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O "Mané" que virou Rei por uma Copa

Com a contusão de Pelé no segundo jogo da primeira fase, o Brasil dependeu de outro craque para levantar pela segunda vez o troféu de campeão mundial: Mané Garrincha. Com dribles desconcertantes, irreverência, cruzamentos precisos e chutes poderosos, o "gênio das pernas tortas" encantou os chilenos e foi considerado o melhor jogador do torneio.

Arquivo Folha Imagem

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Pelé para quê?
Os adversários festejaram quando o Brasil perdeu Pelé, machucado, após o jogo contra os tchecos. Mas a alegria deles durou pouco. Garrincha chamou para si a responsabilidade e, com uma das atuações individuais mais brilhantes de todos os tempos, comandou a seleção até o bicampeonato.

FOTOS DA COPA 62
Apesar de contar com uma verdadeira legião de craques, a seleção brasileira não fugiu à regra da primeira fase da Copa: o equilíbrio - nenhuma equipe conseguiu obter 100% de aproveitamento. Ainda com Pelé em campo, o Brasil estreou com uma vitória magra (2 a 0) sobre a modesta equipe do México.

Em seguida, empatou sem gols com a Tchecoslováquia no jogo em que perdeu seu principal jogador - aos 28min do primeiro tempo, Pelé arriscou um chute de fora da área, deu um grito e foi ao chão. Um estiramento o tirou do resto da competição. O trono estava vago.

A terceira partida foi uma das mais nervosas e difíceis para os campeões. Precisando ao menos de um empate para seguir na Copa, a seleção brasileira saiu atrás da Espanha e só alcançou a virada graças a duas "mãozinhas" do árbitro chileno Sergio Bustamante.

Primeiro, ele não marcou pênalti claro de Nilton Santos em Collar - esperto, o lateral deu um passo para fora da área após cometer a falta e enganou o juiz. Na seqüência do lance, Peiró acertou uma bela bicicleta. Mas Bustamante anulou o que seria o segundo gol espanhol marcando jogo perigoso.

Depois de muito tentar, o Brasil chegou ao empate aos 27min. Zagallo fez jogada de linha de fundo e cruzou para Amarildo completar. O resultado eliminava a Espanha, que se mandou para o ataque. Aproveitando os espaços que surgiram, Garrincha finalmente começou a brilhar. Ele passou por três marcadores e cruzou para Amarildo decretar a vitória por 2 a 1.

O show de Garrincha continuou nas quartas-de-final, diante dos ingleses. Ele fez dois gols - o primeiro deles de cabeça, algo raro na carreira do ponta - e iniciou a jogada do outro, marcado por Vavá. A dupla funcionou de novo diante do anfitrião Chile na semifinal - dois de Garrincha, dois de Vavá e goleada por 4 a 2.

Quando o lugar na final já estava assegurado, Garrincha perdeu a cabeça. Deu um chute no lateral Eladio Rojas, que estava caído, e foi expulso. Teoricamente, ele teria que cumprir suspensão automática e estaria fora da final. Mas o árbitro peruano Arturo Yamazaki não relatou o episódio na súmula, o bandeira uruguaio Esteban Marino "sumiu", e Garrincha foi absolvido por falta de provas.

Com o Mané no time, o Brasil enfrentou a Tchecoslováquia, única equipe que não havia vencido na Copa, na decisão. Masopust inaugurou o placar para os tchecos aos 15min do primeiro tempo. Os brasileiros empataram dois minutos depois, com Amarildo. No segundo tempo, Zito e Vavá viraram o jogo e transformaram o país no terceiro bicampeão mundial de futebol da história.

DATA FASE JOGOS
30/05/1962 Primeira fase
Brasil
2 x 0
México

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

México

Carbajal; Del Muro, Cárdenas, Sepulveda, Villegas; Reyes, Nájera; Del Águila, Hector Hernández, Jasso, Diaz.
Técnico: Ignacio Tréllez

  • Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar
  • Árbitro: Gottfried Dienst (SUI)
  • Auxiliares: Pierre Schwinte (FRA) e Erich Steiner (AUT)
  • Público: 10.484
  • Gols: Zagallo (BRA) 11min, Pelé (BRA) 28min do 2º tempo
02/06/1962 Primeira fase
Brasil
0 x 0
Tchecosl.

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Pelé, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Tchecoslováquia

Schroif; Lala, Novak, Pluskal, Popluhar; Masopust, Stibranyi; Scherer, Kvasnak, Adamec, Jelinek.
Técnico: Rudolf Vytlacil

  • Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar
  • Árbitro: Pierre Schwinte (FRA)
  • Auxiliares: Gottfried Dienst (SUI) e Domingo Conley (CHI)
  • Público: 14.903
06/06/1962 Primeira fase
Brasil
2 x 1
Espanha

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Espanha

Araquistain; Rodri, Gracia, Verges; Echevarria, Pachin; Collar, Peiró, Puskas, Adelardo, Gento.
Técnico: Helenio Herrera

  • Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar
  • Árbitro: Sérgio Bustamante (CHI)
  • Auxiliares: Esteban Marino (URU) e Jose Antonio Sundheim (COL)
  • Público: 18.150
  • Gols: Adélardo (ESP) 35min do 1º tempo; Amarildo (BRA) 27min e 41min do 2º tempo
10/06/1962 Quartas-de-final
Brasil
3 x 1
Inglaterra

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Inglaterra

Springett; Armfield, Wilson, Bobby Moore; Norman, Flowers; Douglas, Greaves, Hitchens, Haynes, Bobby Charlton.
Técnico: Walter Winterbottom

  • Local: Estádio Sausalito, em Viña del Mar
  • Árbitro: Pierre Schwinte (FRA)
  • Auxiliares: Gottfried Dienst (SUI) e Sergio Bustamante (CHI)
  • Público: 17.736
  • Gols: Garrincha (BRA) 30min, Hitchens (ING) 38min do 1º tempo; Vavá (BRA) 8min, Garrincha (BRA) 14min do 2º tempo
13/06/1962 Semifinal
Brasil
4 x 2
Chile

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Chile

Escuti; Eyzaguirre, Contreras, Raul Sánchez, Rodriguez; Toro, Rojas; Ramirez, Landa, Tobar, Leonel Sánchez
Técnico: Fernando Riera

  • Local: Estádio Nacional, em Santiago
  • Árbitro: Arturo Yamasaki (PER)
  • Auxiliares: Esteban Marino (URU) e Luis Antonio Ventre (ARG)
  • Expulsões: Landa (CHI) 35min e Garrincha (BRA) 38min do 2º tempo
  • Público: 76.500
  • Gols: Garrincha (BRA) 9min e 31min, Toro (CHI) 41min do 1º tempo; Vavá (BRA) 3min, Leonel Sánchez (CHI) 17min (pênalti), Vavá (BRA) 33min do 2º tempo
17/06/1962 Final
Brasil
3 x 1
Tchecoslováquia

Brasil

Gilmar; Djalma Santos, Mauro, Zózimo, Nilton Santos; Zito, Didi; Garrincha, Vavá, Amarildo, Zagallo.
Técnico: Aymoré Moreira

Tchecoslováquia

Schroif; Tichy, Popluhar, Pluskal, Novak; Masopust, Pospichal; Scherer, Kadraba, Kvasnak, Jelinek.
Técnico: Rudolf Vytlacil

  • Local: Estádio Nacional, em Santiago
  • Árbitro: Nickolaj Latychev (URS)
  • Auxiliares: Robert Davidson (ESC) e Leo Horn (HOL)
  • Público: 69.000
  • Gols: Masopust (TCH) 15min, Amarildo (BRA) 17min do 1º tempo; Zito (BRA) 24min, Vavá (BRA) 33min do 2º tempo
 

SELEÇÕES

Goleiros

1. Gilmar
22.08.1930
Santos
22. Castilho
27.04.1927
Fluminense

Laterais

2. Djalma Santos
27.02.1929
Palmeiras
6. Nilton Santos
16.05.1925
Botafogo
15. Altair
22.01.1938
Fluminense
12. Jair Marinho
17.07.1936
Fluminense

Zagueiros

3. Mauro
30.08.1930
Santos
13. Bellini
07.06.1930
São Paulo
5. Zózimo
19.06.1932
Fluminense
14. Jurandir
12.11.1940
São Paulo

Meias

8. Didi
08.10.1929
Botafogo
16. Zequinha
18.11.1934
Palmeiras
17. Mengálvio
17.12.1939
Santos
4. Zito
08.08.1932
Santos

Atacantes

20. Amarildo
29.07.1940
Botafogo
9. Coutinho
11.06.1943
Santos
18. Jair da Costa
09.07.1940
Portuguesa
7. Garrincha
28.10.1933
Botafogo
21. Zagallo
09.08.1931
Botafogo
19. Vavá
12.10.1934
Palmeiras
11. Pepe (José Macia)
25.02.1935
Santos
10. Pelé
23.10.1940
Santos

Técnico

Aymoré Moreira