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Montagem UOL. Imagens Graphic News e Reuters

"Erres", união e sorte ganham o penta na Ásia

No dia 23 de julho de 2001, a seleção brasileira era eliminada da Copa América com uma vergonhosa derrota por 2 a 0 para Honduras. Quem em sã consciência apostaria que, menos de um ano depois, o Brasil seria campeão mundial pela quinta vez?

Sim, havia uma pessoa. Seu nome: Luiz Felipe Scolari. Apesar dos seguidos maus resultados da equipe, que estava ameaçada de ficar de fora do Mundial pela primeira vez em sua história, o treinador mostrava confiança e garantia a classificação. Suada, a vaga só veio na última rodada, graças a uma vitória por 3 a 0 sobre a Venezuela, com dois gols de Luizão.

EFE

EFE

A "Família Scolari"
No início da caminhada rumo à Copa, a tal Família Scolari foi ironizada por torcida, imprensa e jogadores "bad boys" preteridos pelo técnico. Mas, para entrar nesse grupo, havia pré-requisitos que iam muito além da qualidade técnica.

O treinador considerou caráter, amizade e outros aspectos subjetivos para definir os 23 convocados. Suportou enorme pressão da torcida e não levou Romário. Tudo para "fechar" o grupo que viajou ao Oriente.

E quem acompanhou a Família Scolari de perto viu que o grupo foi, de fato, o mais unido que disputou um Mundial nos últimos tempos. O estilo "paizão" de Felipão fez todos acreditarem que não havia privilégio para qualquer jogador.

Passado o pesadelo das eliminatórias, Scolari começou a reconstruir a equipe. Sem grandes esperanças de ver o Brasil conquistar o título, a torcida o pressionava pela convocação de Romário. Firme, o técnico não cedeu. Em vez de chamar o Baixinho, apostou na recuperação de Ronaldo e Rivaldo, que vinham de graves contusões, manteve suas convicções até o fim e foi recompensado.

A sorte começou a sorrir para a seleção brasileira já no sorteio das chaves - o país caiu no grupo C, ao lado das modestas Turquia, Costa Rica e China. Com isso, Scolari ganhou tempo e tranqüilidade para preparar a equipe e dar ritmo de jogo aos seus principais craques.

A estréia diante dos turcos, porém, foi um sufoco superado apenas graças a uma ajuda do árbitro sul-coreano Young Joo Kim. Os europeus saíram na frente, mas Rivaldo lançou Ronaldo, que empatou de carrinho. Quando o 1 a 1 parecia assegurado, Luizão cavou um pênalti (havia sido derrubado fora da área), que Rivaldo converteu.

Nas duas outras partidas da primeira fase, duas fáceis goleadas sobre China (4 a 0, com um gol de cada "R" - Roberto Carlos, Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo) e Costa Rica (5 a 2, mais um de Rivaldo e outros dois de Ronaldo).

No dia 17, a Copa finalmente começava para o Brasil. O adversário do primeiro "mata-mata" era a Bélgica, segunda colocada do grupo H. O duelo estava empatado em 0 a 0 quando Wilmots subiu de cabeça e marcou para os belgas. O árbitro jamaicano Peter Prendergast anulou equivocadamente, marcando falta do atacante sobre Roque Júnior. Passado o susto, Rivaldo fez um golaço e Ronaldo, completando contra-ataque, fechou a complicada vitória por 2 a 0.

Apagado no torneio até então, Ronaldinho Gaúcho foi o destaque da vitória sobre a Inglaterra - justamente na única partida em que Ronaldo passou em branco. Os ingleses aproveitaram uma falha de Lúcio e abriram o placar no ínicio do jogo. Já nos acréscimos do primeiro tempo, Ronaldinho fez grande jogada individual e serviu Rivaldo, que bateu de primeira e empatou.

Na segunda etapa, ele cobrou uma falta da intermediária direto para o gol, surpreendendo e encobrindo o experiente goleiro Seaman. Minutos depois, Ronaldinho recebeu o cartão vermelho por uma entrada violenta e quase estragou sua grande atuação. Mas mesmo com uma menos, o Brasil soube segurar o resultado.

A Turquia voltou a cruzar o caminho brasileiro na semifinal. Mordida pelo erro do juiz no primeiro encontro, a seleção turca queria vingança, e mais uma vez deu trabalho aos comandados de Scolari. O gol de bico de Ronaldo foi o suficiente para colocar a equipe na decisão.

A final foi um encontro inédito de dois gigantes: Brasil x Alemanha. O jogo nervoso durou até os 22min do segundo tempo, quando Ronaldo roubou a bola e serviu Rivaldo. Kahn não segurou o chute do meia, e a bola sobrou limpa para o "Fenômeno" fazer 1 a 0. Pouco depois, Rivaldo fez um belo corta-luz para Ronaldo marcar o segundo e definir a conquista do pentacampeonato. Coube ao capitão Cafu, único jogador a disputar três finais consecutivas, a honra de levantar a taça.
DATA FASE JOGOS
03/06/2002 Primeira fase
Brasil
2 x 1
Turquia

Brasil

Marcos; Lúcio, Roque Jr. e Edmílson; Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Vampeta) e Ronaldinho Gaúcho (Denilson); Ronaldo (Luizão) e Rivaldo.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Turquia

Rustu; Korkmaz (Mansiz), Akyel, Ozalan e Kerimoglu (Erdem); Sukur, Basturk (Davala), Sas e Ozat; Unsal e Belozoglu.
Técnico: Senol Gunes

  • Local: Munsu Football Stadium, em Ulsan (CDS)
  • Público: 33.842
  • Árbitro: Young Joo Kim (CDS)
  • Assistentes: Visva Krishnan (SIN) e Vladimir Fernandez (ESA)
  • Cartões Amarelos: Akyel, Unsal e Ozalan (TUR); Denílson (BRA)
  • Cartões Vermelhos: Ozalan e Unsal (TUR)
  • Gols: Sas (TUR), aos 47min; Ronaldo (BRA), aos 5min, e Rivaldo (BRA), aos 42min do 2º (pênalti)
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08/06/2002 Primeira fase
Brasil
4 x 0
China

Brasil

Marcos; Anderson Polga, Lúcio e Roque Jr.; Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Juninho Paulista (Ricardinho) e Ronaldinho Gaúcho (Denílson); Ronaldo (Edílson) e Rivaldo.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

China

Jiang Jin; Chengying Wu, Tie Li, Mingyu Ma (Pu Yang) e Haidong Hao (Bo Qu); Weifeng Li, Junzhe Zhao, Wei Du e Xiaopeng Li; Hong Qi (Jiayi Shao) e Yunlong Xu.
Técnico: Bora Milutinovic

  • Local: Jeju World Cup Stadium , em Seogwipo (CDS)
  • Público: 36.750
  • Árbitro: Anders Frisk (SUE)
  • Assistentes: Leif Lindberg (SUE) e Bomer Fierro (EQU)
  • Cartões Amarelos: Ronaldinho Gaúcho e Roque Jr. (BRA)
  • Gols: Roberto Carlos (BRA), aos 15min, Rivaldo (BRA), aos 32min, e Ronaldinho Gaúcho (BRA), aos 45min do 1º tempo (pênalti); Ronaldo (BRA), aos 10min do 2º tempo
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13/06/2002 Primeira fase
Costa Rica
2 x 5
Brasil

Costa Rica

Lonnis; Marin, Wright, Martinez (Parks) e Lopez; Solis (Fonseca), Wanchope, Centeno e Gomez; Wallace (Bryce) e Castro.
Técnico: Alexandre Guimarães

Brasil

Marcos; Anderson Polga, Lúcio e Edmilson; Cafu, Gilberto Silva, Júnior, Juninho Paulista (Ricardinho) e Rivaldo (Kaká); Edílson (Kleberson) e Ronaldo.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

  • Local: Suwon World Cup Stadium, em Suwon (CDS)
  • Público: 38.524
  • Árbitro: Gamal Ghandour (EGI)
  • Assistentes: Wagih Farag (EGI) e Egon Bereuter (AUT)
  • Cartões Amarelos: Cafu (BRA)
  • Gols: Ronaldo (BRA), aos 10min e aos 13min, Edmílson (BRA), aos 38min, e Wanchope (COS), aos 39min do 1º tempo; Gomez (COS), aos 11min, Rivaldo (BRA), aos 17min, e Júnior (BRA), aos 19min do 2º tempo
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17/06/2002 Oitavas-de-final
Brasil
2 x 0
Bélgica

Brasil

Marcos; Lúcio, Roque Jr. e Edmílson; Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Ronaldinho Gaúcho (Kléberson) e Juninho Paulista (Denílson); Ronaldo e Rivaldo (Ricardinho).
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Bélgica

De Vlieger; Van Kerckhoven, Simons, Goor e Walem; Verheyen, Peeters (Sonck), Van Buyten e Vanderhaeghe; Mpenza e Wilmots.
Técnico: Robert Waseige

  • Local: Kobe Wing Stadium, em Kobe (JAP)
  • Público: 40.440
  • Árbitro: Peter Prendergast (JAM)
  • Assistentes: Yuri Dupanov (BLR) e Mohamed Saeed (MDV)
  • Cartões Amarelos: Vanderhaeghe (BEL); Roberto Carlos (BRA)
  • Gols: Rivaldo (BRA), aos 22min, e Ronaldo (BRA), aos 42min do 2º tempo
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21/06/2002 Shizuoka (JAP)
Inglaterra
1 x 2
Brasil

Inglaterra

Seaman; Mills, Ashley Cole (Sheringham), Sinclair (Dyer) e Ferdinand; Campbell, Beckham, Scholes e Owen (Vassel); Heskey e Butt.
Técnico: Sven Goran Eriksson

Brasil

Marcos; Lúcio, Roque Jr. e Edmílson; Cafu, Roberto Carlos, Gilberto Silva, Ronaldinho Gaúcho e Kléberson; Ronaldo (Edílson) e Rivaldo.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

  • Local: Shizuoka Stadium Ecopa, em Shizuoka (JAP)
  • Público: 47.436
  • Árbitro: Felipe Ramos Rizo (MEX)
  • Assistentes: Hector Vergara (CAN) e Mohamed Saeed (MDV)
  • Cartões Amarelos: Scholes e Ferdinand (ING)
  • Cartões Vermelhos: Ronaldinho Gaúcho (BRA)
  • Gols: Owen (ING), aos 23min, e Rivaldo (BRA), aos 47min do 1º tempo; Ronaldinho Gaúcho (BRA), aos 5min do 2º
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26/06/2002 Semifinal
Brasil
1 x 0
Turquia

Brasil

Marcos; Lúcio, Roque Júnior e Edmílson; Cafu, Gilberto Silva, Kleberson (Belletti), Rivaldo e Roberto Carlos; Edílson (Denílson) e Ronaldo (Luizão).
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Turquia

Rustu; Akyel, Korkmaz, Ozalan e Davala (Izzet); Kerimoglu, Basturk (Erden), Penbe, Sas e Belozoglu (Mansiz); Sukur.
Técnico: Senol Gunes

  • Local: Saitama Stadium 2002, em Saitama (JAP)
  • Público: 61.058
  • Árbitro: Kim Milton Nielsen (DIN)
  • Assistentes: Maciej Wierzbowski (POL) e Igor Sramka (SVK)
  • Cartões Amarelos: Gilberto Silva (BRA); Kerimoglu e Sas (TUR)
  • Gols: Ronaldo (BRA), aos 4min do 2º tempo
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30/06/2006 Final
Brasil
2 x 0
Alemanha

Brasil

Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Kleberson, Ronaldinho Gaúcho (Juninho Paulista) e Roberto Carlos; Ronaldo (Denílson) e Rivaldo.
Técnico: Luiz Felipe Scolari

Alemanha

Kahn; Frings, Linke e Ramelow; Metzelder, Schneider, Jeremies (Asamoah), Hamann e Bode (Ziege); Neuville e Klose (Bierhoff).
Técnico: Rudi Völler

  • Local: International Stadium Yokohama, em Yokohama (JAP)
  • Público: 69.029
  • Árbitro: Pierluigi Collina (ITA)
  • Assistentes: Leif Lindberg (SUE) e Philip Sharp (ING)
  • Cartões Amarelos: Roque Júnior (BRA); Klose (ALE)
  • Gols: Ronaldo (BRA), aos 22min e aos 34min do 2º tempo
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SELEÇÕES

Goleiros

1. Marcos
03.07.74
Palmeiras
12. Dida
07.10.73
Corinthians
22. Rogério Ceni
22.01.73
São Paulo

Zagueiros

3. Lúcio
08.05.78
Bayer Leverkusen (ALE)
4. Roque Jr.
31.08.76
Milan (ITA)
5. Edmílson
10.07.76
Lyon (FRA)
14. Ânderson Polga
09.02.76
Grêmio

Laterais

2. Cafu
07.06.1970
Roma (ITA)
6. Roberto Carlos
10.04.73
Real Madrid (ESP)
13. Belletti
10.06.76
São Paulo
16. Júnior3
20.06.73
Parma (ITA)

Meias

8. Gilberto Silva
07.10.76
Atlético MG
15. Kléberson
19.06.79
Atlético PR
18. Vampeta
13.03.74
Corinthians
7. Ricardinho
23.05.76
Corinthians
11. Ronaldinho
21.03.80
Paris Saint-Germain (FRA)
19. Juninho Paulista
22.02.73
Flamengo
23. Kaká
22.04.82
São Paulo

Atacantes

9. Ronaldo
22.09.76
Internazionale (ITA)
10. Rivaldo
19.04.72
Barcelona (ESP)
17. Denílson
24.08.77
Betis (ESP)
20. Edílson
17.09.70
Cruzeiro
21. Luizão
14.11.75
Grêmio

Delegação

Técnico
Luiz Felipe Scolari
Auxiliar técnico
Flávio Murtosa
Preparador físico
Paulo Paixão
Auxiliar de prep.
Darlan Schneider
Treinador de goleiros
Antônio Carlos Pracidelli
Coordenador técnico
Antônio Lopes
Chefe da delegação
Weber Magalhães
Assessor de imprensa
Rodrigo Paiva
Médico
José Luís Runco
Fisioterapeuta
Luiz Alberto Rosan
Roupeiros
Antônio Assis
Rogelson Barreto
Massagistas
Jorge Domingos
Roberto dos Santos