Pisco del Gaiso/FI
Romário tenta jogada na
semifinal contra a Suécia
O caminho do
tetracampeonato

A participação brasileira na Copa de 1994 não começou bem. O Brasil sofreu para passar até mesmo pelas eliminatórias sul-americanas.

Estreou com um empate em 0 a 0 com o Equador. Em seguida, perdeu por 2 a 0 para a Bolívia na altitude de La Paz. Antes disso, jamais havia perdido um jogo de eliminatórias.

Os maus resultados colocaram a seleção brasileira em uma posição incômoda. Pela primeira vez, enfrentava a ameaça real de ficar de fora da Copa do Mundo.

A torcida não perdoou. Pediu insistentemente a cabeça do técnico Carlos Alberto Parreira, iniciando uma relação de amor e ódio que duraria até o final do torneio.

O panorama só mudou após a goleada de 6 a 0 sobre a Bolívia, em Recife. Nessa partida, os jogadores entraram em campo de mãos dadas para demonstrar união. O gesto deu tão certo que continua sendo repetido até hoje.

A vaga só foi decidida na última rodada, contra o Uruguai, no Maracanã. Com alguns jogadores contundidos, Parreira convocou Romário para a partida, e o atacante foi decisivo. Marcou dois belos gols e colocou o Brasil na Copa.

Nos amistosos de preparação, já nos EUA, a seleção colecionou um empate com o Canadá (1 a 1) e goleadas sobre Honduras (8 a 2) e El Salvador (4 a 0). Sem apresentar um futebol vistoso, o Brasil chegou à Copa desacreditado por muitos.

Nos dois primeiros jogos, no entanto, o Brasil mostrou consistência e tranqüilidade para buscar o resultado. Venceu a Rússia por 2 a 0, gols de Romário e Raí, e Camarões por 3 a 0, com os gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto.

Já classificado, o Brasil enfrentou a Suécia no terceiro jogo. Bem marcado, o time brasileiro não teve boa atuação, e o placar ficou em 1 a 1. Romário fez o gol de empate e evitou a derrota.

Nas oitavas-de-final, o Brasil teve pela frente os donos da casa, justamente no dia 4 de julho, dia da independência dos EUA. O jogo foi truncado, com os norte-americanos fechados na retranca. Leonardo agrediu Tab Ramos com uma cotovelada e foi expulso. Com um jogador a menos, o Brasil venceu no sufoco, graças a um gol de Bebeto, após passe de Romário, no segundo tempo.

Contra a Holanda, nas quartas-de-final, o Brasil fez sua melhor exibição na Copa. Abriu 2 a 0, com gols de Romário e Bebeto. Permitiu a reação holandesa, mas se garantiu na semifinal com uma cobrança de falta de Branco, o "gol cala-boca", que o lateral dedicou a seus (inúmeros) críticos.

Pisco del Gaiso/Folha Imagem
Jogadores brasileiros fazem uma corrente
positiva durante disputa de pênaltis na final
A Suécia cruzou o caminho brasileiro novamente na semifinal, mas, desta vez, deu menos trabalho.

O Brasil dominou todo o jogo, desperdiçou várias chances de gol, e acabou vencendo por um magro 1 a 0 com gol de Romário, de cabeça, no segundo tempo.


A final colocou Brasil e Itália frente à frente 24 anos depois. O campeão se consagraria como o primeiro país a vencer a Copa quatro vezes. Com a bola rolando, o Brasil foi melhor, buscou o ataque, mas não conseguiu chegar ao gol.

Na decisão por pênaltis, o time brasileiro foi mais competente nas cobranças. Taffarel defendeu uma e viu Baresi e Baggio, principais estrelas italianas, chutarem para fora. O planeta bola se tornava novamente verde e amarelo.







Brasil (2)
Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha (Aldair), Márcio Santos, Leonardo, Mauro Silva, Dunga (Mazinho), Raí, Zinho, Romário, Bebeto
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Rússia (0)
Kharin, Kuznetsov, Gorlukovich, Nikiforov, Ternavski, Piatnitksi, Karpin, Radchenko (Borodiuk), Tsymbalar, Khlestov, Yuran (Salenko)
Técnico: Pael Sadyrin

20/6, em Palo Alto
Público: 81.061 pessoas
Árbitro: Kee Chong (MRI)
Cartões amarelos: Nikiforov, Khlestov e Kuznetsov
Gols: Romário, aos 26min do primeiro tempo; e Raí, aos 7min do segundo tempo

Brasil (3)
Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos, Leonardo, Mauro Silva, Dunga, Raí (Muller), Zinho (Paulo Sérgio), Romário, Bebeto
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Camarões (0)
Bell, Song, Libiih, Omam, Mbouh, Mfede (Mabdean), Kalla, Tataw, Agbo, Foe, Embe (Milla)
Técnico: Henri Michel

24/6, em Palo Alto
Público: 83.401 pessoas
Árbitro: Brizio Carter (MEX)
Cartões amarelos: Tataw e Kalla; Mauro Silva
Gols: Romário, aos 39min do primeiro tempo; Márcio Santos, aos 21min, e Bebeto, aos 28min do segundo

Brasil (1)
Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos, Leonardo, Mauro Silva (Mazinho), Dunga, Raí (Paulo Sérgio), Zinho, Romário, Bebeto
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Suécia (1)
Ravelli, Nilsson, Andersson, Bjorklund, Ljung, Ingesson, Thern, Schwarz (Mild), Brolin, Larsson (Blomqvist), Andersson
Técnico: Tommy Svensson

28/6, em Palo Alto
Público: 77.217 pessoas
Árbitro: Sandor Puhl (HUN)
Cartões amarelos: Aldair; Mild
Gols: Andersson, aos 23min do primeiro tempo; Romário, a 1min do segundo tempo

Brasil (1)
Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos, Leonardo, Mauro Silva, Dunga, Mazinho, Zinho (Cafu), Romário, Bebeto
Técnico: Carlos Alberto Parreira

EUA (0)
Meola, Dooley, Lalas, Balboa, Perez (Wegerle), Stewart, Ramos (Wynalda), Jones, Sorber, Caligiuri, Clavijo
Técnico: Bora Milutinovic

4/7, em Palo Alto
Público: 84.147 pessoas
Árbitro: Joel Quiniou (FRA)
Cartões amarelos: Mazinho e Jorginho; Ramos, Caligiuri, Clavijo e Dooley
Cartões vermelhos: Leonardo e Clavijo
Gols: Bebeto, aos 27min do segundo tempo

Brasil (3)
Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos, Branco (Cafu), Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí), Zinho, Romário, Bebeto
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Holanda (2)
De Goej, Rijkaard (Ronald de Boer), Koeman, Witschge, Valckx, Wouters, Winter, Jonk, Bergkamp, Overmars, Van Vossen (Roy)
Técnico: Dick Advocaat

9/7, em Dallas
Público: 63.500 pessoas
Árbitro: Rodrigo Sequeira (COS)
Cartões amarelos: Winter e Wouters; Dunga
Gols: Romário, aos 8min do primeiro tempo; Bebeto, aos 18min, Bergkamp, aos 19min, Winter, aos 31min, e Branco, aos 36min do segundo tempo

Brasil (1)
Taffarel, Jorginho, Aldair, Márcio Santos, Branco, Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí), Zinho, Romário, Bebeto
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Suécia (0)
Ravelli, Nilsson, Andersson, Bjorklund, Ljung, Ingesson, Thern, Mild, Brolin, Dahlin (Rehn) e Kenneth Andersson
Técnico: Tommy Svensson

13/7, em Pasadena
Público: 91.856 pessoas
Árbitro: Jose Cadena (COL)
Cartões amarelos: Zinho; Ljung e Brolin
Cartão vermelho: Thern
Gol: Romário, aos 35min do segundo tempo

Brasil (0)
Taffarel, Jorginho (Cafu), Aldair, Márcio Santos, Branco, Mauro Silva, Dunga, Mazinho, Zinho (Viola), Romário, Bebeto
Técnico: Carlos Alberto Parreira

Itália (0)
Pagliuca, Benarrivo, Maldini, Baresi e Mussi (Apolloni); Dino Baggio (Evani), Berti, Donadoni e Albertini; Roberto Baggio, Massaro
Técnico: Arrigo Sacchi.

17/7, em Pasadena
Público: 94.194 pessoas
Árbitro: Sandor Puhl (HUN)
Cartões amarelos: Cafu e Mazinho; Apolloni e Albertini