UOL Esporte - Copa 2006UOL Esporte - Copa 2006
UOL BUSCA

Montagem UOL. Imagens Graphic News e Folha Imagem

Mesmo sem Pelé, seleção conquista o bi

Em time que está ganhando não se mexe. Essa foi a filosofia do Brasil para a Copa do Mundo de 1962. Quase tudo que havia dado certo quatro anos antes foi mantido para a campanha do bi. Paulo Machado de Carvalho foi novamente o chefe da delegação brasileira no Chile.

Última Hora/Folha Imagem

Última Hora/Folha Imagem

O substituto do Rei
Amarildo pode ser considerado um jogador de azar. Craque, ídolo no Botafogo, teve um "defeito" que o atrapalhou em suas convocações para a seleção brasileira: jogava na mesma posição de Pelé.

Por outro lado, teve sorte. Pelé se machucou e sobrou para Amarildo a responsabilidade de entrar em seu lugar. Ele não decepcionou - jogou bem até a grande decisão e foi um dos destaques do Brasil no Mundial.

Seu primeiro clube foi o Goytacaz, de Campos, sua cidade-natal. Além dele, defendeu Flamengo, Botafogo, Vasco e, na Itália, Milan, Fiorentina e Roma.

Amarildo marcou nove gols em suas 24 partidas pela seleção. Seu grande ano foi 1962: além do título mundial, ainda sagrou-se campeão estadual e do Rio-SP pelo Botafogo.

E, apesar da troca de Vicente Feola por Aymoré Moreira no comando técnico, a maior parte do elenco campeão na Suécia continuou na seleção. Dos 11 jogadores que atuaram na final anterior, 9 estavam na equipe que estreou no dia 30 de maio de 1962, contra o México: Gilmar, Djalma Santos, Nilton Santos, Zito, Garrincha, Didi, Vavá, Pelé e Zagallo.

Os mexicanos contavam com uma grande arma embaixo dos três paus: o goleiro Carbajal. Ao fim do primeiro tempo, nem o forte ataque formado por Garrincha, Pelé, Vavá e Zagallo havia conseguido ultrapassá-lo. Os gols só saíram na etapa final. Zagallo aproveitou cruzamento de Garrincha aos 11min e abriu o placar. Aos 28min, o mesmo Zagallo passou para Pelé, que driblou o zagueiro Sepúlveda e fechou o placar da vitória por 2 a 0.

Na partida seguinte, contra a Tchecoslováquia, o elenco brasileiro sofreu um duro golpe: Pelé se machucou e foi obrigado a abandonar o torneio. O jogo terminou 0 a 0 e, além da perda de seu principal jogador, o Brasil teve que lutar contra o desânimo.

Amarildo estreou no lugar de Pelé contra a Espanha, no jogo seguinte, e não se intimidou com a responsabilidade. Foram dele os dois gols da vitória brasileira por 2 a 1. A partir das quartas-de-final, porém, brilhou mais forte a estrela de Garrincha.

O imprevisível ponta do Botafogo marcou duas vezes, e o Brasil venceu a Inglaterra por 3 a 1. Mané continuou liderando o forte ataque brasileiro na semifinal contra os anfitriões. Marcou os dois primeiros, Vavá os outros dois, e o Brasil goleou o Chile por 4 a 2.

Na decisão, o Brasil reencontrou a única equipe que não havia conseguido vencer no torneio: a Tchecoslováquia, "aquela equipe com a camisa do São Cristóvão", segundo Garrincha. E os tchecos começaram dominando a partida.

Aos 15min, Kadabra driblou Mauro e Djalma Santos e tocou para Masopust fazer 1 a 0. O gol não abalou o Brasil, que empatou dois minutos depois com Amarildo. Em seguida, Zito virou o placar, de cabeça. Coisa rara no torneio, o goleiro tcheco Schrojf falhou ao deter um cruzamento, aos 33min, e soltou uma bola nos pés do brasileiro Vavá, que matou o jogo.

A vitória na final coroou a bela campanha do Brasil: cinco vitórias e um empate em seis jogos, com 14 gols marcados e 5 sofridos. Dois dos seis artilheiros do torneio estavam no ataque brasileiro: Vavá e Garrincha, com quatro gols cada.

DATA FASE JOGOS
30/05/1962 Primeira fase
Brasil
2 x 0
México

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

México

Carbajal; Del Muro, Cárdenas, Sepulveda, Villegas; Reyes, Nájera; Del Águila, Hector Hernández, Jasso, Diaz.
Técnico: Ignacio Tréllez

  • Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar
  • Árbitro: Gottfried Dienst (SUI)
  • Auxiliares: Pierre Schwinte (FRA) e Erich Steiner (AUT)
  • Público: 10.484
  • Gols: Zagallo (BRA) 11min, Pelé (BRA) 28min do 2º tempo
02/06/1962 Primeira fase
Brasil
0 x 0
Tchecoslováquia

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Tchecoslováquia

Schroif; Lala, Novak, Pluskal, Popluhar; Masopust, Stibranyi; Scherer, Kvasnak, Adamec, Jelinek.
Técnico: Rudolf Vytlacil

  • Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar
  • Árbitro: Pierre Schwinte (FRA)
  • Auxiliares: Gottfried Dienst (SUI) e Domingo Conley (CHI)
  • Público: 14.903
06/06/1962 Primeira fase
Brasil
2 x 1
Espanha

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Espanha

Araquistain; Rodri, Gracia, Verges; Echevarria, Pachin; Collar, Peiró, Puskas, Adelardo, Gento.
Técnico: Helenio Herrera

  • Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar
  • Árbitro: Sérgio Bustamante (CHI)
  • Auxiliares: Esteban Marino (URU) e Jose Antonio Sundheim (COL)
  • Público: 18.150
  • Gols: Adélardo (ESP) 35min do 1º tempo; Amarildo (BRA) 27min e 41min do 2º tempo
10/06/1962 Quartas-de-final
Brasil
3 x 1
Inglaterra

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Inglaterra

Springett; Armfield, Wilson, Bobby Moore; Norman, Flowers; Douglas, Greaves, Hitchens, Haynes, Bobby Charlton.
Técnico: Walter Winterbottom

  • Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar
  • Árbitro: Pierre Schwinte (FRA)
  • Auxiliares: Gottfried Dienst (SUI) e Sergio Bustamante (CHI)
  • Público: 17.736
  • Gols: Garrincha (BRA) 30min, Hitchens (ING) 38min do 1º tempo; Vavá (BRA) 8min, Garrincha (BRA) 14min do 2º tempo
13/06/1962 Semifinal
Brasil
4 x 2
Chile

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Chile

Escuti; Eyzaguirre, Contreras, Raul Sánchez, Rodriguez; Toro, Rojas; Ramirez, Landa, Tobar, Leonel Sánchez
Técnico: Fernando Riera

  • Local: Estádio Nacional, em Santiago
  • Árbitro: Arturo Yamasaki (PER)
  • Auxiliares: Esteban Marino (URU) e Luis Antonio Ventre (ARG)
  • Expulsões: Landa (CHI) 35min e Garrincha (BRA) 38min do 2º tempo
  • Público: 76.500
  • Gols: Garrincha (BRA) 9min e 31min, Toro (CHI) 41min do 1º tempo; Vavá (BRA) 3min, Leonel Sánchez (CHI) 17min (pênalti), Vavá (BRA) 33min do 2º tempo
17/06/1962 Final
Brasil
3 x 1
Tchecoslováquia

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Tchecoslováquia

Schroif; Tichy, Popluhar, Pluskal, Novak; Masopust, Pospichal; Scherer, Kadraba, Kvasnak, Jelinek.
Técnico: Rudolf Vytlacil

  • Local: Estádio Nacional, em Santiago
  • Árbitro: Nickolaj Latychev (URS)
  • Auxiliares: Robert Davidson (ESC) e Leo Horn (HOL)
  • Público: 69.000
  • Gols: Masopust (TCH) 15min, Amarildo (BRA) 17min do 1º tempo; Zito (BRA) 24min, Vavá (BRA) 33min do 2º tempo
 

SELEÇÕES

Goleiros

1. Gilmar
22.08.1930
Santos
22. Castilho
27.04.1927
Fluminense

Laterais

2. Djalma Santos
27.02.1929
Palmeiras
6. Nilton Santos
16.05.1925
Botafogo
15. Altair
22.01.1938
Fluminense
12. Jair Marinho
17.07.1936
Fluminense

Zagueiros

3. Mauro
30.08.1930
Santos
13. Bellini
07.06.1930
São Paulo
5. Zózimo
19.06.1932
Fluminense
14. Jurandir
12.11.1940
São Paulo

Meias

8. Didi
08.10.1929
Botafogo
16. Zequinha
18.11.1934
Palmeiras
17. Mengálvio
17.12.1939
Santos
4. Zito
08.08.1932
Santos

Atacantes

20. Amarildo
29.07.1940
Botafogo
9. Coutinho
11.06.1943
Santos
18. Jair da Costa
09.07.1940
Portuguesa
7. Garrincha
28.10.1933
Botafogo
21. Zagallo
09.08.1931
Botafogo
19. Vavá
12.10.1934
Palmeiras
11. Pepe (José Macia)
25.02.1935
Santos
10. Pelé
23.10.1940
Santos

Técnico

Aymoré Moreira