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Organizada e completa, seleção vai longe

A última Copa antes da Segunda Guerra Mundial teve o Brasil, pela primeira vez na história, conseguindo estender sua participação além das rodadas iniciais. Confiante, talvez até em demasia, a seleção ficou próxima do título.

Arquivo Folha Imagem

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O brilho do diamante
Inspirado, Leônidas da Silva encantou o mundo em 1938 e levou a seleção brasileira pela primeira vez a uma semifinal de Copa. Pelos malabarismos na hora de mandar a bola para a rede, ganhou o apelido de "Homem Borracha" dos franceses.

Conhecido como "Diamante Negro" no Brasil, foi o artilheiro da competição com sete gols, mas desfalcou a seleção brasileira em um momento crucial: o duelo contra a Itália na semifinal. Balançou a rede em todas as partidas que disputou por Copas, incluindo a primeira participação, em 1934, quando foi o autor do único gol brasileiro no Mundial.

Considerado o "pai da bicicleta" - jogada cuja invenção ele atribui a Petronilho de Brito -, o atacante foi campeão carioca por Vasco, Botafogo e Flamengo. Pela seleção brasileira, conquistou a Copa Rocca, em 1945, derrotando a temida Argentina. Aos 29 anos, foi contratado pelo São Paulo, onde ganhou cinco títulos estaduais e encerrou a carreira.

Foi o Mundial dos europeus, com apenas três seleções de fora do continente: Egito, Palestina e Brasil. Por aqui, era a época áurea do rádio e suas transmissões de boletins do torneio na França.

Mais organizado e sem desfalques por brigas bairristas, a seleção estreou enfrentando a Polônia e vencendo por 6 a 5, na prorrogação. Leônidas travou um duelo particular com o atacante polonês Willimowski. No final do jogo, o europeu havia marcado quatro gols, um a mais que o brasileiro.

Nas quartas-de-final, o Brasil precisou de 210 minutos para passar pela Tchecoslováquia, que contava ainda com o artilheiro da Copa anterior, Oldrich Nejedly, e lendário goleiro Planicka. A primeira partida terminou empatada em 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, e foi necessário um jogo extra para determinar o semifinalista.

Devido à violência do encontro anterior, brasileiros e tchecos entraram em campo 48 horas depois bastante desfalcados. Com uma equipe reserva reforçada pelo "Diamante Negro", o Brasil venceu de virada, por 2 a 1, com gols de Leônidas e Roberto.

Na semifinal, o Brasil encontrou pela frente a Itália. O feriado de Corpus Christi no país favoreceu o acompanhamento da partida por milhares de torcedores, ligados na transmissão de rádio feita por Gagliano Netto, o único locutor brasileiro presente ao Mundial.

Para aqueles que acompanharam a partida, os brasileiros teriam menosprezado o adversário. Além disso, em decisão controversa, o técnico Ademar Pimenta optou por deixar Leônidas no banco de reservas, alegando uma contusão, quando o atacante teria condições de atuar.

Logo no início do segundo tempo, aos 10min, Colaussi abriu o placar para os italianos. Cinco minutos depois, o árbitro suíço Hans Wuthrich acertadamente marcou pênalti de Domingos da Guia sobre o atacante Piola numa falta fora do lance. Apesar dos protestos, Giuseppe Meazza cobrou com perfeição e ampliou a vantagem italiana. No fim do jogo, aos 42min, Romeu ainda descontou para o Brasil, mas já era tarde.

No entanto, restou ao Brasil a disputa pelo terceiro lugar, contra a Suécia. Com Leônidas em campo, a seleção venceu por 4 a 2 e encerrou de forma honrosa a sua melhor participação em Copas até então.

DATA FASE JOGOS
05/06/1938 Oitavas-de-final
Brasil
6 x 5
Polônia

Brasil

Batatais; Domingos da Guia, Machado; Zezé Procopio, Martim, Affonsinho; Lopes, Romeu, Leônidas, Perácio, Hércules.
Técnico: Ademar Pimenta

Polônia

Madejski; Szczepaniak, Galecki; Gora, Nyc, Dytko; Piec 1º, Piatek, Scherfke, Willimowski, Wodarz.
Técnico: Josef Kaluza

  • Local: Stade Victor Meinau, em Estrasburgo
  • Árbitro: Ivan Eklind (SUE)
  • Auxiliares: Poissant (FRA) e Kissenberger (FRA)
  • Público: 13.452 pessoas
  • Gols: Leônidas (BRA) 18min, Scherfke (POL) 23min (pênalti), Romeu (BRA) 25min, Perácio (BRA) 44min do 1º tempo; Willimowski (POL) 8min e 14min, Perácio (BRA) 26min e Willimowski (POL) 44min do 2º tempo; Leônidas (BRA) 3min e 14min do 1º tempo da prorrogação; Willimowski (POL) 12min do 2º tempo da prorrogação
12/06/1938 Quartas-de-final
Brasil
1 x 1
Tchecoslováquia

Brasil

Walter, Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio, Martim e Affonsinho; Lopes, Romeu, Leônidas, Perácio e Hércules.
Técnico: Ademar Pimenta

Tchecoslováquia

Planicka; Burgr, Daucik; Kostalek, Boucek, Kopecky; Riha, Simunek, Ludl, Nejedly, Puc.
Técnico: Josef Meissner

  • Local: Stade Parc Lescure, em Bordeux
  • Árbitro: Paul von Hertzka (HUN)
  • Auxiliares: Scarpi (ITA) e Delasalle (FRA)
  • Público: 22.000 pessoas
  • Expulsões: Zezé Procópio (BRA) 14min do 1º tempo; Machado (BRA) e Riha (TCH) 44min do 2º tempo
  • Gols: Leônidas (BRA) 30min do 1º tempo; Nejedly (TCH) 20min (pênalti) do 2º tempo
14/06/1938 Desempate
Brasil
2 x 1
Tchecoslováquia

Brasil

Walter, Jaú e Nariz; Britto, Brandão e Argemiro; Roberto, Luizinho, Leônidas, Tim e Patesko.
Técnico: Ademar Pimenta

Tchecoslováquia

Burkert; Burgr, Daucik; Kostalek, Boucek, Kreuz; Horak, Ludl, Senecky, Kopecky, Rulc.
Técnico: Josef Meissner

  • Local: Stade Parc Lescure, em Bordeux
  • Árbitro: George Capdeville (FRA)
  • Auxiliares: Kissenberger (FRA) e Marenco (FRA)
  • Público: 22.000 pessoas
  • Gols: Kopecky (TCH) 23min do 1º tempo; Leônidas (BRA) 12min e Roberto (BRA) 17min do 2º tempo
16/06/1938 Semifinal
Itália
2 x 1
Brasil

Itália

Olivieri; Foni, Rava; Serantoni, Andreolo, Locatelli; Biavati, Meazza, Piola, Ferrari, Colaussi.
Técnico: Vittorio Pozzo

Brasil

Walter; Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio, Martim e Affonsinho; Lopes, Luizinho, Romeu, Perácio e Patesko.
Técnico: Ademar Pimenta

  • Local: Stade Velodrome, em Marselha
  • Árbitro: Hans Wüthrich (SUI)
  • Auxiliares: Beranek (Alemanha) e Marenco (França)
  • Público: 33.000 pessoas
  • Gols: Colaussi (ITA) 9min, Meazza (ITA) 15min (pênalti) e Romeu (BRA) 42min do 2º tempo
19/06/1938 Disputa 3º lugar
Brasil
4 x 2
Suécia

Brasil

Batatais; Domingos da Guia e Machado; Zezé Procópio, Brandão e Affonsinho; Roberto, Romeu, Leônidas, Perácio e Patesko.
Técnico: Ademar Pimenta

Suécia

Abrahamsson; Eriksson, Nilsson; Almgren, Linderholm, Svanström; Persson, Ake Andersson, Harry Andersson, Jonasson, Nyberg.
Técnico: Josef Nagy

  • Local: Stade Parc Lescure, em Bordeaux
  • Árbitro: Jan Langenus (BEL)
  • Auxiliares: Valprede (FRA) e Olive (FRA)
  • Público: 12.000 pessoas
  • Gols: Jonasson (SUE) 13min, Nyberg (SUE) 23min e Romeu (BRA) 44min do 1º tempo; Leônidas (BRA) 18min e 29min, Peracio (BRA) 35min do 2º tempo
 

SELEÇÕES

Goleiros

Walter
17.07.1912
Flamengo
Batatais
20.05.1910
Fluminense

Zagueiros

Nariz
08.12.1912
Botafogo
Domingos da Guia
19.11.1912
Flamengo
Machado
01.01.1909
Fluminense
Jaú
07.12.1909
Vasco

Meias

Britto
06.05.1914
América (RJ)
Martim
02.03.1911
Botafogo
Zezé Procópio
12.08.1913
Botafogo
Brandão
19.06.1916
Corinthians
Argemiro
03.06.1915
Portuguesa Santista
Affonsinho
08.03.1914
São Cristóvão

Atacantes

Patesko
12.11.1910
Botafogo
Perácio
02.11.1917
Botafogo
Lopes
01.11.1910
Corinthians
Leônidas da Silva
06.09.1913
Flamengo
Hércules
02.07.1912
Fluminense
Romeu
26.03.1911
Fluminense
Tim
20.02.1915
Fluminense
Luizinho
29.03.1911
Palestra Itália
Roberto
20.06.1912
São Cristóvão
Niginho
12.02.1912
Vasco

Técnico

Ademar Pimenta