UOL Esporte - Copa 2006UOL Esporte - Copa 2006
UOL BUSCA

Montagem UOL. Imagens Graphic News e EFE

O desastre do Maracanazo

O Brasil tinha certeza de que seria campeão do mundo. Ela estava nas ruas, nas casas, nos bares. Estava na mente de cada torcedor. Estava nos dirigentes, na comissão técnica, nos jogadores. Só não estava na garra de Obdulio Varela e nos chutes certeiros de Schiaffino e Ghiggia.

A confiança no título nascera quatro anos antes, quando foi definido que o Brasil seria a sede do Mundial. Para isso, os dirigentes resolveram erguer no Rio de Janeiro o estádio do Maracanã, o maior do mundo, palco perfeito para a conquista histórica.

Arquivo Folha Imagem

Arquivo Folha Imagem

Salto alto
Se o Brasil tivesse sido campeão em 1950, o pernambucano Ademir de Menezes, o "Queixada", teria certamente um lugar de maior destaque entre os grandes heróis do futebol.

O atacante do Vasco foi o maior artilheiro do Mundial com nove gols - marca nunca mais foi igualada por outro jogador brasileiro em Copas do Mundo, nem mesmo Pelé ou Ronaldo.

No entanto, ficou o lamento e a impressão de que o clima de "já ganhou" foi o grande responsável pela tragédia. A CBD havia planejado a festa em todos os seus detalhes.

Jules Rimet iria até o centro e entregaria a taça para o zagueiro Augusto, capitão do Brasil, com uma festa em verde e amarelo de 200 mil pessoas. No final, quem ergueu a taça foi Obdulio Varela, e a festa foi para uns poucos vestidos de azul e branco.


E foi no Maracanã, no dia 25 de junho, que a seleção brasileira fez a sua estréia - o México não ofereceu resistência e foi derrotado por 4 a 0. No dia 28, o Brasil enfrentou a Suíça no Pacaembu, em São Paulo. Para agradar a torcida paulista, o técnico Flávio Costa trocou todo o meio-campo. A seleção jogou mal, empatou em 2 a 2 e saiu de campo vaiada.

O resultado deixou o Brasil em situação complicada no Grupo 1. Para avançar ao quadrangular final, a seleção precisaria vencer a Iugoslávia, que vinha de duas vitórias (3 a 0 na Suíça e 4 a 1 no México). O jogo aconteceu no Maracanã, no dia 1º de julho. Mais de 140 mil pessoas viram o Brasil ganhar por 2 a 0 e se classificar para a fase final.

As quatro equipes finalistas tiveram uma semana de descanso. O primeiro adversário do Brasil no quadrangular foi a Suécia, no Maracanã. Em tarde inspiradíssima de Ademir, autor de quatro gols, o Brasil goleou os suecos por 7 a 1.

Quatro dias depois, 150 mil pessoas foram ao Maracanã assistir ao duelo com a Espanha, que na primeira rodada do quadrangular havia empatado em 2 a 2 com o Uruguai. O Brasil começou arrasador e, após 31 minutos, já vencia por 3 a 0, com um gol de Ademir e dois de Chico.

No segundo tempo, mais massacre. Ademir e Zizinho (duas vezes) marcaram para o Brasil, enquanto Igoa descontou para a Espanha. O 6 a 1 foi completado pela enlouquecida torcida, que cantou em coro a marcha carnavalesca "Touradas em Madri", de Alberto Ribeiro e Braguinha.

E o Brasil só não foi campeão por antecipação porque o Uruguai derrotou a Suécia por 3 a 2, de virada, com dois gols marcados nos últimos 15 minutos. Foi nesse clima de "já ganhou" que mais de 200 mil pessoas foram ao estádio do Maracanã na tarde de 16 de julho.

O Brasil precisava só do empate para ficar com o título e partiu com tudo para cima da seleção uruguaia. O primeiro tempo ficou no 0 a 0. No segundo, a certeza do título aumentou após o gol do brasileiro Friaça, aos 2min.

Entretanto, o que era para ser o começo da festa se transformou no princípio da tragédia. O Brasil partiu ainda mais para o ataque e deixou a defesa desguarnecida. Aos 21min, Ghiggia bateu Bigode na corrida e tocou para Schiaffino empatar a partida.

Animado com o gol, o Uruguai se lançou ao ataque e conseguiu o que parecia impossível: derrotar o Brasil. Aos 34min, Ghiggia superou novamente Bigode e entrou na área para chutar à esquerda de Barbosa. O goleiro do Vasco saltou, mas não conseguiu agarrar a bola, que morreu no fundo da rede.

O gol acabou com a empolgação da torcida brasileira, que viu o Uruguai segurar o jogo nos minutos restantes para ficar com o título de campeão mundial pela segunda vez. O episódio entrou para a história como "Maracanazo", uma das maiores zebras de todos os tempos.
DATA FASE JOGOS
24/06/1950 Primeira fase
Brasil
4 x 0
México

Brasil

Barbosa; Augusto, Juvenal; Ely, Danilo, Bigode; Maneca, Ademir, Baltazar, Jair, Friaça.
Técnico: Flávio Costa

México

Carbajal; Zetter, Montemayor; Ruiz, Ochoa, Roca; Septien, Ortiz, Casarin, Perez, Velasquez.
Técnico: Octavio Vial

  • Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
  • Árbitro: George Reader (ING)
  • Assistentes: Benjamin Griffiths (GAL) e George Mitchell (ESC)
  • Público: 81.650 pessoas
  • Gols: Ademir (BRA) 30min do 1º tempo; Jair (BRA) 20min, Baltazar (BRA) 26min, Ademir (BRA) 34min do 2º tempo
28/06/1950 Primeira fase
Brasil
2 x 2
Suíça

Brasil

Barbosa; Augusto, Juvenal; Bauer, Ruy, Noronha; Alfredo 2º, Maneca, Baltazar, Ademir, Friaça.
Técnico: Flávio Costa

Suíça

Stuber; Neury, Bocquet; Lusenti, Eggimann, Quinche; Bickel, Friedländer, Tamini, Bader, Fatton.
Técnico: Franco Andreoli

  • Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo
  • Árbitro: Ramon Azon (ESP)
  • Assistentes: Cayetano De Nicola (PAR) e Sergio Bustamante (CHI)
  • Público: 42.000 pessoas
  • Gols: Alfredo 2º (BRA) 3min e Fatton (SUI) 17min do 1º tempo; Baltazar (BRA) 32min e Fatton (SUI) 43min do 2º tempo
01/07/1950 Primeira fase
Brasil
2 x 0
Iugoslávia

Brasil

Barbosa; Augusto, Juvenal; Bauer, Danilo, Bigode; Maneca, Zizinho, Ademir, Jair, Chico.
Técnico: Flávio Costa

Iugoslávia

Mrkusic; Horvat, Stankovic; Zlatko Cajkovski, Jovanovic, Djajic; Vukas, Mitic, Tomasevic, Bobek, Zelijko Cajkovski.
Técnico: Milorad Arsenijevic

  • Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
  • Árbitro: Benjamin Griffiths (GAL)
  • Assistentes: José Vieira (POR) e Alois Beranek (AUT)
  • Público: 142.000 pessoas
  • Gols: Ademir (BRA) 4min do 1º tempo; Zizinho (BRA) 24min do 2º tempo
09/07/1950 Turno final
Brasil
7 x 1
Suécia

Brasil

Barbosa; Augusto, Juvenal; Bauer, Danilo, Bigode; Maneca, Zizinho, Ademir, Jair, Chico.
Técnico: Flávio Costa

Suécia

Karl Svensson; Samuelsson, Erik Nilsson; Andersson, Nordahl, Gärd; Sundqvist, Palmer, Jeppson, Skoglund, Stellan Nilsson.
Técnico: George Raynor

  • Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
  • Árbitro: Arthur Ellis (ING)
  • Assistentes: Prudencio Garcia (EUA) e Charles Delasalle (FRA)
  • Público: 139.000 pessoas
  • Gols: Ademir (BRA) 17min e 36min, Chico (BRA) 39min do 1º tempo; Ademir (BRA) 7min e 12min, Andersson (SUE) 22min, Maneca (BRA) 35min, Chico (BRA) 43min do 2º tempo
13/07/1950 Turno final
Brasil
6 x 1
Espanha

Brasil

Barbosa; Augusto, Juvenal; Bauer, Danilo, Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair, Chico.
Técnico: Flávio Costa

Espanha

Ramallets; Alonzo, Parra; Juan Gonzalvo, Mariano Gonzalvo, Puchades; Basora, Igoa, Zarra, Panizo, Gainza.
Técnico: Guillermo Eizaguirre

  • Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
  • Árbitro: Reginald Leafe (ING))
  • Assistentes: George Mitchell (ESC) e José da Costa Vieira (POR)
  • Público: 153.000 pessoas
  • Gols: Ademir (BRA) 15min, Jair (BRA) 21min, Chico (BRA) 31min do 1º tempo; Ademir (BRA) 12min, Zizinho (BRA) 22 min, Igoa (ESP) 26min do 2º tempo
16/07/1950 Turno final
Brasil
1 x 2
Uruguai

Brasil

Barbosa; Augusto, Juvenal; Bauer, Danilo, Bigode; Friaça, Zizinho, Ademir, Jair, Chico.
Técnico: Flávio Costa

Uruguai

Máspoli; Matias Gonzáles, Tejera; Gambetta, Obdulio Varela, Rodriguez Andrade; Ghiggia, Perez, Miguez, Schiaffino, Morán.
Técnico: Juan Lopez

  • Local: Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
  • Árbitro: George Reader (ING)
  • Assistentes: Ellis (ING) e Mitchell (ESC)
  • Público: 174.000 pessoas (número oficial da Fifa)
  • Gols: Friaça (BRA) 2min, Schiaffino (URU) 21min, Ghiggia (URU) 34min do 2º tempo
 

SELEÇÕES

Goleiros

Barbosa
27.10.21
Vasco
Castilho
27.04.27
Fluminense

Defensores

Augusto
22.10.20
Vasco
Juvenal
27.11.23
Flamengo
Nena
11.07.23
Internacional
Nílton Santos
16.05.25
Botafogo

Meias

Bauer
21.11.25
São Paulo
Danilo
03.12.21
Vasco
Bigode
04.04.22
Flamengo
Noronha
25.09.18
São Paulo
Eli
14.05.21
Vasco
Ruy
02.02.22
São Paulo
Alfredo 2º
01.01.20
Vasco

Atacantes

Friaça
19.10.24
São Paulo
Zizinho
14.09.21
Flamengo
Ademir
08.11.22
Vasco
Jair
21.03.21
Palmeiras
Chico
07.01.22
Vasco
Adãozinho
02.04.25
Internacional
Maneca
28.01.26
Vasco
Baltazar
14.01.26
Corinthians
Rodrigues
27.06.25
Palmeiras

Técnico

Flávio Costa