Luan virou o "Rei da América" jogando como meia centralizado, movimentando-se entre linhas e colaborando mais como armador do time. Infelizmente, 2019 não tem sido um bom ano para o atacante, e tanto Renato quanto a torcida esperam por sua redenção.

Retomar a ideia criada por Roger Machado pode funcionar, desde que Jean Pyerre, Éverton, Matheus Henrique, Tardelli e quem mais jogar ao lado de Luan saiba aproveitar os espaços que ele criará, como fizeram no passado Douglas, Bolaños, Pedro Rocha, Giuliano etc.

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